Pra quem estou falando?

domingo, março 27, 2011

Uma outra visão...

Nascido nisso, dentro disso, meio que assim.

Ruas fétidas contrastam com pessoas asseadas e cheirosas diariamente na sociedade. Vivemos a globalização, o progresso e a tecnologia, mas cada vez mais nos vemos isolados e desconectados quando julgamos que qualquer coisa ou pessoa é alcançável. Acho que estamos "conectados" como que por fios ligados na tomada.

Entro na internet todo o dia e presencio aquela que nunca falaria comigo pessoalmente sentando ao lado de mim, conversar comigo naturalmente com sua simpatia atrás de uma mera tela de computador. Somos tão conectados que deixamos de praticar o que é bom e comum, o prazer de olhar nos olhos com simpatia.

Estamos nisso agora, nesse segundo, falamos pra alguém que na verdade nem sabemos quem é. Vivemos em um mundo de aparências e de julgamento prévio. E ironicamente uma tela de computador causa uma proteção bizarra, um escudo de vidro de um ser humano a outro, como se a personalidade tivesse cheiro ruim.

Cada vez mais nos afastamos através da intolerância e protecionismo egoísta achando que nunca vamos sofrer novamente por qualquer motivo, sendo que tão irônico e trágico quanto, fazemos isso sem querer como este que vos fala; agora escrevendo para quem não sabe quem é no fim, o objetivo é apenas escrever, este blog foi feito pra isso.

Manifestamos isoladamente. Hoje chegamos ao ponto em que despejamos 140 caracteres de filosofia ou de puro ego ou orgulho, esperando que alguém nos "ouça" e nos apoie dando um RT.

Todos mentimos, mas em favor de um bem maior. Sustentamos a sociedade através dela, nossas relações, somos gentis por isso. Entretanto somos gentis não só por isso, não somos educados só por isso, mas porque temos o mínimo de humildade. Porém é só a verdade cruel que se destaca por cima de trinta minutos de mentiras educadas e convenientes.

O que será, será.

Dentro de um governo corrupto e falho. Dentro do ego que nos sustenta. Dentro daquela verdade que teimamos em negar. Dentro da realidade egoísta em que vivemos. Dentro da pura rotina capitalista. Dentro de sua própria crença. Dentro da verdade pura e falha não dita, na qual protegemos quem amamos.

Como no livro de Franz Kafka, "O Processo". Passamos por um eterno julgamento e temos que nos declarar culpados de algo mesmo não sendo justo, mesmo não sabendo o porque disso. É uma justiça com leis muitas vezes incompreensíveis e administradas por uma burocracia sórdida e mesquinha.

Joguem os dados.

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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