Resenha Cinema: O Turista

domingo, janeiro 30, 2011


Bom, turista pra mim se define por alguém como eu, que mal vai ao cinema. Mas nesse domingo finalmente eu fui com uns amigos, não que eu tivesse vontade de ir - porque sinceramente nenhum filme em cartaz no momento me agrada -, mas como tinha uma graninha sobrando resolvi segui-los. Má decisão?


Antes de tudo, vamos a sinopse. 

Elise (Angelina Jolie) é namorada de um cara que roubou uma fortuna de um chefão da máfia. Logo, ele está sendo perseguido por gângsteres, incluindo o que foi roubado por ele, e pela Interpol, que estão a vigiando para ver se ela os leva até o tal ladrão misterioso. Para se encontrar com o "amor da sua vida" em segurança e despistar toda essa gente, ela pega um "pato" para se fazer passar pelo tal ladrão. Afinal, ele fez uma plástica e ninguém sabe qual a aparência dele. Nem mesmo Elise. O pato escolhido é Frank (Johnny Depp) que é um turista (supostamente e a pouca graça do filme é baseada nisso) estadunidense, professor de matemática, que fica encantado por alguém do porte de Angelina Jolie (até eu) estar dando em cima dele e mal consegue acreditar em sua sorte - algo bem nerd. Mas é óbvio que nada sai como planejado por ela. 

O filme é lotado de todos os clichês de filmes de aventura, do tipo de humor que sabemos que todo almejante a blockbuster terá, e do tipo de romance que faz prolongar um filme que teria uma duração de capítulo de série. O saudoso Frank deixa de ir embora quando tem a oportunidade porque (óun) se apaixonou pela Elise, e aí vai fazer de tudo para salvá-la. Não preciso dizer mais nada.

De forma inocente o Depp incorporou Jack Sparrow na cena que o Frank está fugindo dos caras da Interpol de pijama pelo telhado, e em vários sorrisinhos para Jolie ao longo do filme. E até Star Wars está metido no meio, pasmem, quando a Elise com um capuz preto se vira para a câmera na cena em que de barco vai salvar o Frank. Lembrei do Luke Skywalker no terceiro filme e isso é bizarro pra um filme que tenta ser um filme de espionagem! 

As coisas mais interessantes com certeza são as localidades do filme (Itália e França) e a oportunidade de ver Johnny Depp em um papel de alguém normal, mas é impossível, ele não é um cara normal, e diria que sua presença é um ponto positivo pro filme. As poucas risadinhas que dei foram em cenas com ele, apesar que foi forçado demais o lado cômico dele de falar espanhol na Itália. Pra falar da dona Angelina Jolie que continua deslumbrante, ela continua com um péssimo gosto para papéis e atuações (note seu sotaque inglês bem forçado) como se não bastasse ter feito Salt, que é uma tentativa de Jason Bourne feminino mal sucedido. O que interessa que é química do par, é beeeem morna, coisa que até poderia salvar o filme se fosse o contrário.

O grande erro do diretor foi só contratar dois artistas do momento esperando que isso bastasse para um filme de sucesso, quando esqueceu de aspectos importantes como um roteiro que tivesse alguma originalidade em vez de um ajuntado de roteiros reaproveitados. Fez de "O Turista" apenas um filme de espionagem com toques cômicos, até forçados. Ou seria ao contrário? Já que o lado cômico impera sob a espionagem e transforma a sessão em uma simples brincadeira de Sessão da Tarde. Assim o tornando até assistível, talvez um belo filme nada, mas sem nada que te fará lembrar com empolgação de contar para seus amigos no dia seguinte. E ironicamente o que causa uma pequena empatia com o filme, fora a dupla principal, são justamente os clichês.

Conscientemente o máximo que você pode gastar com ele é uma locação, ou nada se você resolver baixar. Coisa que acredito que poucos que prezem um roteiro original irão, mas como blockbuster com artistas do momento, sim. E aí será um filme que pode te ajudar a passar o tempo. Mas passe bem longe se tiver opção.

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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