Resenha Cinema: Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge

quinta-feira, agosto 02, 2012

"Usar uma máscara vai além de proteger a identidade, é um símbolo, um símbolo de que todos podem ser eu". Familiar? Pois é, Batman, e dando outro exemplo V de Vingança, tem esses propósitos que causam simpatia instantânea em mim.

O Batman é o tipo do herói que sempre gostei, e o único da DC da qual realmente me simpatizo. Claro que tantos outros tem seu espaço cativo de admiração, mas o fato do Batman ser um humano usando seus recursos para fazer atos de heroísmo, e o mais importante, com uma moral própria, o dignifica na minha galeria master de heróis. Introspectivo, genial, com problemas psicológicos ou simplesmente louco? Essa é a simpatia do Batman, ele tem várias faces, ele é humano como todos nós (apesar que está mais fácil de aprender a voar do que ficar podre de rico como Bruce Wayne é).

Já no cinema o morcegão tem a maior galeria de filmes e talvez a melhor entre elas. Dentre tantos deslizes ao longo do tempo, e sucessos como o Batman de Tim Burton (aquele mesmo com Micheal Keaton e Jack Nicholson), a trilogia de Christopher Nolan superou qualquer concepção que se tinha com filmes de heróis até ali, principalmente com The Dark Knight. Claro que o tema sombrio de Batman não iria servir com um Homem-Aranha ou qualquer herói, mas finalmente tínhamos ali um Batman com lugar cativo na memória de qualquer fã de HQs. Críticas aparecem, mas nunca antes tivemos tão bem abordado no cinema um herói; e a única com potencial para tentar igualar um pouco partindo por outro caminho, só temos o Homem de Ferro 3.

Sinopse

O filme se passa oito anos após a morte de Harvey Dent em The Dark Knight, a cidade de Gotham City está pacificada e não precisa mais do Batman. Essa situação faz com que Bruce Wayne (Christian Bale) se torne um homem recluso em sua mansão convivendo apenas com o mordomo e grande e único amigo e confidente Alfred (Michael Caine); porém se fosse só isso seria um motivo simples e tornaria o filme chato.

Mas então um dia em meio a uma festa realizada na Mansão Wayne, uma das garçonetes contratadas rouba um colar de grande valor sentimental. Trata-se de Selina Kyle (Anne Hathaway), uma esperta e habilidosa ladra que, apesar de flagrada por Bruce, consegue fugir. Curioso em descobrir quem é ela, é quando aos poucos começa a perceber indícios do surgimento de uma nova ameaça a Gotham City, personificada no brutamontes Bane (Tom Hardy). É o suficiente para dar-lhe uma agitada para que volte a ser o Batman. 

Não se preocupe, temos aqui todos os outros coadjuvantes dos outros filmes e a adição de novos, como é o caso do policial John Blake (Joseph Gordon-Levitt) - uma parte importante do filme -, e da docinho de coco já citada Selina Kyle (Anne Hathaway), ou mais conhecida como Mulher-Gato. 

Coringa e o lado vilanesco

Quando soube da morte de Heather Ledger fiquei pensando em como nunca mais veria uma interpretação do Coringa como aquela, e como nunca mais veria um Batman nas mãos de Nolan com a presença desse personagem, talvez nem citação - não há mesmo. Esse Coringa foi tão marcante, que seria difícil ou simplesmente impossível o final da trilogia de Nolan superar a caótica e imprevísível segunda parte The Dark Knight. Bom, se em Nolan we trust, não tinha dúvidas de que esse final seria impactante, mas quanto?

Já Bane foi o escolhido para a difícil tarefa de "tapar" o espaço do Coringa, de início sinceramente achei uma escolha estranha dado a lista extensa e variada de vilões que o morcegão tem, e confesso de que nem conhecia direito o terrorista Bane. Porém no que vi ao final do filme foi uma escolha acertada. O caos que o terrorista causa e como ele consegue ser mais forte que Batman dá ao filme o caos impactante que precisava. Gotham City mais do que nunca é Nova Iorque, e agora lá temos um terrorista. Familiar? Sim, tudo a ver. O filme através do vilão aborda essa paranóia americana causada pelo 11 de setembro, e aborda muito bem.

