Papai, mamãe, titia

segunda-feira, março 21, 2011


Como a música do Titãs, venho tentando a tempos escrever algo sobre o "papai, mamãe e titia", vulgo família. Aliás, a uns tempos venho divagando sozinho e em conversas com amigos, da utilidade e da inutilidade dela, de como ela consegue atrapalhar, e nos ajudar nas horas que mais precisamos como se realmente um lúdico "laço de sangue" sentimental que, apesar da distância e das diferenças, conseguisse nos unir nos momentos mais difíceis. Claro que em tudo existem exceções, há casos que alguém não se tem uma família. Não se sabe do ventre que veio, de qual saco veio, ou na pior das situações, foi jogado às traças pela própria, Algo que é uma própria escolha interpretada ou não, pois por situações causadas pela própria família, se torna mais simples conviver fora dela. E baseando nisso tudo, me pego pensando se é felizmente ou infelizmente às vezes não tê-la, ou mais popularmente não ter "alguém no seu pé", como um chulé.

Sair de casa e um desejo meu e de qualquer pessoa que almeja "voar", ou no fundo, provar sua capacidade de existir sem precisar de um apoio que seja familiar, obter sua independência de fato. Talvez até não financeiramente, mas de ideias como numa democracia imposta na sua própria vida tanto quanto uma anarquia. Coisa que no "lar doce lar" era comparado a algo como comunismo. Na teoria funciona, mas na prática é uma bagunça de poderes, já que o instinto humano é se individualizar de alguma forma, "montando" em alguém ou não.

Na verdade, se você julga ter uma família boa, você terá em sua forma mais pura essa prova de... ignorância perante a sua personalidade quando se tenta conversar de algo, ou até expor um segredo, tentando ter um pouco de amizade com quem se convive. Eu pessoalmente convivo com esse afastamento aqui em casa e acredito que tantos outros convivem com essa mesma situação. Não culpando a pessoa propriamente, já que ela viveu numa época diferente a sua. Mas a impressão de que a grama do vizinho parece mais verde permanece incessamentemente. Por exemplo, a uns anos ia na casa da minha namorada e conversava mais civilizadamente com a avó dela do que com minha própria mãe. Talvez isso tenha acontecido porque ela não convive comigo todos os dias, mas eu mesmo assim acho que existe falta capacidade de compreensão com uma pessoa difícil. Se por um lado ela não conviveu comigo todos os dias e nem se descabelou cuidando de mim, por outro lado quem devia ser a pessoa que tem a capacidade de entendimento maior sobre mim era minha mãe, correto?

Pessoas são pessoas no fim, e o segredo da convivência vai muito além do que parentesco. É preciso de amizade, e para que ela surja, é preciso da tolerância. Tolerância que muitas vezes se trata de não se ter algum preconceito. Que não só são causados pela disparidade de idade, mas por próprios conceitos como religião e política, mal da humanidade e extensão bizarra da personalidade que te impedem muitas vezes de ter uma conversa franca.

E voltando a falar do namoro que tive e da família dela. Se, conversava mais civilizadamente com a avó dela do que com minha mãe muitas vezes, como "sogra" a mãe dela era uma legítima. Como que se adaptando a situação tal qual fosse uma lagarta no deserto, ia me ofendendo gravemente motivada pelo ódio que ela tinha contra "os jovens do rock" (e isso os dois filhos os sendo) numa briga dizendo que, o motivo de eu ser um vagabundo pra ela era o fato de eu "não ter pai", ou nas palavras dela "que tipo de pessoa é essa?". Me apunhalando pelas costas quase que literalmente, já que ela não disse na minha frente. Coisa que me faz perguntar até hoje como uma pessoa pode chegar a intrometer na sua esse ponto, como se o que você é e o que deixa de ser, o que pensa e o que deixa de pensar, se o fato de ser alguém bom, fosse motivado a uma crença ou a uma pessoa. Nosso namoro era um caso evidente de como uma família pode atrapalhar a vida de sua própria filha. Coisas como ela não poder almoçar na minha casa num domingo, por exemplo. Experiências da qual nem quero repetir e creio que qualquer rapaz de bom senso não quer se sujeitar.

"Família" são pessoas da qual você é obrigado a conviver e muitas vezes nem sendo planejado a isso. São pessoas com personalidades muitas vezes opostas a você (quem não odeia uma tia ou qualquer outro parente?), que são obrigadas a conviver contigo muitas vezes não querendo no fundo pois, sua personalidade é errônea perante a elas. São pessoas que te colocam no mundo a partir do momento em que você começa a andar e controlam seus desejos muitas vezes a partir daí, e mesmo se passando o tempo, não conseguem impor um respeito diante a sua independência como um ser humano que têm suas falhas, emoções, desesperos e segredos.

São feitos de medos do passado onde foram construídas as próprias atitudes, algumas que até se tem vergonha, e coisas que não querem que o seu "filhote" repita simplesmente, entretanto, a vida dele acaba a copiar e a mostrar a verdade. Ou da vontade de dar tudo de bom ou do melhor, impedindo muitas vezes que seu filho crie uma personalidade feita mais de preconceitos do que conceitos. Proteção nesse caso se torna um fardo contra a própria cria, impedindo sua felicidade, caso da falta de liberdade no meu namoro. E por outro lado, criando um álibe contra rebeliões joviais ao jogar tudo na cara pra tentar se defender, quando educação, saúde, habitação e alimentação é algo que não passa de obrigação como para um Governo de um estado qualquer, e presentes dados são apenas presentes na verdade.

Metafóricamente, família é igual guarda-chuva: você não quer levar consigo, mas sempre acaba precisando. É algo tosco, muitas vezes sem utilidade, quebradiço com um vento, muitas vezes é desconfortável e você nem tem aonde levar a não ser que seja consigo, você nem quer carrega-lo mesmo vendo um tempo carregado sobre a cabeça. Mas ele é o que te protege da chuva. Mesmo molhando seus pés, você por causa dele pode dizer que se tem alguma parte do corpo seca.

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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