Resenha CD: Paradise Lost - Host

quinta-feira, outubro 18, 2012

Que o Paradise Lost é uma banda de metal todos sabem. A banda inglesa formada no começo dos anos 90, compunha junto com o Anathema e o My Dying Bride a sagrada trinca do doom metal, influenciando quaisquer outras bandas do estilo e até de outras vertentes do metal com toda certeza. O tempo foi se passando e as bandas por consequência de seu amadurecimento musical, foram incorporando outros elementos ao seu som.

Enquanto o My Dying Bride podemos dizer que continuou mais fiel ao doom metal, o Anathema cada vez mais foi incorporando o rock progressivo, alternativo e até post-rock a sua música, até que tivemos os excelentes "We're Here Because We're Here" e "Weather Systems". Já o tema da resenha, o Paradise Lost - que se voltou mais às suas raízes atualmente com o excelente "Tragic Idol" -, em 1999 lançava "Host".

Praticamente sem guitarras e influenciadíssimo pelo synth-pop do Depeche Mode, o álbum foi apedrejado pelos fãs e críticos da banda. Claro, a banda que outrora fez a obra prima Draconian Times ficou "gay" aos ouvidos dos headbangers mais fanáticos.


Marcado pela melancolia e talvez com as letras mais profundas e tristes da banda, vide a bela faixa "It's Too Late", "Host" acaba sendo aquele álbum perdido até mesmo pro próprio Paradise Lost. O que é uma pena mas compreensível ao mesmo tempo. São aqueles trabalhos para quem quer se aventurar pelo seu conhecimento.

"Nothing Sacred" e "Oridinary Days" são dois exemplos daquelas faixas gostosas de se ouvir, e faixas como os singles viciantes "So Much Is Lost" e "Permanent Solution" são de extremo bom gosto pra uma banda que se habilitou a fazer metal e resolveu se aventurar pelo synth-pop. Outro ponto forte é a voz de Nick Holmes que abandonou qualquer voz mais agressiva que poderia fazer, em prol de uma voz grave cercada por melancolia que tornam as músicas mais impactantes.

Vale aqui uma observação: "Sim, Metallica e Paradise Lost são bandas completamente diferentes, até em qualidade. Mas só usei o nome Metallica como exemplo porque o emblemático "Load", assim como "Host" é um excelente trabalho, mas renegado pela própria banda e seus fãs". Pronto, voltamos a resenha.

"Host" está como um "Load" do Metallica para o Paradise Lost, tanto que tem algumas similaridades além de terem o rótulo gravado no disco: "não nos importamos com vocês". Os dois álbuns foram lançados na mesma época (1995 e 1999), e nessa mudança de sonoridade temporária das bandas, "Host" e "Load" foram os álbuns mais "bem-sucedidos" por terem ideias mais definidas. O que tivemos em seguida, para as duas bandas, foram trabalhos confusos com o desespero de incluir mais guitarras ou mesmo "sobras", no caso são: o "Reload" e o "Believe In Nothing", respectivamente do Metallica e do Paradise Lost. Só que na minha opinião como o álbum citado, "Host" na sua concepção alternativa, é um álbum muito gostoso de se ouvir. Faz parte de uma época em que o Paradise Lost estava com seu controle criativo em alta - pra um caminho que felizmente retornou.

A música amadurece, as ideias amadurecem. Se antigamente fugia de "Host" e "Load" como o diabo foge da cruz, hoje mais velho acabei vendo como vale a pena abrir a mente pra certos trabalhos de bandas que se aventuraram por um caminho alternativo. "Load" e "Host" são dois álbuns completamente diferentes do som que as bandas construíram com o tempo - principalmente o "Host" -, mas há de se ver que música é música, portanto se a música é de bom gosto não temos o porque de negá-la se a banda que fez a tal música tocava em outrora, concorda? Então pra quem curte um Depeche Mode e bandas do gênero, vale a pena se arriscar com "Host".

Tracklist:

"So Much Is Lost" – 4:16
"Nothing Sacred" – 4:02
"In All Honesty" – 4:02
"Harbour" – 4:23
"Ordinary Days" – 3:29
"It's Too Late" – 4:44
"Permanent Solution" – 3:17
"Behind the Grey" – 3:13
"Wreck" – 4:41
"Made the Same" – 3:34
"Deep" – 4:00
"Year of Summer" – 4:16
"Host" – 5:12

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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