Resenha Filme: O Guia Do Mochileiro das Galáxias

sábado, maio 26, 2012

Comemorando o Dia do Orgulho Nerd que foi ontem, resolvi pegar minha toalha e analisar o filme que ao lado do Star Wars, é o expoente maior do mundo nerd e o motivo de "O Dia da Toalha" existir

O tal Douglas Noël Adams entre sua comédia, foi famoso por ter escrito esquetes para a série televisiva Monty Python's Flying Circus junto com os integrantes do grupo de humor inglês non-sense. E esse humor amado por mim e por tantos outros, é uma das marcas de livros da sua "trilogia que são quatro e por acaso há um quinto" terem sido um sucesso estrondoso no mundo, junto com críticas ácidas sociais, e como ateu convicto que ele era, sobre religião.

"O Guia do Mochileiro das Galáxias" já foi praticamente tudo. Nasceu como uma série de rádio, foi para os teatros, foi uma minissérie de televisão transmitida pela BBC de Londres nos anos 70, e jogo de computador. Só os livros foram traduzidos para mais de 20 idiomas, tendo vendido algo em torno de 20 milhões de exemplares em todo o mundo. Então em 2005, 27 anos depois de sua primeira aparição, a obra do comediante e escritor britânico Douglas Adams finalmente ganha as telas do cinema. Apesar de ter sido roteirizado por ele, infelizmente não pode ver sua conclusão. Em 2001 Adams morreu aos 41 anos de vítima de ataque cardíaco.

Sobre o filme

Aqui acompanhamos as aventuras de Arthur Dent (Martin Freeman) um pacato e azarado cidadão inglês, Ford Prefect (Mos Def) um extraterrestre disfarçado de ator decadente, Zaphod Beeblebrox (Sam Rockwell) presidente fanfarrão da galáxia, Trillian/Tricia Macmillan (Zooey Deschanel) paquera dele em uma festa, e Marvin (interpretado por um anão e com voz de Alan Rickman - o Snape de Harry Potter) um andróide maníaco-depressivo que tem um QI aproximadamente 30 bilhões de vezes mais inteligente que um colchão. Juntos, eles precisam escapar dos Vogons, seres extremamente burocráticos e donos de uma poesia mortal para encontrar a Arma do Ponto de Vista e descobrir por que a resposta para a vida, o universo e tudo o mais é 42.

Claro que sempre consultando O Guia do Mochileiro das Galáxias, o "repositório padrão de todo o conhecimento e sabedoria". Quando o livro entra em cena, temos animações engraçadas e narradas muito bem por José Wilker. Algo sagazmente preservado na versão legendada do filme.

Todos no filme estão bem (especialmente a docinho de coco Zoey Deschanel), e o humor non-sense foi bem transportado dos livros para a tela. mas dois personagens roubaram a cena pra mim. Um é o azarado inglês Arthur Dent e o outro é o andróide cabeçudo Marvin. 

Robôs, extraterrestres e crítica

Junto com o fato de os Vogons serem seres extremamente burocráticos, e a todo o momento o filme brincar com o fato de querermos respostas pra tudo sem ao menos saber a pergunta, exemplo é a parte do sentido da vida ser 42. Os dois personagens que citei destacam críticas e referências ácidas a humanidade e suas manias irritantes. A obra é perfeita para os que adoram rir da própria cara, a comédia inglesa é isso.

Um é Marvin, cujo desprezo pela vida só não se compara à sua depressão crônica e ao tamanho de sua inteligência. Feito para ter sentimentos humanos, Marvin sofre de uma gigantesca depressão, principalmente pelo fato de que possui "o cérebro do tamanho de um planeta", mas preferem usar sua capacidade para abrir portas ou agarrar algum papel caído no chão. Isso sinceramente causaria depressão a mim também. Ele com sua cara fofa e tristonha já causa boas risadas (o que aumentaria sua depressão), e seus comentários e participações são as partes mais engraçadas do filme.

Já Dent é um inglês amante de chá e dono de um azar incomum. Arthur tem sua casa destruída para a construção de um desvio no mesmo dia em que seu melhor amigo, Ford Prefect, um extraterrestre disfarçado, revela-lhe que a Terra está prestes a ser destruída para a construção de uma via intergaláctica.  Ironia não? Os direitos são sempre esmagados pelo progresso.

Mas nem tudo são novelos de lã

O filme apesar de engraçado não prende tanto como eu esperava, entretanto isso soa mais como impressão.

Problemas como o final do filme em que se deixa uma clara abertura citando o título de um dos livros, é por demais cortado e mal explicado. E o namorico incluído especialmente para o filme de Trillian e Arthur, tendo uma liçãozinha de moral pra depois acabar tudo bem, poderia ser descartada facilmente. Entretanto queira nós ou não, o cinema precisa de certos padrões.

Apesar de nunca ser o filme mais assistido da galáxia...

O Guia do Mochileiro das Galáxias no cinema cumpre bem o papel de ajudar a leigos terem um primeiro contato com a obra de Douglas Adams. Seu universo extremamente rico, e sua capacidade ímpar em unir humor, crítica e filosofia - o que revela fortemente seu lado "Monty Pyhton" - fazem jus a toda essa reverência a suas obras, e isso é um atrativo e tanto para se comprar os cinco livros da série e se deliciar com a aventura desses terráqueos e extraterrestres malucos. Resta agora eu fazer isso!

Um dos atrativos é saber da sua teoria genial e absurda sobre os golfinhos, em que eles há muito sabiam da iminente destruição do planeta Terra e tentaram alertar a humanidade para o perigo; mas a maior parte de suas comunicações foi mal-interpretada. A derradeira mensagem dos golfinhos foi entendida como uma tentativa extraordinariamente sofisticada de dar uma cambalhota dupla para trás assobiando o hino nacional dos Estados Unidos, mas na verdade o significado da mensagem era: 

"Adeus, e obrigado por todos os peixes."

E aqui me despeço.

Máximas da Série
  • Não entre em pânico.
  • "Tudo o que você precisará quando o universo acabar é de uma toalha"
  • "Toda resistência é inútil"
  • "Há uma teoria que indica que sempre que qualquer um descobrir exatamente o que, para que e porque o universo está aqui, o mesmo desaparecerá e será substituído imediatamente por algo ainda mais bizarro e inexplicável… Há uma outra teoria que indica que isto já aconteceu."
  • "A Enciclopédia Galáctica define o amor como algo incrivelmente complicado de se explicar.
  • Uma toalha é o objeto de maior utilidade que um mochileiro interestelar pode possuir. Uma toalha molhada é uma ótima arma no combate corpo-a-corpo.

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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