Sobre a tragédia de Realengo

domingo, abril 10, 2011


Vamos falar mais sério agora.

Infelizmente essa semana foi marcada por um massacre. Mais uma vez o Rio de Janeiro ganha destaque e não é por sua beleza, mas sim por sua violência que cada vez mais está desenfreada. Tipo de massacre que veio dos EUA pra cá, infelizmente uma novidade que não deveria existir.

Um atirador vítima de bullying na infância e fanático religioso que vivia enfiado no seu computador, entrou numa escola em Realengo e abriu fogo causando 13 feridos e 11 mortes, e depois de ser atingido por um policial se suicidou. Mas antes de só falar o quanto o homem que fez isso é ruim e de fato é, louco e ruim - não demente como autoridades o chamaram, ninguém é demente se faz algo bem planejado - devemos também lembrar que ninguém nasce dessa forma por concepção da palavra.

É importante lembrar que a própria sociedade provoca esses tipos de pessoas que matam sem dó calcadas na indiferença e fundamentalismo religioso, motivadas por uma sede de sangue causada por algum tipo de humilhação que sofreu. Então esse acontecimento passa por uma reflexão grande e complexa por dentre das escolas e pais tendo a responsabilidade de educar, explicar de maneira aberta e problematizar a questão da violência entre os estudantes.

Mas em vez disso é provável que mais uma vez jogaremos o problema por debaixo do tapete e pregaremos o sensacionalismo jornalístico em cima do fato; com uma justiça movida pela gravidade do ato fazendo seu trabalho de uma forma imediata como se ela sempre fosse assim, e o povo apenas assistindo tudo de camarote com a mão no controle remoto.

Não há um povo mais sensacionalista que o brasileiro. O jornalismo vive de notícias ruins e como o cidadão comum não desliga a tv, fica-se lamentando em vez de também conscientizar-se da profundidade do fato, refletir esse lado que escrevi no parágrafo acima. Fazer selvagerias como depredar a casa dos pais do assassino como se eles fossem os culpados é violência gerando violência, e em vez disso é preciso pressionar a própria justiça, que deve ser pressionada pela sua lentidão e ineficácia, para que se faça o que ela propõe a ser, e não fazer tal ato que provoca a perda da razão - pensou se essa pedra atingisse alguma pessoa dentro da casa? (preocupação tipo "mãe")

Dizem que o povo tem memória curta e realmente tem, o povo se esquece das conquistas e vitórias, apesar que reconhece-se que o lado bom nunca se destaca mais que o lado ruim. Temos uma atração pela carnificina do fim como se o Jornal Nacional fosse uma extensão da novela só que da vida real, muito mais do que motivação para fazer um futuro melhor através de atos concretos.

Motivados pelo sensacionalismo apoiados na comoção que há, de notícias ruins não se esquece mesmo. E nessas horas não sei mesmo se é melhor esquecer ou não.

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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