Bin Laden morreu! Mas e agora? E daí, carambolas?

segunda-feira, maio 02, 2011

Todo mundo está falando da mesma coisa. Mais importante que shit casamento real e beatificação do mano João Paulo II (que ninguém deu a mínima), é a morte de Osama Bin Laden que comanda. O motivo é simples, o povo adora o fim, adora a morte, adora a tragédia, a Sônia Abrão vive disso porra! Exemplo é esse assunto apocalíptico de 2012 pautado a exaustão, e qualquer assassinato chocante aqui do Brasil que é tema de semanas a fio nos jornalísticos e em qualquer gancho sensacionalista que aparecer num Superpop da vida. O caso Isabella não me deixa mentir, tem algo mais bizarro que pessoas que ela nunca viu na vida fazendo morada em frente a casa dela às 2h da manhã pra "protestar e fazer justiça"? Agora alguém lembra disso?

Então já que todo mundo está falando do "Binzinho" tinha que falar algo também, nada mais justo.

Ontem estava eu lá feliz sentado aqui como estou agora, e "conversando" no msn com meu amigo ligadaço em Twitter - coisa que não sou e até acho meio inútil pra mim pelo menos - e lá ele me fala que o Osama Bin Laden foi morto em seu cafofo, dizia a CNN.

Como bom brasileiro cético, principalmente por esse cara ser... Bin Laden, resolvi checar em todo lado possível e eu comprovei que realmente ele estava morto. (...) Bom, o fato foi nascedouro de muitas piadinhas jogadas a rodo na internet, inclusive por mim, mas depois de uma tensa reflexão me pergunto: "o que muda meu caro?". Sim, com certeza devia haver muita gente não americana que deve ter dito "esse cara ainda está vivo?".

Já que relembrar é viver, vamos relembrar.

Lembro que estava ainda no colégio quando isso aconteceu, ninguém contou pra mim o que houve. Ainda estudava à tarde, estava na 6ª série. E estranhamente naquele dia tinha acordado mais cedo, o que mal fazia, odiava as manhãs por não ter o que fazer, então ficava dormindo. Liguei a tv que era bem em frente a minha cama e lá estavam caindo duas torres que nem tinha prestado atenção antes pra sua existência. Ao chegar na escola antes das aulas, claro, o assunto foi esse com meu amigo (não tinha lá mais que um na época). Agora pensando comigo, lá talvez tenha sido o ínicio de nossas discussões políticas e filosóficas - claro que inflamadas naquele tempo infantil com: "fodeu, é a 3ª guerra mundial"

Foram quase 10 anos pra pegá-lo. Isso se formos disparar o cronômetro a partir do atentado de 11 de setembro, tão triste, mas tão enraizado incansávelmente por filmes e documentários exaltando o patrotismo americano cego e qualquer tipo de heroísmo. Então, refletindo mais acerca dessa conquista e patrotismo cego americano que faz milhares sairem as ruas, pela morte de um homem que não representa nada mais que simbolicamente um ideal de ódio. Chegamos a essa pergunta: "o que muda?". A discussao de quem está realmente certo, do mocinho contra o bandido é muito mais profunda do que aparenta.

Engraçado é observar como o Jornal Nacional não convida nenhum cientista político ou algo do tipo pra esclarecer mais sobre o assunto, é às vezes no Jornal da Globo - que tem 5% da audiência que o JN tem - que eles fazem isso. Interessante não?

Mas voltando ao assunto principal, os EUA se tornaram o maior país com o maior poder como? Para ter esse poder de intimidação eles tem que ter inimigos, e mais do que isso, combatê-los. Se não tiverem, precisam buscar o histórico deles. E baseados em um tal poder altruístas e fundamentalmente sem interesses (aham), saem pra guerra pra buscar a paz como se o país fosse um super herói, um protetor do mundo. Daí vem a inspiração pro Superman e Capitão América. E assim foi ao longo da história, vencer infla o ego americano, ir pra guerra é dar satisfação ao seu povo.

Talvez podemos rotular que Bin Laden foi "genial", driblou qualquer marcação e conseguiu colocar um ponto de interrogação na cabeça dos americanos tidos até aquele momento como invenciveis. E sabemos muito bem que por essa prepotência, o próprio país ignorou provas e evidências que poderiam ter evitado o acontecido, assim poupando vidas de seu povo do McDonalds. Se não sacou o que eu disse, vejam o documentário do Micheal Moore "Fahrenheit 11/9" urgentemente e se puderem, outros do mesmo diretor. Recomendadíssimo.

Mas a base da minha pergunta é o depois da morte do maior alvo, essa vingança feita. Não digo que o Bin Laden não merecia esse desfecho, merecia sim. Mas tudo tem um motivo, e os EUA criaram a fama necessária pra tanto ódio e continuam alimentando-a através de suas guerras sem sentido contra o terror; e agora com a morte seu símbolo maior, acendendo a chama da vingança dos fundamentalistas e seus pupilos terroristas de forma mais forte que nunca. Bin Laden sabia que ia ser pego, ele com certeza não era alguém burro, então ele se tornou nada mais que um símbolo e passou a tocha adiante.

Mais do que a vitória de ontem que os EUA alcançaram, era preciso inflar o orgulho vingativo que seu povo ansiava (numa coincidência de estar próxima da reeleição de Obama, interesses políticos sempre existem) e muitos sairam na rua ontem pra comemorar, mas... apenas um homem morreu, houve vingança, mas e daí?

Então o preocupante é o depois que os próprios EUA ontem mesmo alertaram, e é algo sem fim. Qual será o desfecho dessa guerra sem fim contra o terror? É algo ideológico, como parar algo asim se não for pela perda de memória? E sendo mais tragicômico, alguém aí duvida que o mundo acabará em 2012 mesmo? Eu não duvido pelo ego que o ser humano tem, calcado sempre no bem subjetivo.

Osama Bin Laden nada mais é um símbolo de ideologia, ideologia que os próprios americanos alimentaram com sua prepotência. Então se forem atacados de forma nuclear, ficarei chocado, mas não irei chorar, não me surpreenderei. Pela guerra se tem a paz, mas é sempre momentãnea guerreando ou não. É o ego humano, é seu instinto de sobrevivência.

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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