O que passa pelos meus fones #13 - Rush

domingo, março 20, 2011


O Rush sempre foi uma banda desvalorizada ao longo dos anos - subestimada melhor dizendo - através da mídia especializada e crítica musical (alguns “experts” rotulavam seu som como excessivamente técnico e faziam chacota com a voz de Geddy e com o temperamento fóbico de Peart). Geddy Lee no vocal, teclado e baixo, Alex Lifeson na guitarra e Neil Peart na bateria venceram por sua qualidade exímia, e se hoje venceram na mídia atingindo o reconhecimento como o maior power trio talvez da história - competindo com o Motorhead na minha opinião - é muito por causa de seus fãs fiéis, criados pelo respeito e carinho que eles sempre mostraram com os mesmos. Simpatia e carisma que era mais que evidente na última passagem deles no Brasil - da qual infelizmente não fui -, uma alegria e feeling do trio a cada música tocada.

A banda sempre passou longe do esteriótipo "sexo, drogas e rock n' roll", eles sempre foram os "excluídos", sempre passaram longe de qualquer popularidade. Não havia um lado negro, apelos sexuais, pactos demoníacos ou qualquer maquiagem para ajudá-los como banda iniciante. Estudar e se qualificar na música era a passagem para a virtuose e o único caminho para o sucesso, com todo esse vento soprando contra. E a música de hoje, "Subdivisions" trata disso.

Ela é composição do monstro da bateria, Neil Peart, e é sobre esse jeito de ser, sobre aqueles que não são “maneiros”, sobre os que não se preocupam (ou nem tem como se preocupar) com status, modismos sociais e futilidades desse gênero. A letra também trata com muita inteligência, dos meios que a sociedade “disponibiliza” para que os afastados se conformem com sua insignificância perante a sociedade putrefa. A letra traduzida é mais ou menos a seguinte:

“Espalhados nos confins da cidade em ordem geométrica; Uma fronteira isolada entre as luzes brilhantes e o distante e obscuro desconhecido; Crescendo, tudo parece tão parcial; Opiniões todas arranjadas, o futuro pré-decidido, isolado e subdividido na zona de produção em massa; Em lugar algum estão os sonhadores ou os excluídos tão solitários. Subdivisões: nas salas do colegial, nos shoppings; Ajuste-se ou fique de fora; Subdivisões: nos porões dos bares, nas traseiras dos carros; Seja bacana ou fique de fora; Qualquer fuga pode amenizar a verdade pouco atraente, mas os subúrbios não possuem charme para aliviar os sonhos inquietos da juventude (espetacular essa frase...); Atraídos como mariposas nos amontoamos na cidade; A eterna e velha atração em busca de ação; Acesos como vaga-lumes apenas para sentir a noite pulsante; Alguns irão vender seus sonhos por pequenos desejos ou perderão a competição para ratos; Serão pegos em armadilhas e começarão a sonhar com algum lugar para relaxar seu vôo inquieto, algum lugar fora da memória de ruas iluminadas em noites quietas.”

Se o Dream Theater - banda que eu sou fã - Porcupine Tree e até o Muse são hoje contemporâneos do "metal progressivo" e no caso do Muse "rock progressivo moderno". Logo, naturalmente o Rush é uma banda que vem diretamente a cabeça, pois foi contemporãneo de tudo isso e influência pesada não só de bandas que aderem ao estilo progressivo do rock, mas de músicos diversos como o baixista do Kiss, Gene Simmons, o líder do Smashing Pumpkins Billy Corgan, guitarristas como Kirk Hammett (Metallica), Vinnie Paul (Pantera) e Zakk Wylde (Black Label Society), o baterista Taylor Hawkins (Foo Fighters) e até do recentemente premiado pela academia, Trent Reznor (Nine Inch Nails). Acho que nem preciso falar mais nada depois disso, deem o play logo:

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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