Texticulos (2)

terça-feira, julho 27, 2010


Ontem presenciei algo interessante digamos.

Duas amigas de meia idade chegaram no meu trabalho e enquanto uma entrou a outra ficou do lado de fora, ficou enojada porque sentia de longe o cheiro de "mofo" do sebo - como se fosse irrespirável lá, enfim, fingemos que seje, afinal não tenho a renite que ela disse que tinha.Mas o verdadeiro "nojo" veio depois.

Inexplicávelmente como pessoas simpáticas ou mesmo falantes puxam assunto, ela puxou comigo. Não um assunto, ela simplesmente começou a falar já que ela estava do lado de fora da loja esperando a amiga, e eu apesar de ouvir, não pude falar muita coisa por causa desse assunto (com uma licença gramatical correta):

"Ah nunca gostei de livros, nunca gostei de ler, e nem de estudar. Mas eu nunca disse isso aos meus filhos, sempre disse para eles estudarem. Tanto que um agora está terminando administração. Mas ganho bem, eu trabalho fora do Brasil sabe?"

Eu: "Ah eu acho que ler é importante, principalmente para se arrumar uma carreira boa, vê-se o seu filho"

"Mas nunca precisei disso não, ganho bem lá fora nos EUA, trabalho como babá"

Eu: "Mas tá aí, é babá, acho que é o único tipo de serviço que dá pra arrumar"

"Nesse país se precisa estudar, mas em outro não, sem contar que aprendo uma língua de graça"

Depois dessa frase ela se virou e eu fiquei quieto no meu serviço. Bom, depois de ela terminar com essa frase ela automaticamente se encaixou naquele frase cômica "de que até os mendigos dos EUA falam inglês". Ela deve achar chique!

Contar esse caso é um bom gancho para se relatar, mais um relato, de como muitas pessoas são acomodadas com sua vida, principalmente brasileiras.

E além de nacionalidade, abrem mão de seu orgulho e conquista pessoal de ser humano em favor de algo que o próprio ser humano inventou para colocar valor nas coisas, o dinheiro. É uma prova de que quanto mais a humanidade evolui, é mais simples ter um pensamento retrógado e acomodado, é fácil sentar na sua verdade absoluta e informação simples do que ir atrás de algo que te enriqueça pessoalmente. É um pensamento pusilânime dela, mas, isso nem em causa revolta e nem desprezo sinceramente, só me causa pena, dó e lamentação.

Trabalho em um centro de cultura, que simplesmente é chamado de sebo. Mas a cada dia que passa vejo que a cultura nunca será ao alcance de todos e nem será alcançada por todos por mais que se ofereça isso em cada esquina, Muitos não sabem buscar, muitos não querem buscar. É a cultura do cd de 3 reais de axé de frente a Fausto de Goethe, e neste país se prefere a primeira opção.

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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1 comentários

  1. bom isso nada mais é do que um fato q acontece, a humanidade avança em tecnologia e afins, se 'distancia' do passado, porem, apenas nas coisas materiais, pq em raciocionio, axo que podem estar igualando ou ate msm, ficando pior do q no passado, logo teremos pensamentos da epoca das cavernas, porem, com tecnologia, logo nao precisaremos estudar pq os robos saberam tudo...

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