Crônica do amor burocrático

sexta-feira, março 25, 2011


Não é a história que vocês querem ouvir, ela não é boa para ser contada. Então não esperem disso aqui algo feliz, um final feliz, não criem esperanças demasiadas. É como um livro chato de trezentas páginas com uma marcador na metade. Nada acabou. Mas que não tenho coragem de continuar a ler.

Enquanto tragava mais de seu cigarro em mais um dia que não dormia, ele pensava. Primeiro pensava que sim, só de estar ali, fumando, ele pagava de pessoa pensante. Era engraçado ver as páginas de revista de antigamente com esses tipos de pessoas. Hoje em dia proibiram pois a modernidade, "geração saúde" pediu. Mas as pessoas continuam fumando mesmo assim, mesmo o alvo que é a geração mais nova. Ele acha que devia se dar prêmio pra quem parasse de fumar, um tipo de bônus diário. Esse mundo não é capitalista mesmo? Então nada melhor que uma dose vulgar de motivação. Escancaria a indecência das pessoas.

Porra, ele saiu do assunto. O que ele estava pensando mesmo? "Ah", ele disse. O que realmente ele não precisa pensar, pois já se tornou uma parte dele. Como lembrar de algo que não precisa ser lembrado de fato. Até ele mesmo se assusta pois é só fazer uma amizade nova, que, ele já sai falando daquilo que na verdade, ele não precisaria falar. Talvez ele mesmo se assuste assustando as pessoas, sem querer chegou a conclusão de que não sabe manter amizades. Mas quem precisa delas? Uma já basta não é? Não é preciso completar um álbum de figurinhas para se sentir momentâneamente feliz e satisfeito pelo resto do dia, dependendo do ponto de vista, é só ter a figurinha mais rara, a mais antiga.

Depois de mais uma tragada, começou a dizer a si mesmo, já que AQUELA pessoa não estava ali pra beber com ele, vou falar comigo mesmo. Essa pessoa estava em alguma parte da festa que ele não conseguia achar, o famoso baile de máscaras. Ele participa dele todo dia e nem precisa ser convidado, como é cômico e triste. Ele andava cego mesmo...

Ele estava no canto do baile. Sabe aqueles lugares no fundo, com uma iluminação mais baixa, com uma mesa na frente e um belo estofado vermelho para se recostar e com bastante whisky na cabeça, dormir? Então, era onde ele estava. Mas ele estava acordado ainda só observando, e ele sentia falta de algumas coisas. Porém ele não levantava. Dizia-se: "pra quê?". No entanto dava-se pra entender o que ele queria dizer, na verdade, realmente não fazia diferença nenhuma. Parte da vida passou e ele estava ali, já se levantou algumas vezes, mas tornou a se sentar de forma igual todas as outras, era como um ritual maldito que ele não conseguia se largar. Vozes na mente lhe diziam pra se largar. Mas hoje, depois de estar tragando esse cigarro com o copo na frente, finalmente pensou em algo diferente. Em estar normal. "Oh" ele pensou. Era sim uma solução, era não esperar nada, era continuar sentado. Claro, ele confessa que fazia isso, e admite que é errado decidir isso. Mas quem se importaria? O copo que está na minha frente? Claro que não, ele me diz tudo aquilo que quero ouvir.

Depois de uns dez minutos, lá ele continuava a observar o baile. Nunca parava. Vendo as coisas que faziam parte dele, uma delas se destacava. Ele tinha uma premissa: "de que as pessoas tinham que sofrer para dar valor as pequenas coisas". Não tanto quanto ele, ele não era egoísta a esse ponto, pois sofrimento nem pode se medir. Mas era uma premissa básica. Se Deus existe em algum lugar e é onipresente estando debaixo da mesa que se encontra. Isso devia ser cantado aos ouvidos de toda pessoa antes de descer a Terra, pois infelizmente, nem todas aprendem. E da forma certa! "Lembrando", ele teve o desprazer de encontrar esse tipo de pessoa. É como estar escrito num quadro negro, copiar no caderno, mas chegar na hora da prova e marcar a alternativa errada.

Ela era a mais linda que ele já viu, por um motivo misterioso, ela o conquistou em apenas um dia. Conversar eles já conversavam a um tempo. Gostar, ele gostava. Mas sabia que tinha que ter cuidado, já viveu muito disso, dessa desventura. Entretanto, ela conseguiu deixa-lo completamente apaixonado. Num beijo. "Como?", ele se perguntou... Realmente a razão nos abandona nos momentos mais importantes. E é impressionante que quando ela está no comando, se permanece no erro de certa forma, de uma forma caricata.

A muito tempo, ele aprendeu que problemas aproximam as pessoas, e continua a ser assim até hoje, cada vez de forma mais intensa quanto descartável como papel higiênico cagado. E foi assim naquela vez, ele no fundo não acreditava o quanto ela podia o fazer feliz, a amizade se tornava mais forte tanto quanto era mútua, e foi quando o dia chegou. Era mútuo os problemas, era assim com o respeito, era o dia mais lindo que ele teve. Mas foi só um dia. É impressionante que a beleza era tão grande, e maior foi a canalhice, a miserável forma de traição. As desculpas vieram, não importou a canalhice. O feitiço venceu e toma parte até hoje. A canalhice foi repetida, um deja-vú.

O amor é algo engraçado quando prometido, é como se a burocracia política fosse lei. Ou você entra na política e come balas de goma todo dia. Ou você fica na fila burocrática, esperando... Foi quando o cigarro acabou, e como ele não tem o costume de fumar, parou, e como a mente costuma trabalhar, ele continuou a pensar. Sentiu-se o sabor da sabedoria. Não é bom tentar, mas é melhor ainda ir embora. E assim ele se foi pra casa, roubando a garrafa da mesa. Em que importava pagar a conta se o baile era todo dia?

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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