Resenha Show: Sepultura - Virada Cultural 16/04/11

sexta-feira, abril 22, 2011


Feriadão prolongado, sexta feira santa e Páscoa misturados ao dia de Tiradentes (aliás se o Coelhinho da Páscoa existisse acho que ele reclamaria da ironia!). Mas cinco dias depois resolvo fazer a resenha de um show que sinceramente não fiquei prestando atenção - até mesmo pela "bagunça" da Virada. Mas como na música importam os ouvidos, ouvi bastante coisa legal. E se a proposta não pode ter funcionado perfeitamente, foi para mim muito bem aplicada.

Eu e meus amigos depois de passar pelo palco nerd, às 23h lá fomos nos dirigir á Estação da Luz onde seria o show (local bem de acordo com a proposta clássica do show). Bom, sinceramente depois de tanto vinho barato que bebi, não lembro se chegamos com o show acontecendo ou com ele prestes a começar - já que li depois que o show teve seu começo com atraso de cerca de 20 minutos. Então com a permissão da "liberdade da internet libertária" (especificamente do site Whiplash, onde vi a resenha), vou repassar um pouco do que li do show nos dias seguintes.

O show começou com uma versão de “Die Meistersinger von Nümberg” (repita isso três vezes) de Richard Wagner; o que me faz lembrar agora que não ouvi isso, e teria sido bom chegar ao show a tempo já que aprecio música clássica. Sobre isso de saber que houve essa introdução já dá pra se deduzir que houve uma revolta do pessoal troll do metal, e no que fiquei sabendo houve mesmo. Uma parte do público mostrou certa impaciência de cerca de 10 minutos da obra do compositor alemão, e começou a jogar algumas das cadeiras de plásticos que estavam dispostas nas laterais da “pista” contra o palco. E falando das malfadadas cadeiras, isso foi de uma extrema idiotice da organização, nem sei a palavra certa. Não sei se eles não se ligaram nisso mas, além de ter uma orquestra ali, havia uma banda de metal. E era lógico que as pessoas ia ficar em pé pulando principalmente quando a banda tocaria seus clássicos (com o perdão do trocadilho). Assim com as cadeiras só deu "arma" para os malditos trolls headbangers na sua revolta, e atrapalhar aqueles que queria chegar na frente do palco, como eu e meus amigos.

Confusões a parte, de acordo com o setlist, o show prosseguiu com "Vatio" do álbum Nation (album horroroso de dar sono por sinal) e “Inquisition Symphony” do álbum “Schizophrenia”. As duas músicas foram tocadas instrumentalmente, e apesar de enquanto isso estar "furando" o público seguindo meus amigos, pude notar que elas foram muito bem executadas e como metal e música clássica parece que foram escritas um para o outro. Aliás para mim Tchaikovsky e Wagner são os maiores representantes do heavy metal na música clássica! Piadinhas a parte, vindo de encontro ao que elogio que acabei de fazer, vem a música Refuse/Resist do clássico álbum "Chaos A.D." que ganhou contornos nada mais nada menos épicos com a orquestra, como você pode acompanhar no vídeo abaixo:


Logo depois foram executadas duas músicas que nunca haviam sido tocadas ao vivo: “City of Dis” do álbum “Dante XXI” e “The Ways of Faith” do “Nation”. “Kaiowas” foi a música seguinte e ganhou uma versão muito mais encorpada, e grande parte do público acompanhava o ritmo bem característico dessa música com palmas e algumas danças bem desengonçadas. Desde o anúncio da parceria do Sepultura com uma orquestra, muitos fãs já esperavam a execução da versão que a banda fez da famosa “Nona Sinfonia” de Beethoven., seguindo veio “Ludwig Van” que consta no mais “recente” álbum do Sepultura, “A-lex” de 2009. Esse foi um dos momentos mais marcantes com todos cantando o solo de Andreas. Outro momento que era aguardado com ansiedade e curiosidade era o da execução da versão de “Roots Bloody Roots” para esse show. Assim como em “Refuse/Resist” (a melhor música do Sepultura em toda sua história na minha opinião), a canção ganhou contornos grandiosos e dramáticos com toda a profundidade que só uma orquestra real daria. Então palmas para todos os envolvidos, já que apesar de os estilos serem gêmeos tão distantes como próximos, a fusão dos dois estilos é trabalhosa e precisa ser muito bem trabalhada pra poder ganhar contornos épicos e dramáticos.


Logo depois quando todos começaram a pensar em ir embora, já que a banda costuma encerrar seus shows com a execução de "Roots", o Andreas logo emenda novamente o riff da Refuse/Resist. Não sei porque ao certo eles repetiram a música tal como um bis, mas talvez ela tenha ficado tão boa em sua execução e o público tenha curtido tanto quanto eu curti e curto essa música, que eles deram a colher de chá de repeti-la.

Sobre eu e meus amigos? Ah sim, nós chegamos a frente do palco pulando grade e tudo mais que fosse preciso, e foi como uma vitória, a orquestra deu o contorno dramático pra essa aventura haha. E outras coisas que não vem ao caso falar aqui!

O único ponto negativo do show foram os malditos trolls e viúvas do Max Cavalera (que com certeza estavam envolvidas) que foram lá pra em vez de assistirem o show, ficarem atirando cadeiras desaprovando qualquer música que fosse a seu contragosto. 

Sinceramente muitas vezes entendo a imagem marginalizada do metal sabe? Principalmente em questão de skinheads e punks que defendendo uma ideologia tal qual uma guerra santa, partem pra cima de gente de paz ou entre eles mesmo como uma diversão - um morto a facadas e confronto com a polícia foram o saldo do evento. Ou aqueles que simplesmente são um grupo de headbangers metaleiros (argh) bêbados que entram em um ônibus e causam baderna lá dentro. Tudo isso de forma direta mancha a imagem de pessoas que só curtem a música e estilo "evil rainbow of steel" como eu, diante a outras pessoas que com sua ignorância julgam os semelhantes que se vestem de preto como marginais também. Mas não as culpo. Ignorância se remete a medo, e o julgamento rápido é o que muitos fazem para se "salvar".

Voltando a resenha. Se o Sepultura com sua proposta de se juntar a uma orquestra afim de dar contornos clássicos a sua música tão pesada, talvez aproximando a sua música do grande público, e assim talvez ajudando a limpar um pouco a imagem tão marginalizada do estilo; ou pra simplesmente levar cultura de qualidade a os presentes - proposta do evento. Eles foram muito bem sucedidos. Que venha outras coisas legais assim ano que vem!

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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