Resenha Livro: Charles Bukowski - Misto-Quente

domingo, março 06, 2011


Oh que coisa, hoje é realmente o dia do Bukowski nesse blog e nem planejei isso!

Bom, nesse Carnaval, nessa época chata e tediosa em que aqueles que como eu ficaram em casa sem alternativas chamados "amigos" pra sair dela. Ler é o melhor remédio para passar o tempo, e a bebida é o melhor remédio para todas as situações - não exagerando, claro. Como o próprio Bukowski dizia:

"É este o problema com a bebida, pensei, enquanto me servia dum copo. Se acontece algo de mau, bebe-se para esquecer; se acontece algo de bom,bebe-se para celebrar, e se nada acontece, bebe-se para que aconteça qualquer coisa."

E o livro que estou lendo reforça isso, que dizer, esse trecho que posto mais abaixo fala sobre o como e quando, o porquê. Segue a descrição sobre o livro:

"O que pode ser pior do que crescer nos Estados Unidos da recessão pós-1929? Ser pobre, de origem alemã, ter muitas espinhas, um pai autoritário beirando a psicopatia, uma mãe passiva e ignorante, nenhuma namorada e, pela frente, apenas a perspectiva de servir de mão-de-obra barata em um mundo cada vez menos propício às pessoas sensíveis e problemáticas. Esta é a história de Henry Chinaski, o protagonista deste romance - praticamente um alter ego do próprio autor, que se chama Henry também - que é sem dúvida uma das obras mais comoventes e mais lidas de Charles Bukowski (1920-1994). Verdadeiro romance de formação com toques auto-biográficos, Misto-Quente (publicado originalmente em 1982) cativa o leitor pela sinceridade e aparente simplicidade com que a história é contada. Estão presentes a ânsia pela dignidade, a busca vã pela verdade e liberdade, trabalhadas de tal forma que fazem deste livro um dos melhores romances da segunda metade do século 20."

Agora um bom trecho do livro. Ainda estou o lendo, mas é de fato um dos melhores. E de fato é uma verdade. Três vivas ao álcool! =D

- Ei, gostei desse negócio
- Então, caralho, beba um pouco mais.
E foi o que fiz. O gosto estava melhorando. Eu estava melhorando. (...) Nunca me sentira tão bem, era melhor que masturbação. Fui de barril em barril, era mágico. Por que ninguém me havia falado sobre isso? Com a bebida, a vida era maravilhosa, um homem era perfeito, nada mais poderia feri-lo. (...) Pensei: bem, agora descobri alguma coisa, alguma coisa que irá me ajudar nos tantos dias que ainda hão de vir. A grama do parque parecia mais verde, os bancos do parque se tornaram mais bonitos, e as flores se esforçavam nesse sentido. Talvez essa coisa não fosse boa para cirurgiões, mas alguém que escolhia essa carreira já devia ter algo de errado na cabeça desde o princípio.


(Charles Bukowski, Misto-Quente, capítulo 22)

Auto-biográfica, "Misto Quente" é uma obra usando o alter ego de Charles Bukowski, Henry Chinaski, ambientado na segunda guerra mundial. Um pai violento e uma mãe passiva, fizeram o protagonista enxergar o mundo de uma forma podre, vazia. De certa forma é a realidade, é ver o pior. Sofremos por isso.

É um ótimo livro pra se ler, fácil, rápido, sem linguagens difíceis ou momentos em que você n]ão entenda o que se passa realmente. É um livro de Bukowski para você, assim como toda sua obra.

Recomendadíssimo!


Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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