Resenha CD: Gojira - L' Enfant Sauvage

terça-feira, agosto 21, 2012

O Gojira é o tipo da banda impossível de se rotular de forma precisa. Como diz o guitarrista, vocalista e compositor Joe Duplantier - mais especificamente com esse vindouro álbum: "Quando você se torna um músico, você não tem um chefe lhe dizendo o que fazer isso você tem que ser muito responsável. Com a liberdade vem a responsabilidade, então eu estou me perguntando: 'O que é liberdade? O que significa para mim?'. L'Enfant Sauvage reflete sobre isso. Não há uma resposta. Não é apenas a vida e perguntas."

Lançado nesse ano e quinto álbum da carreira intitulado como "L' Enfant Sauvage", que traduzindo do francês significa "A Criança Selvagem", temos aqui um Gojira mais melodioso e evidentemente mais progressivo do que seus últimos trabalhos. É seguro dizer que é o mais maduro trabalho dos franceses disparadamente. 

Joe Duplantier diz: "É o Gojira mais sábio e mais pesado, nossa música está sempre evoluindo, e espero que haja mais por vir de nós! Acredito que podemos ficar mais pesados, mais profundos, e mais mágicos. Eu respeito tudo o que foi feito antes, mas espero que nós estamos cavando em outra direção. Não é uma orientação técnica. É uma direção mais espiritual. Eu acho que estamos chegando mais perto do núcleo de por que estamos fazendo essa música. É difícil descrevê-lo. Até eu escutar o novo álbum, é difícil ter uma visão clara do mesmo. Foda-se, é apenas o melhor!"

Transitando facilmente entre o doom, death e progressivo de riffs intrincados e de peso absurdo; em momentos arrastados, melodiosos e outros de pura fúria, "L' Enfant Sauvage" para mim eleva o Gojira como das principais bandas da cena contemporânea, ao lado de nomes como Opeth e Mastodon. Não só pela sua criatividade, mas também pela sua originalidade sempre evidente, conseguindo assim construir uma discografia de características invejáveis. Essa maturidade musical que o Gojira alcançou se torna evidente só ao escutarmos a faixa título "L' Enfant Sauvage", de melodia grudenta na guitarra nunca deixando o peso absurdo de lado. 

Além da já citada, como destaques dá para se pontuar faixas como a grudenta e potencial a single "Liquid Fire", a "Explosia" abrindo o álbum com o peso característico da banda, a "Planned Obsolecence" despejando toda sua veia progressiva, e todo o clima de medo e desespero da excelente "Born Winter". 

Já o guitarrista, vocalista e compositor dono da porra toda Joe Duplantier, se supera. Na sua melhor forma vocal, facilmente o vemos em "L' Enfant Sauvage" transitando entre os tons mais graves, limpos, urrados e gritados dando um toque cheio de desespero a música do Gojira, tudo isso, sendo um ás da guitarra. Criando riffs intrincados e de puro peso, Joe é a cara e alma do Gojira.  

Eu já disse aqui em outra resenha de um álbum do Gojira, é como se nos nossos sonhos sua música representasse o caos; e se você curte música extrema bem construída, vale a pena reclinar-se na cadeira e escutar o álbum de ponta a ponta. Indicadíssimo a aqueles que procuram algo mais incomum dentro do metal contemporâneo, o Gojira aparece aqui em seu melhor momento da carreira.

Tracklist:

1. Explosia
2. L enfant Sauvage
3. The Axe
4. Liquid Fire
5. The Wild Healer
6. Planned Obsolescence
7. Mouth of Kala
8. The Gift of Guilt
9. Pain Is a Master
10. Born in Winter
11. The Fall

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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