Copos cheios e pessoas vazias.

segunda-feira, abril 04, 2011


Não vale a pena esperar muita coisa das pessoas. Elas sempre te decepcionam, não importa quão ela seja boa pra você. Eu mesmo posso te decepcionar se você me conhecer mais a fundo, esse é pra mim um dos principais pontos onde a amizade costuma durar mais. Entretanto se nem conhecemos nós a fundo, então imagina os outros. Há raríssimos casos em que podemos confiar em alguém realmente. É como pra pobre contar o número de vezes que comeu sorvete Haagen Dasz na vida, se ele não trabalha na fábrica logicamente, casos em que há a mutualidade e compreensão; as duas coisas te ajudam a entender coisas que você não gosta no semelhante, aprender a suportar as diferenças de forma melhor e te ajudam a suportar melhor as diferenças que estão ao seu redor na sociedade.

Mas sinceramente, de que adianta? Por aqui?! Se a internet globaliza e todo aquele bla blá blá, as pessoas ficam cada vez mais distantes uma das outras - como já disse aqui em outras vezes - então você acaba ficando amigo ou amando que está a quilômetros de distância e que no fundo muitas vezes tem outro tipo de vida e de interesses que te distanciam ainda mais, a máxima de que "pessoas legais moram longe" - e acrescento de que todas as que estão perto têm o que fazer. Porém é só sair na rua pra ver que é pior ainda no fim. Parece que gente como eu é fadada a ficar só, ou se conformar com novas amizades que nunca viu pessoalmente, é tipo de rato de computador e é o motivo principal porque as pessoas passam os dias num MSN da vida; e em 90% das vezes/pessoas, sem assunto. Se encontro uma garota legal e que basicamente pense como eu, ela mora tragicamente a quilômetros de distância e quase todas as vezes de forma inacessível a curto prazo - com ônibus a 3 reais aqui em São Paulo é de chorar. 

De um lado a tecnologia nos ajuda, mas também fode tudo. Mas sendo mais político, tudo tem seu lado bom e ruim, depende de como você usa, e a tecnologia sempre foi ligado a pessoas nerds como eu, um nerd fez a internet, então nada mais é que um curso normal das coisas. Smart is the new sexy?


Por outro lado foi também um curso normal as pessoas se acomodarem com tal coisa. Não é meu caso, porque é introversão mesmo no fundo. Algo pra dizer eu tenho, mas se falta "coragem" e sei também que nem todos não entenderiam ou estariam dispostos a me ouvir. Então não vou perder meu tempo. 

Pra mim a outra pessoa sempre tem que mostrar alguma coisa sem que eu force ou peça. Tudo é questão de atitude, e atitude maior na minha visão vem da espontaneidade, não num ato como se fosse de "cartilha" (mas que muitas vezes você é obrigado a seguir porque a sociedade te obriga), como chegar em uma garota ou no segundo ato que é tentar beija-la, coisas que você faz pra não cair como um molenga no conceito dela - tanto quanto você nem tem nada a perder de fato. E a filha da putagem é que se você não tenta cai automaticamente como molenga, um panacão. Se a regra não deve ser nunca aplicada a todos, nesse conceito devia. Por exemplo, lá vou eu feliz ter um encontro e vendo algum tipo de conexão - fazendo esforços hercúleos pra eu não cair no conceito antigo de que homens são todos iguais - eu tente beija-la, mas ela não gosta e vira a cara. Ai em outra vez, com outra garota se resolve agir diferente e ficar mais na sua. Entretanto daí se você não tentou de fato, és um automático panaca pra ela, e mesmo se ela nem der mostras que quer que aconteça - pois é charme pra ela. E muito volátil e você tem que ser gênio pra adivinhar muitas vezes, jogar na loteria parece mais fácil às vezes. Mas o amor é um "jogo" tanto quanto a vida, certo?

É assim que se causa o "todos não prestam".

Explicando: ou se atira pra todo lado como a larga maioria dos homens fazem, implicando assim o pensamento nas mulheres de que homens "são todos iguais". Ou se usa um pouco mais o cérebro e fica esperando o "acaso", sumindo assim perante a sociedade por causa dessa imagem "primata" que a maioria implica. E quando aparecemos costuma-se não se valorizar da forma que devia, falando por mim. Aí ocorre o que? Se fica com raiva e mal se quer alguma coisa com alguém, desconfiando de todo tipo de mulher. E assim cada lado se afasta, taxando que o sexo oposto não presta, (ou sendo bom) na sua maioria, tão descrente no meu caso que pensa logo que é impossível alguém aparecer dadas as possibilidade mínimas que se enfrenta por aí. 

