Resenha CD: Soulfly - Enslaved

segunda-feira, maio 14, 2012

Sempre achei o Soulfly, com o perdão do termo, uma porcaria. Mais do que ter músicos talentosos e o Max Cavalera por detrás dos microfones, a banda era apenas um projeto solo do vocalista/guitarrista e uma extensão do álbum "Roots", último da sua trajetória no Sepultura. O Soulfly era por muitas vezes inclassificável e sem cara alguma. Essa irregularidade entre suas músicas foi algo que sempre me afastou da banda.

Mas parece que nos últimos anos Max Cavalera resolveu seguir o ditado "que nem vinho, quanto mais velho melhor". Fez as pazes com o irmão e formou o Cavalera Conspiracy da qual lançou dois ótimos álbuns, o mais pancadaria "Inflikted" e o mais thrash "Blunt Force Trauma".

Bom, parece que isso fez muito bem a ele, pois desde o bom "Omen" de 2009, o Soulfly foi flertando com o lado mais extremo e cru da música. E em "Enslaved" lançado esse ano, temos aqui uma banda que flerta com o death, thrash e até black de forma escancarada com uma clara evolução instrumental. Com músicas finalmente encorpadas, o Soulfly adquiriu um caminho que não se via, equilibrando finalmente de forma clara e sem exagero algum, o toque brasileiro que a banda sempre teve.

Aqui não temos nada "old-school", seria exagero falar isso, tanto quanto soa xiita demais certos fãs renegarem o álbum dizendo que ele é "moderno demais". Mas em todas as suas 11 faixas (14 na edição especial), "Enslaved" é um álbum homogêneo e impossível de se deixar de lado na cabeceira. É thrash metal pra quebrar o pescoço!

Depois da ótima abertura com "Resistance", "World Scum" com seus pedais duplos e seu vocal cavernoso, Max Cavalera parece que resolveu revisitar sua coleção de discos. Falando bem no popular: "podreira".

Com uma produção suja mas sem afetar nenhum instrumento, ao mesmo tempo dando peso pra cada um deles, são tantos destaques que soa injustiça citar algumas faixas. Mas cito além da abertura brutal, a "Intervention", "Gladiator", "Redemption Of Man By God", e a pesadíssima "Treachery" como as que mais me marcaram. E para mostrar que existe SIM música pesada em português, temos "Plata o Plomo" com seus toques latinos, onde Max divide os vocais como baixista Tony Campos e fala sobre o finado "rei" da droga, o colombiano Pablo Escobar. É talvez a musica que, junto com a bônus "Slave", lembra mais o antigo Soulfly - talvez pelas duas terem o português cantado, entretanto mesmo assim com bem mais brilho.

Já "Soulfly VIII" segue a tradição de todos os álbuns da banda como encerramento, porém ao contrário dos álbuns anteriores em que se tinha apenas uma pancadaria com Max soltando palavrões, temos aqui um belíssimo instrumental capaz de fazer cair o queixo dos que torcem o nariz para música pesada. bom para nos fazer acalmar depois de tanta pedrada na orelha.

Brutal e no ponto certo entre modernidade e agressividade, "Enslaved" é um dos melhores do ano sem sombra de dúvidas, figurando como melhor da carreira do Soulfly e sendo a altura dos últimos lançamentos de suas "bandas irmãs", Sepultura e Cavalera Conspiracy. Mark Rizzo aqui, fiel escudeiro de Max Cavalera, faz mais uma vez um excelente trabalho e prova ser um dos melhores guitarristas thrash da atualidade. Vale citar a arte da capa também que é fodástica.

Se alguém tinha dúvidas se Max Cavalera poderia voltar a sua época infernal do começo de carreira, esse álbum está aí para provar o contrário. 

Abaixo o clipe da "World Scum"

Tracklist: 

"Resistance" — 1:53
"World Scum" (com Travis Ryan de Cattle Decapitation) — 5:19
"Intervention" — 3:55
"Gladiator" — 4:58
"Legions" — 4:18
"American Steel" — 4:14
"Redemption of Man by God" (com Dez Fafara de Coal Chamber e DevilDriver) — 5:15
"Treachery" — 5:49
"Plata O Plomo" — 4:52
"Chains" — 7:18
"Revengeance" (com Richie Cavalera, Zyon e Igor Cavalera) — 5:42

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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