Resenha Filme: Cisne Negro

quarta-feira, agosto 15, 2012

Black Swan - 2011 - Estados Unidos

Direção; Darren Aronofsky
Género: Suspense / Drama
Elenco: Natalie Portman / Vincent Cassel / Mila Kunis / Barbara Hershey / Winona Ryder

Ser um filme premiado com o Oscar é um grande risco para filmes bons, sem concorrentes a altura da premiação mais alta do cinema vemos filmes sendo super estimados por aí. O caso mais emblemático é do Oscar de 2011 em que o filme do monarca gago, "O Discurso do Rei", venceu a disputa pelo melhor filme.

Aqui vale ressaltar que não estou entrando no mérito do figurino, da direção e da magnífica e trabalhosa interpretação de Colin Firth - afinal um ator que não é gago interpretar um gago em um filme, sendo que esse é personagem principal, é algo digno de aplausos -, mas sim na história em si. Imagine você um monarca que é gago tendo como prova mais dura da vida recitar um discurso; dramático não?! Pois é, "Cisne Negro" não se enquadra exatamente nessa crítica, pois convenhamos que o drama da personagem é realmente um drama e a atuação de Natalie Portman é digna também de elogios, mas sim que como o discurso do monarca gago, o filme não é tudo que tornou-se por ser "oscarizável".

Sinopse do cisne

Aqui acompanhamos a história da bailarina Nina Sayers (Natalie Portman). Como toda filha meiguinha e inocente, ela mora com a mãe Erica (Barbara Hershey), uma bailarina aposentada que incentiva a ambição profissional da filha. Como filho de peixinho, peixinho é, Nina se torna bailarina de uma companhia nova-iorquina de balé; assim sua vida, como a de todos nessa profissão, é inteiramente consumida pela dança. Em um belo dia o diretor canastrão artístico da companhia Thomas Leroy (Vincent Cassel), decide (aposentar) substituir a bailarina principal, Beth MacIntyre (Winona Ryder), na apresentação de abertura da temporada de "O Lago dos Cisnes"; e apesar dos seus pesares sobre sua dança, Nina sendo sua escolha. Mas surge uma concorrente: a nova bailarina, Lily (Mila Kunis) que deixa Thomas impressionado.

A peça de Piotr Illich Tchaikovsky, "O Lago dos Cisnes", requer uma bailarina capaz de interpretar tanto o Cisne Branco com inocência e graça, quanto o Cisne Negro que representa malícia e sensualidade. A nova bailarina Lily se encaixa perfeitamente no papel do Cisne Negro, porém a escolhida Nina é a própria personificação do Cisne Branco. Então como em todo ramo de profissão em que desenha uma situação dessas, as duas desenvolvem uma amizade repleta de rivalidade. Por causa da pressão do papel e de ter uma concorrente, Nina começa a entrar em contato com seu lado mais sombrio, prejudicando seu equlíbrio psicológico. Em sua busca pelo seu lado obsceno, Nina acaba causando um conflito dentro de sua conturbada mente, e nessa obsessão em criar um cisne negro, ela pode acabar destruindo sua sanidade. Dramático, não?

Yin vs. Yang

Nina é doce e inocente, perfeita para o Cisne Branco, que é gracioso e digamos até "perfeito". Porém com a incumbência de ter pego o papel dos seus sonhos, Nina é obrigada a "desenvolver seu o Cisne Negro" dentro de si, o seu lado envolto em sensualidade e malícia que nunca pôde aflorar pelo protecionismo de sua mãe, em outras palavras, Nina precisa deixar de ser perfeita e passar a improvisar. Como disse o seu professor, ela precisa "deixar-se levar pela música". 

Bom, o que temos aqui é o bom e velho conflito de personalidade de uma adolescente, cercada por pressão de uma profissão que se exige alta performance todos os dias; em outras palavras, o estresse. Entretanto se fosse só isso, o filme seria um documentário "sobre a vida", certo? Então o papel do diretor Darren Aronofsky é se focar no drama psicológico da personagem, já que temos Nina envolta em um conflito desencadeado dentro de si; o Cisne Branco a representando e o Cisne Negro representando o seu lado reprimido. A luta com a Lily, exemplifica bem o que o filme quer passar. O duelo acaba representando Nina finalmente vencendo seu lado negro. O maior adversário no fim é ela mesma.

Tecnicamente o filme é belo e perfeito, assim como Nina e a atuação protagonizada por Natalie Portman que realmente encarnou a personagem. A bela atriz fez aulas de balé e emagreceu bastante pra o papel. Claro que temos uma dublé fazendo a maioria das partes em que a atriz precisa dançar, mas a parte dramática de Natalie como atriz está impecável, não foi à toa o Oscar que ela venceu. 

O cisne não dança tanto assim

Já sobre o drama psicológico, o mesmo não funciona tão bem assim como pode parecer. O caso da unha saindo e a cutícula do dedo sendo arrancada na pia, são belos exemplos de cenas simples do que realmente nos causam aflição, e até mais plausíveis como alucinações. Já outros como Nina ao olhar para as fotos do seu quarto ou vendo rostos no espelho, acabam sendo batidas demais e causaram efeito diferente a mim. Lidar com o "sobrenatural" acabou não funcionando, esperava algo mais criativo.

Outra coisa que acabou me incomodando, é Nina por estar perturbada, acabar sentindo a sensação de estar sendo perseguida a todo momento por Lily. Não, não estou dizendo que isso não cabe ao contexto do filme. Ele cabe perfeitamente, afinal temos o senso de competição dentro de nós mesmos, e na pressão enorme que Nina está sentindo isso se torna completamente normal. O problema é que essa rixa acaba sendo muito exagerada, já que Lily em nenhum momento é rude ou tenta roubar o lugar de Nina na apresentação, ao contrário, é doce e oferece a amizade - até acabei me simpatizando com ela. Creio que em uma abordagem mais real, Nina num momento de sanidade acabaria notando isso - até torci pra isso acontecer. E no filme isso é totalmente ignorado.

Considerações finais

O filme não é excelente como pregam, mas não é ruim. Podem me apedrejar e falar que "não entendi o filme como ele é", mas ele acaba sendo um filme nada. Não dá aquela vontade de ser revisto, e como vencedor do Oscar ele acabou sendo superestimado.

Para quem gosta de balé, ou mesmo sofre por estar em uma profissão em que se exige alta performance a todo momento, o filme é um prato cheio; principalmente as cenas de dança em que tudo é bem filmado e contracenado. Mas confesso em que no filme, principalmente no começo, me senti entediado e com sono. "Cisne Negro" não é aquele drama com suspense que realmente te prende a tela (a não ser na parte lésbica do filme entre Mila e Natalie), mas que graças a maluquice da personagem acaba engrenando até acharmos realmente bom. Porém é só. Felizmente ou infelizmente.

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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