Resenha Filme: O Artista

terça-feira, julho 31, 2012

Saca aquilo que sempre lhe disseram de que imagens valem mais que mil palavras?

Tal qual uma Amelie Poulain, é o prazer pelas pequenas e simples coisas. A fascinação por filmes mudo vem daí. Imagens, gestos, sorrisos. Você abre um livro cheio de fotos e as palavras a colorem, já imagens em movimento colorem as palavras. A imaginação de todo o modo é fluida e a fascinação é a mesma. "O Artista " entra perfeitamente nesse quesito.

Feito em 2011 e campeão de indicações ao lado de Martin Scorsese e sua "Invenção de Hugo Cabret" nos Oscar de 2012, Foi vencedor de 5 Oscars: melhor filme, melhor ator, melhor diretor, melhor figurino e melhor trilha sonora. O longa franco-belga recheado de artistas americanos, foi rodado por Michel Hazanavicius, e se trata do cinema de glamour hollywoodiano da década de 30 e da sua mudança mais abrupta da história, o som. Até por isso sua simpatia no meio Hollywoodiano foi tão grande, e tantas indicações ao Oscar foram feitas. Porém ao assistir o filme, posso entender porque foram tão justas, ao contrário do filme do rei gago vencedor no ano anterior, " O Discurso do Rei".

No fim dos anos 30, mais precisamente em 1928, eram rodados cerca de 250 filmes onde 95% eram mudos, já no ano seguinte um salto, cerca de 95% eram mudos. Essa mudança tão abrupta de mercado com a descoberta do som, pegou muitos artistas de surpresa, e muitos até ficaram jogados ao ostracismo. Orgulho ou pura defesa da sua arte? Não sabemos bem. Mas é justamente nessa época que se passa a história do filme e seu protagonista, George Valentin (Jean Dujardim).

Galã da época, George Valentin como a maioria dos grandes artistas - e falamos de uma época onde ser "famoso" significava ser quase que exclusivamente a única estrela -, era orgulhoso e por muitas vezes arrogante. Desacreditando que os filmes falados substituirão os mudos, George vê sua estrela por apagar rapidamente, enquanto coincidentemente uma outra nasce. Trata-se de sua fã, e ironicamente escolhida por seu dedo para contracenar em seu filme nos anos de glória, Peppy Miller (Bérénice Bejo). Jovem, bonita e simpática, Peppy aos poucos ganha simpatia do público e da crítica, e é contratada pelo mesmo estúdio sedento pelos filmes falados onde George trabalha. Ou melhor, trabalhava, já que em 1929 os filmes falados eram a nova tendência e George cegamente ria disso. Agora um ator ultrapassado viciado no seu próprio talento, e vendo Peppy Miller cada vez mais alcançar voos altos, George ainda vê sua empreitada ainda no cinema mudo fracassar como poderia se esperar. Como desgraça pouca é bobagem, 1929 é o ano da quebra da bolsa de Nova York, e bom, daí você pode imaginar o resto...

O filme é daqueles de roteiro calculadinho, simples, mas nunca datável. Porém o seu charme maior é justamente a falta de palavras que faz o jogo ficar ganho e tornar o filme simpatissíssimo aos nossos olhos, nos tocando direto no nosso coração. É impossível não se ver não se envolvido com a história e com a época. Assim como é impossível não se simpatizar pela beleza meiga de Peppy Miller, pelo sorriso largo de George Valentin e a destreza do seu cão Duggie, amizade mal comparando, como a de Tin Tin e Bilu. Numa época em que temos muitos atores descartáveis, todo esse envolvimento que senti ao final do filme nos mostra como o talento nunca será colocado em segundo plano no fim, é como um piloto e seu carro de Fórmula 1. Assim com o jogo ganho, é impossível não conquistar o espectador.

Provavelmente e infelizmente o filme com o tempo acabará por ser deixado de lado numa época de tanto avanço tecnológico, é o tipo de filme que é mais a cara de cinemas cults. Mas para quem se dispõe a assistir e o mais importante, procura entender o filme como ele é, se torna o tipo de obra inesquecível; uma referência para quando se recomenda um filme a qualquer pessoa.

The Artist - 2011

País: França / Bélgica
Direção: Michel Hazanavicius
Produção: Thomas Langmann / Emmanuel Montamat
Roteiro: Michel Hazanavicius
Elenco original:  Jean Dujardin, Bérénice Bejo, John Goodman, James Cromwell, Penelope Ann Miller
Gênero: Comédia / Drama / Romance

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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