Como um célebre amigo meu chamado Luiz disse: "mulher coloca sua vagina num pedestal". Acrescento: o grande prêmio é ela e você tem que se sujeitar a todo tipo de coisa pra conquistá-la.

Bom, claro que entendo que é cultural, pois ao longo da história a mulher sempre foi subestimada e tratada como um objeto mesmo. Mas por outro lado acho que elas tem que ter a consciência de que também todos julgam pela aparência e que sim, a aparência diz muito sobre a pessoa. Se uma garota está lá na noite da Augusta e se veste bem sensualmente se pensa o quê? Que ela quer dar pra alguém e vai usar seu corpo pra fazer charme pra chamar a atenção; é de se cansar de ver algum grupo de amigas se juntarem a um grupo de caras e ficarem que nem galinhas ciscando ao redor deles. 

Homem na cultura geral só está afim de sexo, mas peraí, mulher também! O interesse é de ambos os lados e é hipocrisia não admitir isso. É comum garotas que são loucas pra dar e não admitem que são assim. Negam pra si mesmas que ela é... aquilo, e não falo de virgens porque aí seria compreensível. Talvez putas sejam mais dignas porque pelo menos elas trabalham disso, se vestem como tais porque o trabalho delas é esse. 

Se sexo é bom, então por que ter "vergonha" disso? Por que não ir direto ao ponto se está afim? Se banalizar é querer isso e ficar se mostrando pela rua como prêmio, mas voltar pra casa como se voltasse do cinema e é o que acontece por aí. É como se a "libertação feminina" deixasse de existir ou dar alguns passos pra trás na cadeia da evoluçao; ela não está se dando nem um pouco de valor. Saber o que se quer é uma coisa mas saber do que se gosta é outra, e isso passa por saber o que é, mas infelizmente o amadurecimento é pouco dado a limitação causada pela acomodação que as pessoas se impõem. 

Bom, antes que me julguem como gay ou algo do tipo, pra esclarecer dou inúmeros vivas aos vestidinhos curtos, adoro olhar e pensar o que eu faria com os braços ao redor dela e que homem não gosta? Faz parte da natureza humana tudo isso. Mas acho que devia se ter mais atitude. Acho que se existem direitos iguais, então os direitos iguais deveriam partir também de tais conceitos e tais atitudes, não só em coisas materiais como dinheiro. A boa educação e harmonização é de graça mas poucos pensam como eu. Se as pessoas querem uma relação então que ela seja feita através da interação por meio de palavras e não visual somente, penso assim.

Os irmãos Wachowski tem sua razão quando diz que todos nós estamos conectados a uma máquina de onisciência e onipotência maior de que qualquer crença (Deus) chamada sistema - que eles deram o nome de Matrix. O desafio da vida é aumentar a visão, abrir a mente como o Morpheus diz a Neo ao pular um prédio.


Claro que não vamos criar "super poderes" como voar e parar balas, mas é através do pensamento procurar evoluir para procurar um mundo onde se vá além, ir além numa visão periférica de entendimento. E a maioria das pessoas não vão porque estão confortáveis nesse ponto, limitação que elas mesmas se impõem, o "por que enfrentar?". Delas vem essas idealizações e conceitos comuns que vemos como essas que disse aqui nesse texto. E quem pensa diferente, ou escreve, ou mal tem alguém com quem falar - sorte que tenho. As palavras o salvam da loucura, mas no fundo rezando para que alguém as leia e compreenda.

Se vê hoje em dia mais um prêmio do que a relação que deveria anteceder isso. E no fim, parece que a internet por incrível que pareça, consegue criar relações mais estáveis - tanto que esse texto praticamente foi criado inteiro em uma conversa com uma amiga minha pelo MSN - e menos voláteis do que na rua. Lá veem-se copos cheios e pessoas vazias.

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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1 comentários

  1. Muito bom, muito bom mesmo, sempre associei isso ao Matrix tb, texto excelente, parabens.

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