Tome uma dose com Charles Bukowski

sábado, fevereiro 05, 2011

De acordo com a bíblia enciclopédica, Wikipédia.


Henry Charles Bukowski Jr (Andernach, 16 de Agosto de 1920 – Los Angeles, 9 de Março de 1994) foi um poeta, contista e romancista. Nascido na Alemanha, filho de um soldado americano, se mudou ainda criança para os EUA com seus pais. Foram primeiro para Baltimore em 1923, mas depois disso se mudaram para o subúrbio de Los Angeles. Foi uma criança atormentada por um pai extremamente autoritário e frustrado, que descontava os seus problemas o espancando pelos motivos mais fúteis. Quando atingiu a adolescência, somou-se a este problema o fato de ter o rosto e toda a parte superior do corpo literalmente tomada por inflamações que o obrigaram a submeter-se a tratamentos médicos no hospital público de sua cidade. Na escola, a situação também não é das melhores, tendo poucos amigos e sendo sempre o penúltimo a ser escolhido para o time de beisebol.

A falta de carinho familiar e a humilhação de ter um rosto deformado obrigam-no a fugir. Abandonou a escola para só voltar um ano depois. Neste meio tempo descobriu duas coisas que o ajudaram a tornar a sua vida suportável: o álcool e os livros. Teve problemas com alcoolismo e trabalhou em empregos temporários em várias cidades americanas, como carteiro, frentista e motorista de caminhão apesar de ter estudado jornalismo sem nunca se formar. Bukowski começou a escrever poesias aos 15 anos mas seu primeiro livro somente foi publicado 20 anos depois em 1955. Em 1962 estreou na prosa caracterizada pela descrição de sua vida pessoal. Escreveu, entre outros livros, "Mulheres", "Hollywood" e "Cartas na Rua".

Teve Ernest Hemingway e Fiódor Dostoiévski como principais influências. Com o escritor russo, aprendeu: "Quem não quer matar seu pai"?. O complexo de Édipo rodeia Chinaski por toda a obra: "Ele" é o cara sacana, "Ele" é o responsável por seu sofrimento, "Ele" merece morrer. Esse ódio por seu pai (na realidade um alcoólatra violento) permeia toda a obra do velho "Buk". Essa capacidade de transformar o dia-a-dia em poesia, de pegar as bebedeiras triviais, as angústias adolescentes e transforma-las em arte é a mágica de Bukowski.

Repulsa, nojo, ódio, amor, paixão e melancolia. Esses são alguns dos sentimentos que mais inspiraram Charles Bukowski, alemão que passou a vida nos becos dos Estados Unidos, na composição de toda sua obra. Cada poesia, cada romance e cada conto do escritor traz um pouco da vida do "Velho Safado", como ficou conhecido no mundo inteiro.

Uma de suas principais atividades durante anos foi a leitura de suas poesias em universidades e eventos culturais. Sua leitura debochada às vezes provocava escândalos e brigas com a platéia, algumas delas registradas em áudio. Já nos anos 1980, Bukowski desfrutou de certa fama, convivendo com artistas e tornando-se uma celebridade. Ele morreu de leucemia aos 73 anos, em 9 de Março de 1994, e em seu túmulo se lê "Don't Try", "Não Tente" em português.

Ele está presente em albuns, músicas, letras, entre outros de muitas bandas, entre as quais: Anthrax, Bad Radio (uma das bandas de começo de carreira de Eddie Vedder, vocalista da banda Pearl Jam), Red Hot Chili Peppers, entre muitas outras. O vocalista Ville Valo da banda finlandesa HIM, e o escritor Felipe Pipoko, têm uma imagem de Bukowski tatuada no seus respectivos braços.

Charles Bukowski com sua obra obscena e estilo coloquial, com descrições de trabalhos braçais, porres e relacionamentos baratos, fascinaram gerações à procura de uma obra com a qual pudessem se identificar. E eu sou uma dessas pessoas. Este post é em sua homenagem. E ele é uma grande inspiração pra todo aquele que quer escrever sobre sua frustração da vida, algo errante e sem sentido. Aqui vão duas de suas pequenas obras que trazem um pouco da minha indignação no momento.


"Mulheres: gostava das cores de suas roupas; do jeito delas andarem; da crueldade de certas caras. Vez por outra, via um rosto de beleza quase pura, total e completamente feminina. Elas levavam vantagem sobre a gente: planejavam melhor as coisas, eram mais organizadas. Enquanto os homens viam futebol, tomavam cerveja ou jogavam boliche, elas, as mulheres, pensavam na gente, concentradas, estudiosas, decididas: a nos aceitar, a nos descartar, a nos trocar, a nos matar ou simplesmente a nos abandonar. No fim das contas, pouco importava; seja lá o que decidissem, a gente acabava mesmo na solidão e na loucura."


"Quem inventou a escada rolante? Degraus que se movem. E depois falam de loucura. Pessoas subindo e descendo em escadas rolantes, elevadores, dirigindo carros, tendo portas de garagem que se abrem ao tocar de um botão. Depois elas vão para as academiasqueimar a gordura. Daqui a 4.000 anos, não teremos mais pernas, nos arrastaremos sobre nossas bundas, ou talvez só rolemos como tumbleweeds. Cada espécie destrói a si mesma. O que matou os dinossauros foi que eles comeram tudo à sua volta e depois tiveram que comer uns aos outros e com isso só um restou e o filho da puta morreu de fome."

"Há um pássaro azul no meu coração que quer sair mas eu sou demasiado duro para ele,
digo, fica aí dentro,
não vou deixar ninguém ver-te.
Há um pássaro azul no meu coração
que quer sair mas eu despejo whisky para cima dele e inalo fumo de cigarros,
e as putas e os empregados de bar, e os funcionários da mercearia
nunca saberão que ele se encontra lá dentro.
Há um pássaro azul no meu coração que quer sair mas eu sou demasiado duro para ele,
digo, fica escondido, queres arruinar-me?
queres foder-me o meu trabalho?
queres arruinar as minhas vendas de livros na Europa?
Há um pássaro azul no meu coração que quer sair
mas eu sou demasiado esperto, 
só o deixo sair à noite por vezes quando todos estão a dormir.
Digo-lhe: "eu sei que estás aí, por isso não estejas triste.
depois, coloco-o de volta."
Mas ele canta um pouco lá dentro,
não o deixei morrer de todo. 
E dormimos juntos assim
com o nosso pacto secreto,
e é bom o suficiente para fazer um homem chorar,
mas eu não choro,
e tu?"

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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