Resenha Cinema: O Ritual

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

Três dias de ausência daqui e três dias que valeram a pena, e eu não me lembro se houve alguma vez em que saí três noites seguidas e três noites que foram ótimas. passando por tributo fodão ao Ronnie James Dio num café aqui perto na quinta, desafiando o metrô pra assistir covers de Arch Enemy, Sepultura e - com o poder de Odin - Amon Amarth numa balada meia vazia, e muita cerveja nos encorajando a tocar um foda-se na relação com seres humanos não-esquisitos na Augusta no sábado a noite. No mesmo dia, só que a tarde, tive um encontro básico com uma garota basicamente ótima e fomos no cinema ver "O Ritual" - com eu quase fazendo um ritual satânico ao pagar R$16 numa entrada (sim, sou meio Tio Patinhas). Papo vai, papo vem, no meio daqueles míseros trailers e muitos comerciais que você se cansa de ver na televisão da sua casa - caindo por terra toda a sensação de "fuga" que a telona pode te trazer - enfim que começa o filme.

Antes de ir ver o filme já bolava na minha mente a resenha, não exatamente sobre o filme, mas em como iria fazê-la. Já que não é segredo pra ninguém que escreve de que, criticar algo é muito mais fácil do que escrever um texto o elogiando, para mim pelo menos é assim, assim foi com "O Turista". E confesso que precisei ler duas ou três resenhas desse filme para tirar as ideias aflorando minha opinião sobre ele. Então vamos lá.

Atualmente não sei como dizer exatamente a alguém quais são as minhas coisas prediletas - a não ser mulher, cerveja e rock n' roll - especificamente em relação a gênero de filme. Se já lá não sou tão preso a rótulos em música e a mim mesmo, então imagina pra filmes. Existem filmes bons e ruins, e ponto. Mas claro, que se tem os seus prediletos e um gênero que me chama atenção é o terror, porém mutio mais que isso é o que o filme pode te fazer pensar. Quem tenha um lado psicológico, filosófico, um lado sobrenatural, e humano.

É claro que o ator/atriz que esteja envolvido em algum filme te atrai pra vê-lo - uns levam mais em conta o tema do filme e outros são simplesmente pelo artista, comigo foi pelos dois - e o Anthony Hopkins é um ator que você tem a consciência de que o filme que ele está envolvido não dará errado. Claro que todos têm seus insucessos, mas pra ele no máximo seria um "filme nada". E felizmente isso não ocorre em "O Ritual".

Aqui conhecemos Michael Kovak, um jovem que está estudando para ser padre, mas que não sente o chamado de Deus apesar de querer senti-lo. Ele pensa em desistir, mas um coordenador do curso acaba o convencendo a passar dois meses em Roma e fazer um curso para exorcistas com um padre nada ortodoxo (Lucas). Assim, ele vai ter contato com algumas pessoas possuídas, e agora cabe a ele – e a nós – decidir se essas pessoas precisam realmente de um exorcista ou apenas de um psiquiatra.

A sinopse em si muito me agrada - e ela me fez ir ao cinema pra assistir o filme - pois adoro discussões místico/religiosas/filosóficas. E o filme leva muito bem essa proposta, apesar de eventualmente acabar decidindo qual dos lados está certo. O que me decepcionou um pouco no fundo, depois de chegar em casa e refletir sobre tal; até por isso escrevo a resenha só hoje. E fora esses três assuntos, o lado humano também muito me agrada, já que um aspirante a padre não se decidiu se acredita em Deus ou não, ele é alguém que está procurando seu caminho. E nem o padre que faz exorcismos pra qual ele é mandado, teve muitos dias de crise de fé. E mostrar esse lado em um filme, é enterrar pra muitos essa hipocrisia de que você simplesmente acorda ou nasce acreditando em algo.

O filme não é exatamente um filme de terror, e nem um filme paranormal. Não tem cabeças girando e sopa de ervilha. Aliás o Padre Lucas (Anthony Hopkins) faz piada com isso, e é deveras engraçado ver ele o dizer depois do "só isso" dito pelo jovem e cético padre Micheal Kovak depois do primeiro ato de exorcismo. Assim, nos ocorre um terceiro gênero, comédia, pitadinhas dela. E é muito saudável um filme conseguir colocar algum humor em um assunto tão sério e complexo como religião sem perder sua característica predominante. Ele consegue ser um filme genuinamente engraçado. Por exemplo, quando o padre atende uma ligação do seu celular no meio do exorcismo e fala pro jovem Kovak assumir, esse, ficando com cara de "ãhn?". O simples toque já te faz dar uma gargalhada. xD

Tecnicamente o filme é um primor, simples e direto, daqueles que você não consegue enxergar nenhum defeito e você acaba nem se esforçando pra isso. E é assim também em sua trilha sonora, que te faz exatamente sentir aquilo que deve sentir; não há nada de barulhinhos toscos pra causar medo de filmes de terror. Um bom elenco e uma atuação excelente da atriz Marta Gastini, a primeira possuída com quem Michael entra em contato. Ela consegue na sua linguagem corporal te causar toda tensão, e parecer muito mais satânica e possuída do que qualquer garota do Exorcista. Não se precisa ficar verde pra isso.

O filme é ótimo, mas é difícil ser perfeito, e não é pelo filme em si. Mas 112 minutos, quer dizer, menos de duas horas, não são suficientes para passar a limpo esse assunto com a profundidade que merece. E aí que penso o quão legal seria o filme ser originalmente uma série de televisão tratando desse tema durante duas, três, cinco temporadas. Não que não seja possível contar uma boa história em duas horas, mas a sensação que permanece é que o filme acaba até muito abruptamente. O próprio Padre Lucas (Anthony Hopkins), no primeiro contato com exorcismo do filme, diz que a possessão é um processo lento que pode durar meses e até anos. Então fica um pouco difícil de entender a possessão do próprio se perdurar durante minutos no clímax do filme e ele ficando até pior do que a garota do começo. Mesmo que seja um demônio pior que o possuiu.

Mas analisando tudo temos o melhor que se poderia fazer, e é recomendadíssimo a todos aqueles que gostam desse tema e que gostam de pensar. Sabe sair com a cabeça "cheia" depois de ler um livro ou ver um filme? O problema, como disse, é que duas horas acabam sendo poucas pro assunto, mas talvez isso tenha sido uma das intenções do diretor, de causa um choque na sua mente e te fazer criar uma extensão do filme. Coisa que é rara atualmente em Hollywood.

Vale o ingresso!

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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1 comentários

  1. Não é ruim, muito divertido. Estou no final com medo, mas eu gosto de terror ou suspense histórias e filmes exorcismos. Recentemente, vi The Vatican Tapes não geralmente pensam que é liberado em queda livre bater a cada clichês imagináveis em uma história de horror. De tudo isso, o mais interessante é uma cena em que ela cospe três ovos que representam a Santíssima Trindade. Poderíamos dizer que há material para contar uma história interessante, mas certamente com intenções não é suficiente. "Exorcistas No Vaticano" poderia ter tido melhor destino se o tom geral do filme era crua e cheia de deboche.

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