No princípio era o Caos... Uma bela relação da mitologia com o nosso começo, e da nossa vida.

domingo, julho 08, 2012


Considerado por Hesíodo, poeta da antiguidade, Caos (ou Khaos) é a primeira divindade a ser criada no universo segundo a mitologia grega. Deus primordial e considerada o estado primitivo do mundo, Caos foi definido como o deus mais antigo de todos. Caos seria o oposto de Eros, o deus grego do amor (cupido para os romanos), significando: corte, rachadura, cisão, separação. E Eros o princípio que produz a vida por meio da união primordial dos elementos, masculino e feminino. Para os gregos eram as forças geradoras do universo.

A natureza divina de Caos é de difícil entendimento, já que com o passar do tempo sofreu inúmeras mudanças. Inicialmente era o ar que ficava entre o Eter e a Terra, e era tido como o causador dos dessaranjos que sobrevinham a Terra, conceito atribuído pelo poeta romano Ovídio.

Embora conseguisse a reprodução assexuada por ter os pólos masculino e feminino, Caos também era capaz de fecundar. Então a divindade num processo semlhante de reprodução dos seres unicelulares, a meiose, deu origem a dois filhos. Nyx, também chamada de Noite, e Érebus, ou Erebo; os pedaços de Caos.

Caos é, então, uma força antiga e obscura que manifesta a vida por meio da cisão dos elementos. Caos parece ser um deus andrógino, trazendo em si tanto o masculino como o feminino. Esta é uma característica comum a todos os deuses primogênitos de várias mitologias.

Os irmãos


Gaia (ou ainda Gaia, Géia, Gea ou Gê) era a deusa da Mãe Terra e Urano a personificação do céu, e elemento primordial e latente de uma potencialidade geradora quase absurda. Segundo o poeta grego Hesíodo, no princípio surge o caos, e do Caos nascem Gaia, Tártaro, Eros, Érebo e Nix. Entretanto alguns autores acham que uma problemática é considerar Caos como o pai-mãe de Gaia, Tártaro e Eros, quando Caos seria somente genitor de Nix e Érebo. Na verdade ele seria "irmão-irmã" de Gaia, Tártaro e Eros.


Se Gaia era a personificação do céu, Tártaro era a personificação do Mundo Inferior. Mundo em que estavam as cavernas e grutas mais profundas, os cantos mais terríveis de Hades, o mundo dos mortos para onde todos os inimigos do Olimpo eram enviados e onde eram castigados por seus crimes. Segundo a mitologia, nele eram aprisionados somente os deuses e outros Titãs. Enquanto que os seres humanos, eram lançados no submundo, chamado de Hades.


O último "filho-irmão" de Caos era Eros. Deus do amor (ou cupido no panteão romano), posteriormente foi considerado como um deuses olímpicos, filho de Afrodite e de Hefesto ou Zeus, Hermes ou Ares, conforme as versões. Eros era considerado um dos deuses primordiais e tinha uma beleza irresistível, levando a ignorar o bom senso e também se considerar o papel unificador e coordenador dos elementos contribuindo para a passagem dos caos ao cosmos. Eros age de tal modo sobre os elementos do Mundo, que poderia fundi-los numa confusão inexorável. Assim, seu irmão Anteros tinha a tarefa de equilibrar sua força unificadora através da repulsa do elementos. Se Caos gera através da separação e distinção dos elementos, e Eros através da união ou fusão destes, parece mais lógico que a ideia de confusão e de indistinção elemental pertença a Eros.

Os filhos


A filha de caos, Nix, tornou-se a deusa da obscuridade. A Rainha das Trevas, também chamada Noite, descrita pelos povos europeus como que vestindo um manto ou véu recoberto de estrelas, é considerada pela mitologia como a mais antiga entre as deusas. Já o outro filho de Caos, Érebo era a personificação da escuridão, o criador das trevas. Ele tinha seus domínios demarcados por seus matos escuros e sem vida, predominando sobre as regiões do espaço conhecidas como "vácuo", logo acima dos mantos noturonos de sua irmã Nix, personificação a Noite.


Érebo. tido como sombra, Fez sua irmã Nix de esposa, dando origem a dois filhos Éter e Hemera. Luz celestial e ar elevado, puro, foi o significado atribuído a Éter, e Hemera foi considerada a personificação do Dia. Érebo se transformou no maior inimigo do deus do Olimpo, Zeus. O motivo do conflito, era que Érebos por ser considerado essência da sombra e rei da escuridão, teve seu nome associado a uma região de Hades. Era o hall de passagem dos mortos. Assim que suspiravam pela última vez, os mortos passavam pelo Érebo antes de entrar no círculo de Hades.

O Destino

O Destino, a linha que rege a vida de todos os seres, parece ser uma constante de todas as Mitologias. São muitos os mitos que abordam esta temática, mas todos eles acabam por ter um ponto em comum, a impossibilidade humana em fugir aos desígnios divinos. Tal como sucedeu na triste história de Édipo, um mero mortal que acaba por ser um fantoche nas mãos divinas, também Aquiles teria a sua morte anunciada no momento que se juntou ao conflito de Tróia. Ambos tiveram, de certa forma, a possibilidade de fugir a esta ditadura, mas falharam, como pode ser visto nos seus mitos.

Caos também fez sua filha Nix como mulher, e desta união surgiu o poderoso deus Destino. Sua essência inigualável fez com que todas as outras divindades ficassem a mercê do seu poder supremo. O reinado de Destino abrangia os céus e a terra, bem como o mar e o inferno, e nem mesmo Zeus podia deter o poder de suas decisões. A divindade considerada cega tomava decisões irrevogáveis. Essa foi considerada a essência da fatalidade no reino das divindades e dos humanos. Todas suas leis e decretos do Destino ficavam disponíveis para consulta aos demais deuses mitológicos. Embora quisessem ter suas virtudes lembradas e reconhecidas, tanto os homens como as divindades, ficavam tolhidos pelas leis cegas e rígidas de Destino. Suas leis faziam culpados de sua autopunição.

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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