Senta e chora

segunda-feira, abril 04, 2011


Ninguém nasce não acreditando em Deus. A pessoa vira ateísta ou algo assim porque ele quis se perguntar do porque ele crê, de porque deveria, e se aquilo é realmente importante para se definir perante a si mesmo e não só perante uma aceitação mais simples da sociedade. Foi assim comigo. E isso se aplica a muitos outros exemplos. Não vou me estender na religião, já disse o bastante sobre isso a um tempo atrás.

Todo ser vivo evolui quando ele muda, e no caso do ser humano temos o poder de raciocinar e poucos são adeptos a isso. Por exemplo não se cria essa capacidade de falar tudo isso a nascer, talvez porque nem se é imposto. Aprendemos o básico sempre e acrescentamos algo a isso se queremos, é nossa escolha.

Por exemplo, a preocupação de escrever certo. É comum ao conversar com alguém pelo MSN se errar alguma palavra - erros de digitação são comuns tanto que acabei de errar uma palavra agora - ou falando mesmo com alguém. O ato de se corrigir nem precisaria de fato se a pessoa te compreende no fim, mas é um capricho chato, necessário ao meu ver. O ser que escreve errado vai assim de erro em erro, erra uma vez e até o ponto que fica incompreensível entender o que ele escreve. Ele adere as modinhas de abreviações em vez de saber como se escreve corretamente - por exemplo eu uso as minhas básicas "vc" e "pq", mas sei como se escreve do jeito certo -, digita ou fala esperando que apenas que a pessoa o entenda, em vez de ele próprio se polir gramaticalmente. E isso é uma mania deplorável da internet que passa pela educação e desinteresse. É a acomodação da mente. E não é capricho, serve pra uma vida bem sucedida.

Se essa mesma pessoa vai numa entrevista de emprego se dá mal, o entrevistador nem quer ouvir vícios de linguagem que nem o famigerado "tipo" e "a gente". Tendo uma redação ferrou de vez - e se a pessoa for cara de pau ele desenha um casinha. Quer dizer, ele(a) deixa de ganhar mais porque o dito cujo é um acomodado e nem se toca disso, e se acorda, é depois que fica velho; e tenta querer aprender mas não consegue, ou nem pode. Por causa da obrigação, ele é obrigado a desistir de alguns "caprichos" como esse.

Não é falar palavras complicadas e nem se policiar a ponto de falar todos os verbos corretamente, isso é impossível, existem gírias e vícios de linguagem são naturais, eu tenho os meus. Mas o ponto é saber o certo.

Mas tudo bem, claro que não é só a pessoa, tem a ver a educação que o Estado impõe. É complicado justificar cultura. Entretanto estudei numa escola podre e sei escrever bem, falar bem e me expressar bem não lendo sequer um livro que a escola me passou - não tinha o hábito de ler algum livro na época do colégio por exemplo, só adquiri depois. Outro exemplo é que mal estudei filosofia na escola e nem prestava atenção quando tinha, mas sozinho me interessei por isso e citar algum filósofo é corriqueiro pra mim. Por isso bato na tecla "interesse". Não falo de oportunidade aí, falo de exemplo. O José Alencar que morreu recentemente foi um empreendedor muito bem sucedido, mas veio de uma família muito pobre, ele foi auto-didata. Esse é um exemplo de perseverança, criar a oportunidade através do esforço em quebrar um sistema em que ele foi criado, exemplo que com certeza partiu dos pais dele.

O Estado cuida da educação, e o povo tem que ter a consciência de que esse mesmo Estado tem todo o interesse de que o povo continue em sua ignorância pra que a corrupção continue a todo vapor. Estado nenhum muda o país, é o povo que o muda - um Estado laico (livre de crenças pré-ditas) só se cria daí por exemplo. 

Nenhum governo sobrevive a ação do povo e ao longo da história foi-se provado isso, aconteceram tantas revoluções como? Queda da Ditadura e queda de um presidente através de impeachement aqui no Brasil aconteceram como? Hoje em dia se vê os filhos sendo sustentados pelo Bolsa Família e outros benefícios que na teoria deveriam ser apenas de ajuda, mas que tantos os pais como os filhos - indo na escola pra mal prestar atenção - acomodam-se "mamando na teta do governo". Governo que dá esses tipos de benefícios para um povo tão aproveitador e acomodado quanto eles. É psicanalítico que o ser humano se aproveite da situação vantajosa de conseguir sentar-se um banco reservado para idosos e fingir estar dormindo para não se levantar, ou estacionar na vaga de deficiente com a desculpa que é "cinco minutinhos".

O interesse nasce a partir do momento em que se deixa de estar acomodado com a situação que vive, nasce a partir do momento em que você começa a pensar. Se pensar enlouquece e nem é bom pensar nisso. Por outro lado para ter o que quer é preciso pensar, para o que simplesmente acontece não é preciso fazer esforço.

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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