Resenha CD: Sepultura - Dante XXI

quarta-feira, junho 08, 2011

Parece que para certas bandas - citando as brasileiras Angra e Sepultura - sinônimo de boa música é zelar por seu nome, isto é, pelo seu passado. Zelar por, além de aqueles que são seus fãs, por aqueles que deixaram de ser em virtude de críticas - muitas vezes ferrenhas e xiitas - sobre comparações feitas ao passado; sobre quanto aquela fase com tal vocalista foi gloriosa. Ao meu ver, tal qual como a música, a vida segue sempre em frente, é uma constante mudança, não temos porque só olharmos para trás, o passado nos serve para aprendermos com nossos erros e gerarmos novos acertos. Comparações são necessárias se quisermos evoluir, entretanto, não devemos deixar de pensar para julgar  que, boa música é boa música, independentemente do que ocorreu no passado.

Sobre isso vou fazer um "parênteses": Muitas vezes tenho a impressão de que a mudança é mal vista e temida, talvez seja um paradoxo da vida. Se a banda continua a fazer a mesma coisa ela é criticada, se ela muda sua trajetória experimentando as fronteiras de sua música e de seus músicos, ela também é mais criticada - alguém lembra do Iron Maiden aí? Ah você pode me dizer que existe um Motorhead e um AC/DC para me provar o contrário, e sim, eu sei. Mas pense, são duas bandas que trilham o caminho "Rock n Roll" da coisa; acho que o estilo por ser tão simples, tal qual como o punk, talvez seja um tipo de bênção. Talvez, como as duas citadas, sejam bandas que aparecem de tempos e tempos como se fosse um tipo de destino bizarro, não sei...

Enfim... Angra e Sepultura se identificam com isso, as duas bandas mais expoentes do Brasil que abriram muitas portas e ainda continuam abrindo tantas outras pelo mundo. Trocaram de vocalistas e integrantes ao longo de sua história; e como não poderia deixar de ser, o som também foi se modificando. Mas falemos de Sepultura, porque pessoalmente não gosto de Angra.

Lembra que no primeiro parágrafo falamos sobre a vida? Então, e tal qual como ela, um acerto do Sepultura vislumbrando todo o passado cheio de problemas, sem dúvida foi esse Dante XXI. Lançado em 2006, Dante XXI, como o nome já entrega praticamente, é baseada na clássica obra do italiano Dante Aligheri "A Divina Comédia" em que o som pesado da banda narra a viagem de Dante e Vírgilio pelo o purgatório, inferno e paraíso em 15 músicas, sendo uma instrumental e outras duas introduções.

Passando por orquestrações de bom gosto, com muito thrash, e sim, com ideias mais progressivas. São vários destaques com pauleiras de quebrar o pescoço. Como a thrash "Convicted In Life" (primeiro single do disco), a hardcore Dark World Of Error", a (porque não?) progressiva "Nuclear Seven", a com direitos a orquestrações melancólicas "Ostia", a épica "False", a rápida "Crown and Miter"; e finalizando o álbum, a de muito bom gosto "Still Flame".

Outra mostra, é que em comparação ao que ouvi do A-Lex e do novo Kairos, que vai ser lançado dia 24 desse mês, mas que você pode escutar uma nova música aqui - que ficou bem legal por sinal. É que o Iggor Cavalera, sem desmerecer o Jean Dollabella, faz uma falta enorme a banda com sua bateria extremamente competente e marcante.

Mas sobre os outros integrantes, o Derrick Green, muito criticado até hoje, tem uma atuação vocal excelente comparando aos outros trabalhos. E outro criticado, esse até por mim - porque acho que os solos dele muitas vezes decaem o nível das músicas -, nesse Dante XXI tem uma performance que cala a boca de muitas viúvas do Max. Falo do Andreas Kisser que despeja nos ouvidos riffs rápídos, precisos, que são impossíveis de não banguear junto; parece que ele colocou aqui tudo o que esqueceu nos últimos três álbuns depois da saída do Max! Então quer mais o quê? Recomendo escutar bem alto, ou com um belo fone de ouvido!

Para finalizar, muitas vezes tenho a impressão de que se esse lançamento fosse um debut de uma nova banda, ou mesmo que o Sepultura tivesse mudado de nome, as coisas seriam completamente diferentes. Viriam elogios ao invés de críticas, viriam confiança ao invés de ceticismo. Assim como talvez, os controversos Load e Reload sendo de outra banda ao invés do Metallica, teriam sido mais bem recebidos. E antes que você leitor me ache fã desses álbuns, apenas defendo que eles tem seus bons momentos, sim senhor.

Mas voltando ao Sepultura, com comparações a parte, esquecendo a fase Max e todo reboliço que isso causou até mesmo para os remanescentes, já que o "Against", o "Nation", e o "Roorback" foram álbuns totalmente irregulares, em especial os dois primeiros. Devemos ter a ideia em mente - e sempre defendo isso -, de que acima de tudo temos dois tipos de música, a boa e a ruim. E esse Dante XXI se não reinventou a roda, é um álbum muito acima da média com momentos excelentes por todas as 15 músicas. E sim, (porque não) do bom e velho Sepultura.

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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