A parte mais difícil, aquela que tenho que me despedir

terça-feira, outubro 05, 2010



É meu primeiro relato mais pessoal que escrevo aqui, talvez o último. O primeiro que talvez de uma forma da qual eu não pense inicialmente, seja para no final acabar diferenciando um pouco mais esse blog da maioria humorística ou reflexiva que se vê por aí. ou me misturando de vez com o resto, não tenho certeza. Entretanto a certeza que tenho é de que não será um texto bem humorado e talvez por esse tom de seriedade muitos desaprovem, mas por outro lado muitos se identifiquem. Não tenho título para esse post, mas vou pensar, quem sabe até o fim não chego a uma conclusão? Será que tem alguma no que irei escrever? Algum no meio de tanta coisa vivida por nós?

Com a vida aprendi que o que mais afasta as pessoas são suas vidas, nem tanto a distância logistica, e cruel, aquela que vemos no mapa e que só dobrando se sonha que poderia ser perto como o resultado que vemos.

O que agora posso falar de meu agora é que, se seguimos sempre em frente, escolhi ficar parado e a pensar que as coisas não dão certo, pra mim, não para as outras pessoas. Só esperando no fim que alguém mude minha ideia.

As pessoas desistem... Dito isso tenta-se provar o contrário, mas elas desistem porque chega uma hora que por mais espirituosas e otimistas que sejam, elas simplesmente cansam. Talvez há pessoas que não nasceram pra aquilo. Não porque não querem desde o começo, é porque não levam sorte mesmo, ou melhor dizendo já que não levo fé em sorte, tem até capacidade, mas falta a oportunidade. Cheguei a conclusão de que é "melhor" sentir inveja das outras pessoas por não ter alguém contigo, do que tristeza por não poder estar com aquela pessoa quando quer vivenciar os mesmos momentos que se vê ao olhar ao redor. Que é melhor sentir saudades das boas lembranças do que a saudade que permanece de mãos dadas com nós ao ver e pensar qualquer coisa.

Eu sei que irei mudar, todos nós mudamos, nos "traímos" a cada promessa feita. Nenhuma verdade é absoluta tão quanto uma conclusão feita aos 21 anos de idade, mas sinceramente sinto que essa mudança, não irá ocorrer por mais que eu queira. Não por causa do mundo até (olha eu tentando isentá-lo de responsabilidade), mas por minha causa mesmo. É eu que não tenho conserto e passou-se o tempo de mudar de ideia. Sabe aquilo de que quanto mais a vida passa diante aos nossos olhos, ficamos mais sábios a ponto de não haver ninguém que nos satisfaça? Então...

Dizem que o tempo cura, coisa tola que as pessoas por ai te dizem só pra te fazer "sentir melhor" e nada mais. E o que é o tempo se não nada mais do que uma simples mesmice e repetição? Bom, fingindo que ELE vale, não levo mais fé nele. O "tempo ajudar" nada mais é do que algo vindo de mim mesmo, são as ações que mudam alguma coisa em nós.

E falando de mim, ajuda externa nunca me ajuda o que realmente seria o normal de ajudar. Minha cabeça sempre funcionou a questionar tudo o que me falam numa eterna teimosia, acrescentar sempre mais algo a conversa e nunca assentir por mais que eu sinta que devo concordar, e se você for pensar bem... conselhos acabam sendo comuns nao é?
O que me ajuda mesmo, são fatos, e eles nunca ocorrem. Quando ocorrem, são feitos apenas para eu "sonhar", logo terminam, a ponto de eu nem ter uma historinha que seja.

O que vejo acaba não ocorrendo comigo, e se o mundo gira, gira ao contrário pra mim, ou está parado não sei dizer ao certo. Eu faço tudo o que posso fazer, tudo ao meu alcance naquele momento, tudo que é lógico e correto a se fazer dentro do bom senso e compreensão que sempre levei comigo, mas não adianta, não se tem outra pessoa do outro lado.

Relacionamentos acabam, e de fato é assim mesmo, felizmente ou infelizmente. E confesso que dada a minha situação de pensamento, sinto na ponta da língua a vontade de dizer isso friamente com pura antipatia e até desprezo perto de alguém que está feliz com alguém, o que é horrível. Mas atire a primeira pedra quem não sentiu vontade de fazer algo comparado? É engraçado, mas ver pessoas felizes ao seu redor por um motivo que é mais do que simples, entristece tanto quanto irrita e causa desprezo.

Nenhum momento é eterno, nada dura para sempre e tudo passa, porque a vida segue. Ela ali na mesma passada por mais que queiramos que ela pare ou acelere. Logo. diante da vida, pensamos logo que a felicidade não foi feita pra nós ou talvez nem exista, já que ela aparece durante tão pouco tempo. Bom, posso dizer que ela existe sim, mas tanto quanto não.

A nossa parcela de tristeza e alegria é a mesma do que das outras pessoas, nós construímos os fatos que nos dão alguma emoção distinta ou misturada e sempre será assim enquanto pudermos controlar nosso destino, a tristeza e a amargura vem das dificuldades e elas duas unem às margens da ideia nova e do crescimento. Da conclusão, do alívio, vêm a felicidade. E como toda conclusão é curta, a felicidade também é. Ela é momentânea tão quanto nossa satisfação é, coisa que é necessária de ser, é da nossa natureza querer sempre mudar buscando algo novo pra causar nossa satisfação e assim felicidade momentãnea.

Sei que o tal desabafo meu é inesperado e como disse no começo do texto, eu nem esperava fazer esse tipo de post aqui. Mas outra coisa que também aprendi com a vida foi que se tornam humanos, fortes, aqueles que revelam suas dores perante a outros.

Desabafos inesperados são como piadas, se você os avisar de que vai fazer, perde-se todo o sentido de compreensão.

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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