Resenha Filme: A Prova de Morte

segunda-feira, outubro 01, 2012

Death Proof - EUA, 2007
Ação / Aventura / Terror

Direção: Quentin Tarantino
Roteiro: Quentin Tarantino

Elenco: Kurt Russell, Rosario Dawson, Vanessa Ferlito, Jordan Ladd, Rose McGowan, Sydney Tamiia Poitier, Tracie Thoms, Mary Elizabeth Winstead, Zoe Bell

Não dá pra esconder de ninguém e nem tento: "sou fã de Quentin Tarantino". Entretanto quem gosta de filmes como eu, e é assim como eu fã de filmes dele como esse "A Prova de Morte", há de se ter um senso crítico para separar uma obra boa da ruim. Só que Tarantino não deixa, e mais uma vez me empolguei em uma obra sua.

Propositalmente "sem roteiro", algo que muitos poderiam xingar. O filme mais uma vez passeia pela cultura pop que tanto Tarantino gosta, abusando de todos os elementos que consagraram o cineasta ao redor do mundo: violência estilizada, exploração do erotismo feminino com personagens marcantes de beleza exótica, vide a linda Vanessa Ferlito (Arlene) que realiza uma dança de colo mais do que enlouquecedora e hipnotizante, e o humor e palavreado chulo tirado diretamente daquelas conversas de bar que todo mundo tem.

‎"O álcool é apenas um lubrificante para todos os encontros entre indivíduos que um bar oferece." - Dublê Mike

A premissa do filme envolve um dublê misógino interpretado na medida certa pelo veterano Kurt Russell que interpreta simplesmente o Dublê Mike, e que usa seu automóvel "A Prova de Morte" para matar suas vítimas. E que mortes! 

Tudo aqui é altamente estilizado, desde o sexismo excitante que vai dos pés aos cabelos das garotas, os muscle cars que são típicos automóveis dos anos 60 de aparência robusta equipados com motores V8, sinônimos de velocidade e atitude; e principalmente o estilo de cinema grindhouse, homenagem aos filmes de terror dos anos 70, que eram produções de custo barato que abusavam esteticamente da exploração do sexo, violência, drogas, monstros, nudez, kung fu, etc. E até por isso, imagino eu, o filme não é tão reconhecido como deveria ser, tendo sido um fracasso nas bilheterias norte-americanas em 2007. 

Mas apesar de o filme ser baseado nessa estética, Tarantino não deixa de lado suas caracteristicas, deixando o filme com sua cara, cômicamente violento e sangrento como só ele sabe fazer. Essa parte que disse no começo de o filme ser sem roteiro, é que justamente os personagens e o próprio roteiro, são apenas "um gancho" para Tarantino explorar o seu estilo, e abusar daquilo que se via a rodo nos anos 70 juntando tudo aquilo que interessa, mulheres, carros, perseguições, mortes... até mesmo aquela velha batalha do "bem e o mal" está aqui exemplificado no combate entre o Chevy Nova negro de Dublê Mike, e o Dodge Challenger branco das garotas. Todavia vale dizer que apesar de esse roteiro simples ser só um gancho, os personagens não são, principalmente as garotas que mostram não ser meramente artifícios cênicos para os homens, no caso o Dublê Mike.

Bom, entende toda a homenagem que te faz saltar da cadeira no final do filme? Aliás, já falei que Kurt Russell atua na medida certa? A dois anos atrás, mais uma vez, Quentin Tarantino deixou sua marca no cinema mais uma vez com um filme apaixonado pela cultura pop, sua obsessão, continuando aquilo que ele fez em "Pulp Fiction" (novela policial), "Jackie Brown" (black exploitation), "Kill Bill" (kung fu), e o faroeste que virá em "Django Unchained", só para citar alguns exemplos. 

E para encerrar não poderia deixar de dizer: "aaaah Arlene...".

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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