Resenha Game: Bayonetta (Xbox 360)

terça-feira, novembro 06, 2012

Bom, sou suspeito pra falar de jogos que não se levam a sério e sou fã do gênero beat'em up, em especial estabeleceram os alicerces pro gênero de pancadaria, "God Of War" e "Devil May Cry"; e esse segundo influenciou e muito Bayonetta.

Mas antes que achem que o jogo é somente uma cópia do game de Dante e companhia tendo uma protagonista feminina. Já digo daqui que essa influência está longe de ser uma simples cópia, pois Bayonetta é um dos mais criativos games que já avistaram o Xbox 360 e Playstation 3. E espero que outras pessoas tenham a mesma visão que eu.

De 2009, o game tem o mesmo diretor de Devil May Cry, Hideki Kamiya (Okami e Viewtiful Joe) e graças a ele o game é como é. Absurdo, cheio de cores, chefes enormes, jogabilidade extremamente ótima e viciante, e cheio de non-sense a todo momento. Tanto que só para se ter uma ideia a protagonista além de usar duas armas nas mãos, tem também uma em cada, dando piruetas, fazendo poses, e tudo isso sua roupa sendo seu próprio cabelo.

História

Até agora você não deve estar entendendo muita coisa, mas vou explicar a história. A premissa é quando Bayonetta, a exuberante bruxa do título, como num grande clichê acorda de um sono forçado de 500 anos sem saber quem é, onde está, ou porque está ali. Já que acordou, Bayonetta se vê jogada no meio de uma batalha milenar entre as "Umbran Witches" e os "Lumen Sages". Cada clã tem em sua posse uma pedra mística e esta divisão é o que mantém as coisas balanceadas no plano sobrenatural, pois unir as duas pedras poderia desencadear eventos catastróficos. Previsivelmente, a nossa bruxa sexy carrega a tal pedra do seu clã, e é isto que faz dela o alvo principal das criaturas angelicais. Sua missão irá levá-la de Vigrid (cidade fictícia da Europa), ao Paradiso (céu), passando por algumas dimensões paralelas extra-corpóreas, até os confins do espaço sideral (!).

Logo de cara já vemos que a trama não é digna de prêmios por sua complexidade, mas é o necessário pra sustentar o game suficientemente, já que convenhamos, em um game como esse a trama não deve ser a sua maior qualidade.

Jogabilidade e visual

Falando da jogabilidade ela é nada menos que exuberante. Tudo rodando a constantes 60 frames por segundo, é comum você se ver lutando contra chefes absurdamente gigantes em batalhas frenéticas e cheias de brilho, muitas vezes confundindo quem está vendo de fora. Essa falta de noção pelo menos pra mim, deu a grande parte do charme que jogo tem.

É comum você ver jogos enormes com cenários vazios, quer dizer, cenários até bem feitos mas nada destrutíveis. Bom, aqui é pelo contrário. Cada cenário é lindo e parece que foi feito com extremo cuidado,  fica até difícil citar algum destaque.

As batalhas são frenéticas, mas são longe de você num simples apertar de botões se ver livrando dos inimigos. São movimentos simples, e que vão dos mais simples combos que em um apertar de botões são acionados, até outros que até jogadores mais experiente penam pra acertar já que é necessário um espaço de tempo entre um botão e outro pra acertar o combo. Então em suma é necessário algum tempo de aprendizagem para lidar com cada inimigo da forma que ele pede.


As lutas contra os chefes são também um show a parte e ao contrário de vários games, temos aqui batalhas bem distintas e divertidas que vão contra só ao "bater, desviar e apanhar". Se em alguns casos tem o velho esquema de jogo de plataforma, em outra hora é necessário surfar num pedaço de fuselagem pra você chegar e esmurrar a cara do danado.

Das habilidades do game, vale citar a Witch Time, que acho que como denuncia, paralisa o tempo. Quando você se esquiva em um momento crítico e certo de algum golpe, a habilidade é destravada e os inimigos ficam em câmera lenta. Então aí que é hora de literalmente descer o cacete, e se você for habilidoso, pode acabar emendando uma Witch Time na outra para quem sabe atingir até uma medalha de platina não final da luta!

Essa habilidade também é encontrada em estátuas que são acionadas com um comando e que servem para também paralisar o tempo, ou pra você simplesmente passar por um lugar. Causando assim o maior clima Matrix, já que há fase em que paralisando o tempo você pode literalmente dar uma de fucking Jesus e andar sobre as águas - um dos efeitos mais bonitos do game com toda certeza.

A Bayonetta

Ok, já acabei falando do visual e dizer novamente que ele é exuberante é chover no molhado, então vamos falar da estética da personagem.

Bayonetta é o tipo daquela heroína sexista, absurda como o jogo. Como as mulheres dos mangás tem peitões, cinturinha fina e quadril largo. Atira primeiro e pergunta depois, sempre com um pirulito na mão, e seu cabelo é sua roupa. Portanto em vários momentos há situações absurdas em que um chefe gigante que você acaba por derrotar é engolido por um mostro ainda maior, logo, o cabelo da Bayonetta. Aliás são nesses momentos que mesmo que brevemente é possível vislumbrar um pouco a protagonista em toda sua exuberância!

Situações cômicas não faltam como ela posar pra foto no meio da luta, pole dance (!), os chefes que já citei que tem 200 vezes o seu tamanho, até personagens que esquecem completamente da luta pra ficar admirando o decote da personagem... Podem falar que o jogo por ser sexista acaba por degradar as mulheres, mas justamente acho o contrário. O jogo é extremamente divertido e não se leva a sério em momento algum, claramente tirando sarro da própria cultura japonesa que preza por garotas peitudas em trajes mínimos.

Defeitos

Mas nem todo são flores e o que poderia ser perfeito não é. Bayonetta também pode ser um jogo irritante. Tem dois fatores preponderantes que não me deixam não ser um cara chato.

O primeiro é a música irritante da protagonista que é repetida em cada batalha. Se a trilha é bela em certos momentos com trilhas tocadas ao piano, em outras acaba por aparecer esse j-rock. Ok, talvez a música complemente o tom feminino que o jogo tem, mas é seria completamente dispensável por outro lado. Todavia com um esforço você acaba por compreender já que falamos de um jogo non-sense.


O segundo ponto é a maldita loja "The Gates Of Hell". Se em todo jogo a cada conclusão de fase você visita a loja pra ver qual upgrade você pode adquirir pra sequência do jogo, aqui você terá que sobreviver sem praticamente comprar nada. O problema não são os preços pra adquirir certos movimentos da protagonista, mas sim os pirulitos e certas armas que parecem inalcançáveis.

Não, não é lá necessário comprar vários upgrades ao longo da jornada como em outros games, mas os preços são um desestímulo a indústria consumista... Mas se a ideia era aumentar o fator replay - e creio que era -, foi uma sacanagem que só!

Pena também que o segundo jogo foi anunciado exclusivamente pra Wii U... Isso é um ponto ruim.

Conclusão

Bayonetta é um jogo singular e que repetindo, não se leva a sério. E esse é justamente é seu maior mérito numa indústria que preza por games cada vez mais realísticos. O game feito Hideki Kamiya consegue ao mesmo tempo ser épico e ao mesmo tempo absurdo e caricato, tão quanto viciante. Com uma jogabilidade e estética única, misturando com tudo aquilo de bom presente em Devil May Cry, e por final dando uma polida de mestre. Talvez pra aplacar a decepção que muitos tiveram em jogar Devil May Cry 4...

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

Você pode curtir também

0 comentários