Então assim como em qualquer final de trilogia, o Batimão vai ter que realmente suar a camisa, e superar seus problemas físicos provocados pelos longos anos de batalha contra o crime para poder salvar Gotham mais uma vez. E que salvação meus amigos! Bane até supera o Coringa nesse quesito, mas vai perdendo pontos em outros pontos ao longo do filme; mais a frente eu explico. 

Possíveis críticas

Li alguns comentários de que a voz de Bane não era adequada ao filme e até que muitos o tivessem dificuldade em o ouvir. Assisti o filme legendado, e confesso dá pra entender tudo o que ele fala, mas também no início tive uma estranheza grande ao ouvir sua voz. Sabe esperar uma coisa e acabar vendo outra coisa diferente? Pois é, em muitos momentos me lembrei de um Darth Vader. Mas apesar de sua voz não fazer jus a um vilão brutamontes transportado para o cinema (você entendeu o que quis dizer), sua voz não atrapalha em nada no filme. Você acaba se acostumando depois de algumas cenas e nem percebe, e torço para que na versão dublada a voz não se altere tanto. E ainda falando sobre voz, a do Batman na versão original em muitos momentos é para fazer jus ao gutural de muitos vocalistas!

Defeitos aqui temos, como em qualquer filme, mas são tão presos em detalhes que só um fã ou outro por dentro da história podem apontar. Mas aqui tem um problema simples e que acabou me incomodando um pouco, o enredo muito bem amarrado. Não é uma crítica assídua, mas porque todo roteirista tem mania de não deixar nada ao acaso? Afinal a vida é assim. Uma coisa é relacionar origens, outra coisa é fazer um filme prendendo os personagens de todos os filmes e qualquer ação num saquinho de vácuo como se fosse simplesmente um destino irrevogável. E é interessante que essa trilogia de Batman fuja tanto desse realismo.

Conclusão

Bom, a pergunta que todos querem fazer é: The Dark Knight Rises é melhor que The Dark Knight? Não, mas é por pouco. E por um simples fator, o Coringa. A epicidade, a parte técnica impecável, e as 2h40 de filme preenchidas sempre de forma a prender o espectador são mais que louváveis. Mas Bane apesar de ter o caos no sangue, não tem 20% do carisma que o Coringa conquistou. 

Por exemplo, no final de The Dark Knight até ficamos do lado do Coringa ao longo de suas pregações, já em Bane temos a mesma sensação ao longo do filme, mas ela no final decai pra aquela humanidade até piegas que conhecemos dos vilões que tem motivos para fazer o que fazem, e isso arranca muito do envolvimento que poderíamos ter com o vilão. Como dois vilões que são, o caos há no sangue de cada um deles, mas um "tem um plano" e o outro "deixa as coisas acontecerem", e isso reflete muito da cara que o filme tem. Se The Dark Knight tivesse a imprevisibilidade do filme passado graças ao personagem, teríamos um filme de proporções mais que épicas. Mas isso se atém ao "se".

Ao final não temos o The Dark Knight Rises superando seu antecessor, mas mostrando sua cara própria e livre de comparações como talvez antes não se viu em trilogias diversas. Christopher Nolan deixa sua marca e deixa um pepino enorme na mão de quem assumir a franquia do Homem-Morcego, afinal essa qualidade absurda que Nolan conseguiu é tarefa para poucos alcançarem, pra não dizer que não conheço ninguém. Qualidade essa que vem faltando na maioria dos blockbusteres que temos hoje. 

É a conclusão mais que digna a um personagem que fincou de vez o marco na história do cinema, estabelecendo muito do realismo que vemos e podemos ainda ver em adaptações dos quadrinhos para o cinema; prova é a linha do Superman que está por vir dirigido por Zack Snyder.

The Dark Knight Rises

Direção:
Christopher Nolan
Produção: Emma Thomas / Charles Roven / Christopher Nolan
Roteiro: Jonathan Nolan / Christopher Nolan


Elenco: 
Christian Bale - Bruce Wayne/Batman
Michael Caine - Alfred Pennyworth
Gary Oldman - Comissário Jim Gordon
Anne Hathaway - Selina Kyle/Mulher Gato
Tom Hardy - Bane
Marion Cotillard - Miranda Tate
Joseph Gordon-Levitt - John Blake
Morgan Freeman - Lucius Fox

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

Você pode curtir também

0 comentários