Resenha Livro: Franz Kafka - O Processo

sexta-feira, maio 20, 2011

Primeiro começando por uma pequena autobiografia do autor para quem não conhece.

Franz Kafka foi um escritor tcheco de língua alemã que nasceu em Praga em 1883, e morreu em Kierling na Áustria em 1924. Embora doutor em Direito, nunca exerceu a profissão. As aspirações literárias de Kafka puseram-no em conflito com o pai, homem dominador e violento, que não via com simpatia as inclinações do filho. O próprio Kafka veio a subestimar o valor de suas obras, queimando algumas e excarregando Max Brod (seu amigo desde a universidade) de queimar todos os seus escritos. Brod, porém, contra a vontade de Kafka , além de publicar três romances inacabados - como o livro que estamos tratando -, "O Processo", "América" e "O Castelo", é responsável pela edição de maior parte de suas obras.

A obra Kafkiana exerceu poderosa influência sobre a literatura contemporânea. Seus temas - a hierarquia e a subordinação, o problma insolúvel da liberdade e da prisão - tratados em estreita fusão de simbolismo e realismo perpassado de ironia, fazem as personagens moverem-se numa atmosfera de pesadelo que reflete a angústia íntima do autor: o desespero diante do absurdo da existência. Multiplicam-se as interpretações - de cunho teológico-filosófico, histórico-social, psicanalítico, etc. - mas nenhuma isoladamente é capaz de exaurir a complexidade de seu pensamento. Em "O Processo", o homem aparece sempre culpado segundo uma justiça incomprensível para ele e administrada por uma burocracia que lhe parece sórdida e mesquinha. 

Pela sua complexidade, o livro tem uma atmosfera sufocante em que se exige um completo entendimento de cada termo usado e diálogo feito. Eu muitas vezes me vi obrigado a voltar a ler a última página ou mesmo iniciar um capítulo novamente, para ter total compreensão do que se passava ali e do diálogo das personagens, principalmente no final do livro. Tem-se ótimas passagens.

Em "O Processo" é inevitável você se ver capturado pela sua atmosfera, e julgar se sua vida é daquela forma e se ela realmente comporta-se assim. Todos nós somos julgados por algo em algum momento, seja por qual ato, sofremos perante a algo em algum momento; e é nisso que o livro se reflete. Como no parágrafo anterior, é difícil precisar o livro em algum cunho específico, mas destacaria o lado filosófico, teológico e social. As presenças são muito fortes.

O livro é recomendadíssimo para quem gosta de uma boa leitura, e aquela leitura que te faz refletir acerca do seu mundo e sua relação na sociedade, além de claro, ser recomendado para quem aprecia um bom clássico contemporâneo.

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

Você pode curtir também

0 comentários