O que é a felicidade?

segunda-feira, junho 27, 2011


De acordo com a constituição americana é garantido o direito à independência e à livre escolha de cada povo e de cada pessoa, quer dizer, "o direito à vida, à liberdade e à procura da felicidade" são definidos como inalienáveis e de origem divina.

Aqui no Brasil não temos esse capítulo na nossa Constituição, mas sim um "projeto". Em 2010 a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou uma Proposta de Emenda Constitucional do senador Cristóvam Buarque. Ela ficou conhecida como PEC da Felicidade e inclui na Constituição o “direito à busca da felicidade”, cabendo ao Estado garantir condições para o exercício desse direito. Segue o trecho: “São direitos sociais essenciais à busca da felicidade, a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição” (e por mais que me dê vontade, não falaremos de quão cômica é essa lei para os padrões atuais brasileiros).

Na Wikipédia: "a felicidade é um estado durável de plenitude, satisfação e equilíbrio físico e psíquico, em que o sofrimento e a inquietude estão ausentes. Abrange uma gama de emoções ou sentimentos que vai desde o contentamento até a alegria intensa ou júbilo. A felicidade tem, ainda, o significado de bem-estar espiritual ou paz interior."

É até engraçado ver o significado tão complexo da felicidade resumida em poucas linhas, principalmente quando se tem tantos fatores pregados como essenciais a isso, tal qual satisfação, auto-estima, riqueza e amizade.

Ao longo da vida é comum se dar conta de que cada vez mais o significado da palavra é relacionado com ter, sendo que "felicidade" como sentimento, é puramente estar, se formos falar na concepção pura. Qualquer sentimento aliás. Aristóteles dizia que "a felicidade só pode ser alcançada pela prática do bem". Em outras palavras, a prática da virtude.

Indo ao fundo quando nos deparamos com essa pergunta, e tendo a coragem de se confrontar não se chocando com o desfecho, chega-se a conclusão de que não se é feliz - essa é a minha resposta. Pode parecer melancólico demais talvez, ou principalmente para aqueles que não conseguem perceber alguma coisa de forma séria - nem tem capacidade disso. Mas se qualquer sentimento é um estado, a sua natureza não é permanecer; logo nem é de nossa natureza verdadeira estarmos contentes todo o tempo, a vida é muito inconstante e movimentada (ou não pra alguns) para que ocorra isso. Quem afirma o contrário, está mentindo. Quem confronta a verdadeira realidade sem hipocrisia chega a essa conclusão.

Se me perguntassem hoje, como me perguntaram ontem, se me considero feliz. Eu responderia não em vista de todos esses fatores. Mas isso nada mais é do que a constante espera da vida. Temos o poder da atitude sempre, mas é comum estar em uma realidade em que não só depende das suas forças para ser modificada. É também como diz uma amiga minha: "Quem dera poder passar uma borracha na memória, colocar um sorriso na cara e dizer um "vai se foder" pro passado". 

A vida e a morte são um ponto e esse meio tempo é um grande emaranhado que por vez ou outra conseguimos decifrar. E traçando um paralelo com sentimento, o emaranhado volta a cada vez que mudamos esse estar. É o tal conta-gotas da felicidade. Em suma, os momentos.

O que é felicidade? Ter bons amigos, uma vida razoável com momentos de tristeza e alegria misturados com dificuldade e estresse? Ou ter uma vida razoavelmente "segura" permeando entre uma linha que divide os sentimentos, tal qual como se nos equilibrássemos em uma corda-bamba? Ou de um jeito "heroico" unir tudo isso? Talvez esse parágrafo tenha exposto a complexidade dessa palavra. É complexo se considerar feliz.

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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