Resenha CD: Dream Theater - Train Of Thought

quinta-feira, novembro 08, 2012

Esse é um daqueles álbuns especiais pra mim. Normalmente quando conhecemos uma banda o que vem logo a lembrança é seu primeiro álbum, e o tomamos com todo carinho. Seja com uma banda que a gente não curta mais como antes como "Dance Of Death" do Iron Maiden; seja com um álbum abaixo da crítica como foi o "St. Anger" do Metallica; ou um álbum criticado, mas excelente como o "Train Of Thought" do Dream Theater que vamos falar agora.

As três principais influências da banda são o Pink Floyd, Rush e o Metallica, e se me perguntassem que mistura eles fazem, diria as mais óbvias são essas três - e quem conhece bem as três bandas sabe do que estou falando. Confesso que fui buscar saber do Dream Theater na época que não era "familiarizado" com o progressivo, justamente pelo peso tão criticado que a banda adquiriu.

É um álbum com poucas e músicas bem distintas entre si. Prova dessa influência grande de Metallica é a energética abertura com "As I Am", tanto instrumentalmente como na letra: 

"To those who understand, I extend my hand / To the doubtful I demand, take me as I am / Not under your command, I know where I stand /I won't change to fit your plan, Take me as I am". 

(A aqueles que entendem, eu estendo minha mão / Aos duvidáveis eu exijo, me aceitem como eu sou / Não estando sob o seu comando, eu sei onde piso / Eu não mudarei para me encaixar no seu plano, aceite-me como eu sou).

Já a segunda faixa "This Dying Soul" continua a "Twelve-step Suite" escrita por Mike Portnoy que inclui também as faixas "The Glass Prison" (Six Degrees Of Inner Turbulence), "The Root Of All Evil" (Octavaruim), "Repentance" (Systematic Chaos), "The Shattered Fortress" (Black Clouds & Silver Linings) que narra a experiência de Portnoy com o alcoolismo de alguma forma. Cada uma representa um número do  método criado nos Estados Unidos para tratamento do alcoolismo, o Programa de 12 passos, e a suíte inteira é composta por 12 músicas e "This Dying Soul" é contém as partes IV e V.

Muitos que criticaram o álbum também se atentaram pro fato de que em três faixas em especial, a pesadíssima "This Dying Soul", o hit "Endless Sacrifice" e principalmente em "Honor Thy Father", de que a banda se rendeu ao famigerado Nu Metal. Bom, talvez um dos principais "prazeres" da música progressiva e em especial do Dream Theater é que sempre tiveram seu estilo peculiar e sempre experimentando novos sons; é não se prender a rótulos e se possível absorver os sons da época. Foi exatamente isso que o Dream Theater fez. E cá entre nós, funcionou muito bem, tanto que um dos hits da banda é justamente a "Endless Sacrifice".

Das baladas da banda temos a curta, porém bela "Vacant" que no começo faz alusão a faixa seguinte que é a instrumental "Streams Of Consciousness", e além dela para quem ainda sim sente saudades do progressivo da banda, temos o encerramento com a melhor faixa do álbum junto com a "As I Am", a "In The Name Of God" de solo espetacular de John Petrucci. Aliás falando dele, num álbum de peso a guitarra inevitavelmente dá seu tom, e aqui Petrucci mais uma vez literalmente quebra tudo.

Com riffs de quebrar o pescoço e solos pra quebrar o dedo de um guitarrista inexperiente, em especial na "As I Am" e "In The Name Of God", ele tem com Mike Portnoy uma das suas melhores atuações. Já esse com sua técnica característica, mas aqui assumindo uma postura mais direta acompanhando o ritmo do álbum brilhantemente.

Talvez a única ressalva de "Train Of Thought" seja a duração da maioria das faixas. Nada contra músicas de mais de 10 minutos, algo tão característico do Dream Theater, e há tantos exemplos de músicas que funcionam muito bem sendo absurdamente longas. Mas enquanto "As I Am" com seus 7 minutos funciona muito bem, "This Dying Soul" e "Honor Thy Father" com seus mais de 10 minutos pecam por acabarem sendo meio cansativas para ouvidos não muito acostumados, mesmo para aqueles familiarizados que acabarão por pensar que a mesma poderia ser mais curta.

A nível de comparação é como se a banda tivesse tomado alguns esteróides de Metallica, em especial do "Black Album", adicionando seu tempero progressivo. As críticas foram justamente sobre isso, do que o Dream Theater em "Train Of Thought" acabou assumindo um caminho de mais peso - que era sua intenção - em detrimento dessa mistura pela qual ficaram conhecidos.

Porém entendo que a empreitada deu muito certo. E o tenho na minha prateleira especial até hoje.

Vale ouvir bem alto!

Tracklist

1. "As I Am" 7:47
2. "This Dying Soul" 11:28
  • "IV. Reflections of Reality (Revisited) 6:31
  • "V. Release" 4:57
3. "Endless Sacrifice" 11:23
4. "Honor Thy Father" 10:14
5. "Vacant" 2:57
6. "Stream of Consciousness" 11:16
7. "In The Name of God" 14:14

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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