Resenha Cinema: A Origem

terça-feira, abril 05, 2011

Finalmente assisti um dos filmes mais comentados de 2010 e resolvi dar minhas opiniões também, afinal eu tenho o direito!

Nesse ano o filme foi indicado a doze estatuetas mas ganhou apenas quatro, os oscars técnicos: melhor fotografia, melhor mixagem de som, melhor edição de som e melhor efeitos visuais. Mas principalmente assistindo ao filme creio que ele deveria ter merecido mais, inclusive de melhor filme que foi lá para o filme do monarca gago (O Discurso do Rei).

A sinopse a essa altura você já sabe. Leonardo DiCaprio (Dorn Cobb) e sua turma são um grupo de “ladrões” de memórias. Eles entram na mente de suas vítimas durante os sonhos e roubam informações sigilosas. Agora eles vão encarar sua mais complicada missão: ao invés de roubar uma informação, vão plantar uma ideia. E daí vem o nome original do filme, o conceito "inception". Será que ficou tão bom quanto foi dito por aí? Eu digo sim!


O filme de forma clara se divide em três partes. Primeiro somos apresentados ao roubo que eles aplicam através de seu mundo de sonhos, a prática corriqueira; e ao mundo real em que eles vivem. Depois ao planejamento e preparação do plano, e no final a execução do mesmo. Roteiro básico de filmes de roubo. mas a diferença é que a partir daí você se "segura na cadeira", deve-se prestar muita atenção para não se perder nesse mundo.
 
Talvez graças a "Matrix" existe "A Origem", é comum você se perguntar "o que é real" ao longo do filme, tanto quanto a temática do "possível" para realidade. E assim como no filme dos irmãos Wachowski, o filme se destaca pela direção mais do que espetacular e seus efeitos visuais com premissa surreal. Entretanto ao contrário do filme supracitado, se destacou por efeitos especiais em sua maioria "simples" - o filme teve por exemplo algo como 500 efeitos visuais, número considerado baixo para os padrões de Hollywood. Mas para deixar claro, apesar da comparação e inspiração o filme foi - como no caso dos efeitos especiais - para um caminho bem diferente do filme dos irmãos Wachowski, o que tornou uma influência muito positiva. Ninguém gosta de cópias.

Christopher Nolan se aventurou em um filme de assalto com uma estrutura básica, mas submergindo em um conceito totalmente surreal e nunca antes experimentado, o mundo dos sonhos. História que tem aquelas viradinhas mais que batidas de roteiro, entretanto conseguindo transformar tudo isso em algo "interessante". Tanto que você nem se dá conta de tal coisa ao ver o filme - só depois procurando algum defeitinho, fundamental para se escrever uma crítica. 

Falando nisso em algumas críticas que li em parte concordo com uma coisa. A critica foi na forma com que o Nolan conseguiu "complicar" a estrutura trivial de filmes de assalto. Mas onde pra mim esse foi justamente o mérito, se aventurar num tema tão batido, em outro ele meio que acabou se perdendo ao submergir no procedimento de inserção e em compartilhamento de sonhos. 

Por outro lado um ótimo mérito foi que o lado "científico" da coisa é muito bem aplicado, e até explicado ao espectador, mesmo que ainda o mundo dos sonhos é muito complexo e ainda incompreensível ao seres humanos. 

Com sequências mais do que ótimas através de uma manipulação de imagem e sons te prende e te imerge. O filme não dá furos pra você pensar no que está ruim no meio dele, ele tem o seu mérito ao pregar sua originalidade. E além dos elogios para a direção e som que acabei de fazer, merece também um belo elogio a performance dos atores e o roteiro que torna tudo "interessante". Essa é a palavra!

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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