Resenha Filme: Sucker Punch - Mundo Surreal

quinta-feira, março 29, 2012

Falando logo sobre a história (que pouco interessa aqui). O filme se ambienta na década de 50 quando uma garota chamada Baby Doll (Emily Browining) é internada pelo seu pai ganancioso em um sanatório. Lá além de passar a enfrentar terapias dolorosas, tem a ameaça de que em 5 dias passará por uma sessão de lobotomia. Diante desse medo, ela encontra em sua imaginação o único modo de sobreviver e de se proteger, criando uma realidade em que o sanatório é um bordel, onde suas amigas Rocket (Jena Malone), Blondie (Vanessa Hudgens), Sweet Pea (Abbie Cornish) e Amber (Jamie Chung) a ajudam a bolar um plano para escapar.

Aqui a história em si é tão desimportante que é impossível de se ter algum envolvimento com qualquer personagem, afinal, é um filme de feito para nerds. Então a questão mais importante é: "com quem eu faria miséria primeiro?".

Dividido entre realidade e fantasia de forma bem distinta, e na fantasia, Primeira Guerra Mundial steampunk, Japão feudal e futuro distante, Snyder criou uma dos melhores filmes dos últimos anos - para quem entende, claro. Da poltrona ou do sofá só é possível dar gritos de "wow" para cada espetacular cena de ação, cenas que aliás acontecem quando a Baby Doll faz uma de suas danças sensuais (infelizmente Zack Snyder não nos deixa ver que dança é essa que faz os homens chorarem).

Além do visual que abusa dos efeitos especiais e cenas de ação explosivas que te fazem levantar do sofá e gritar "hell yeah", a trilha sonora é outro destaque absoluto. Algo que não me surpreende nos filmes do diretor, vide Watchmen e sua trilha que nos transporta de forma exata para o nível de drama da cena.

Talvez o único defeito aqui seja a reviravolta do roteiro no final, que apesar de vir acompanhada por um final bem forte - o que não esperava de um filme desse -, tem uma lição de moral, que passa até despercebida diante uma empolgação, mas soa desnecessária. Lições de moral são comuns em filmes, mas creio que o filme ficaria marcado de forma melhor se não tivesse isso; não precisava o filme se mostrar mais inteligente que é.

Seria Sucker Punch uma espécie de Scott Pilgrim para machos? A semelhança entre os dois é visível, não só por os dois terem sido fracassos comerciais, mas para quem os dois filmes foram feitos: nerds. Então é importante pontuar aqui que se trata de um filme nerd, um filme feito para quem entende de vídeogames e é inteirado na cultura pop. Então partindo daí é compreensível não ter agradado a crítica ranzinza, e muito menos sua amiga ou namorada.

Sucker Punch é um prato cheio masculino para quem gosta de vídeogames, mulheres e bacon, e mulheres que tem mente aberta. Agora, se você se estava assistindo, e se perguntou do porque de todas elas batalharem em vestidos tão mínimos e de as cenas de ação não terem nada a ver com a história, o filme não é para você com toda certeza.

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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