Resenha CD: Accept - Stalingrad

sexta-feira, junho 29, 2012

Depois de em 1996 ter gravado seu último álbum com o Accept, o baixinho Udo Dirkschineider deixa a banda oficialmente em 2005 depois de diversos desentendimentos ao longo da sua história com o Accept. No mesmo ano a banda encerra suas atividades.

Mas eis que chega o ano de 2010 e o Accept volta com Mark Tornillo nos vocais com a difícil missão de igualar/superar seu antecessor histórico, e não é que ele conseguiu? No mesmo ano o Accept dá ínicio a uma fase espetacular com "Blood of The Nations". 

Direto e sem frescuras e dono do mais potente heavy metal, o álbum foi aclamado pela crítica. Agora dois anos depois com "Stalingrad", a banda conseguiria se superar? Essa era a grande pergunta depois que foi anunciado a gravação do álbum.

Para mim escutar um álbum de puro heavy metal é uma tarefa que digamos... é complicada. Não porque não seja fã do estilo e o sangue do vento preto não corra em minhas veias, mas a parte em que me torno um "traidor do movimento" para alguns - além de ter falado mal do Iron Maiden -, é que o heavy metal precisa ser "lapidado" para empolgar. Não basta ter bons riffs e um vocal agudo como a tradição manda, às vezes nem é necessário ser épico; um outro bom exemplo é o thrash metal.

Ser old-school não significa necessariamente ser empolgante e nem é sinônimo de trueza para ser franco, o fato de ter uma pegada moderna sem perder as raízes é o que realmente chama a atenção. Trinta bandas iguais vemos por aí de monte, mas aquela que nos faz dar repeat no aparelho de som são poucas hoje, e esse é o caso do Accept e seu "Stalingrad".

Como próprio nome sugere, "Stalingrad" fala sobre a histórica e famosa Batalha de Stalingrado. Para quem não manja de história ou nem viu nenhum documentário do tipo no History Channel, essa foi uma operação militar conduzida pelos alemães e seus aliados contra as forças russas pela posse da cidade de Stalingrado na antiga URSS, entre 1942 e 1943 durante a Segunda Guerra. A batalha foi o ponto de virada na guerra, marcando o limite da expansão alemã no território soviético e é considerada a maior e mais sangrenta batalha de toda a História, causando a morte e ferimentos em cerca de 2 milhões de soldados e civis.

Esse tema ajuda as letras e o próprio instrumental ter uma pegada mais épica ao contrário de "Blood Of The Nations" que tinha uma veia mais crua. Fato que faz "Stalingrad" não superar seu antecessor, mas sim dignifica-lo com uma obra única e com a marca do Accept.

Sim, a banda não é a mesma de clássicos como "Balls To The Wall", mas aqui estão presentes todos os ingredientes do bom e velho heavy metal de jaquetas pretas e munhequeiras de tachinhas. Tantos anos se passaram e a banda soube atualizar seu som sem nunca parecer datado ou sem originalidade. É só escutar a abertura com "Hung, Drawn and Quartered" ou "Hellfire" para saber que aqui se estabelecem clássicos, mais uma vez. Guitarras passando pelos anos 80 e 90, pelo hard e heavy com facilidade... é um nostalgia sem fim.

Mixado pelo competentíssimo Andy Sneap, as guitarras gêmeas de Wolf Hoffmann e Herman Frank são dignas de nota 15. É soltar um "hell yeah" e bater muito a cabeça com os solos e riffs que conduzem o álbum inteiro. Outra coisa é que falar bem de Mark Tornillo é chover no molhado, o cara aqui entrega uma atuação digna de aplausos, tanto em seus vocais agudos, gritados e nos mais graves. Álbum para ser ouvido de cabo a rabo e com o punho pro alto!

Para uma banda que teve uma volta tão por cima, se superar no álbum seguinte seria uma missão complicadíssima, então para que mudar? Sem reinventar a roda mas entregando uma atuação de originalidade e sangue nos olhos, o Accept mostra porque é a melhor banda de heavy metal da atualidade.

Ontem se o Accept tinha que superar a perda de Udo, hoje é o Udo que tem que superar a perda do Accept.

Tracklist:

"Hung, Drawn and Quartered" - 4:35
"Stalingrad" - 5:59
"Hellfire" - 6:07
"Flash to Bang Time" - 4:06
"Shadow Soldiers" - 5:47
"Revolution" - 4:08
"Against the World" - 3:36
"Twist of Fate" - 5:30
"The Quick and the Dead" - 4:25
"The Galley" - 7:21

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

Você pode curtir também

0 comentários