Resenha Cinema: Detona Ralph

segunda-feira, janeiro 07, 2013

Como o ano que se foi, o ano de 2013 promete para a "nerdaiada" que adora ir ao cinema. Além de Detona Ralph - um verdadeiro ode aos gamers - temos a segunda parte do Hobbit, Homem de Ferro 3, o segundo filme do Thor, Monsters University, a parte dois e três de Star Wars sendo relançadas no cinema em 3D, entre outros. Começando o ano com o pé direito temos Detona Ralph.

Com a expectativa lá em cima foi ao cinema do shopping Penha com minha namorada e infelizmente testemunhei mais uma vez problemas em um cinema que não é da marca Cinemark. Entre uma sala apertada e de pintura horrível se formos falar de cinema, temos demora para o apagar das luzes, trailers sendo mostrados e ajustados a tela, faltando foco e som excessivamente alto (felizmente na parte dos comerciais). Pelo menos a Moviecom estava com uma promoção de meia entrada para quem é cliente Itaú como eu, logo foi um preço justo. Ok, você pode me criticar dizendo para eu ser mais tolerante, já que o filme num todo não sofreu desses problemas. Mas critico tais "problemas técnicos" por nenhum deles terem acontecido quando eu foi num cinema da Cinemark. Assim como apontamos erros a um show que vamos seja em que casa for, é importante apontar tais erros numa sala de cinema; já que a falta de excelência transforma aquele "bom" oferecido no melhor da qual somos obrigados a nos conformar. Sem concorrência se transforma nisso.

Mas voltando ao assunto. No filme temos Ralph, o vilão de um arcade antigo chamado Conserta Félix Jr, esse uma espécie de Mario e o game que é clara referência ao clássico game Donkey Kong Jr. Se Félix constrói, o simpático Ralph com suas mãos gigantes destrói. Porém o grandão está cansado disso, sendo vilão tem constante falta de reconhecimento de todos os personagens, nunca é convidado pra nada e é obrigado a dormir no lixão. Então ele se revolta e tenta provar que é capaz de ganhar uma medalha mesmo sendo vilão, porém sendo assim, lá vai ele busca-la em outro game chamado "Hero's Duty" (uma espécie de mistura de Starcraft e Gears Of War). Só que arrumando confusão em um jogo que ele nem sabe como agir, tudo dá errado e é aí que chega o segundo ato e o principal cenário em que se passa o filme: o jogo a là Mario Kart "Sugar Rush" e a doidinha fofa da Vanellope Von Schweetz. Não dá pra contar mais que isso senão estraga a história.

Como se esperava a nostalgia toma conta da animação, desde as referências em frases como quando Félix encontra a Sargento Calhoun e solta apaixonado: "Nossa que alta definição", ou quando Ralph questiona quando está no jogo de Calhoun: "Quando os jogos ficaram tão violentos?" - e isso é algo que sempre imaginei que o Mario poderia dizer. Até os personagens: Ryu e Ken de Street Fighter, Bowser, Sonic, Diablo, Pac-Man, o clássico e fofo Tapper, Chun-li aparecendo na estação de trem, e até a Lara Croft é citada!

Em toda animação há pouquíssimas cópias legendadas, e sempre a escolha dos estúdios é por atores dublando os personagens principais em vez de dubladores profissionais, o que diminui drasticamente a qualidade e me causou certo receio quando vi que essa fórmula iria ser repetida; já que infelizmente muitos dos atores escolhidos - Globais na sua maioria - não tem o menos talento de intepretação pra dublar com competência um personagem de carisma - é só ver a dublagem de o Espanta Tubarões por exemplo.

Então para essa missão os escolhidos foram Tiago Abravanel (sim, o neto de Silvio $antos) no papel de Ralph, a pseudo VJ Mari Moon no papel de Vanéllope, e agora ex-CQC Rafael Cortez no papel de Conserta Félix Jr. Com esse time muitos duvidariam do resultado - como eu duvidei -, só que para alívio de todos em Detona Ralph isso passa longe de ser um problema.

Felizmente temos um filme que é mais Pixar do que Disney e isso é ótimo. A partir do segundo ato em que Ralph entra no jogo "Sugar Rush" o enredo acaba se desenrolando de forma satisfatória e agradável, no velho estilo Disney de ser, o que acaba provocando aqueles clichês que as animações tanto sofrem. Assim a parte em que só temos Ralph e é mais Pìxar acaba sendo melhor, já que ela é cheia de referências e piadas da qual o resto do filme não acaba apresentando. Por exemplo a parte em que Ralph vira o achados e perdidos em busca de uma medalha e acaba encontrando um cogumelo do Mario, uma exclamação de Metal Gear, ou nas partes terapia de grupo dos vilões, a estação de trem, e detalhes como a viagem dos personagens entre os fios.

Falando da estação de trem, em que os personagens podem ir de um game pro outro, quando a vi acabei lembrando automaticamente de Monstros S.A. Não temos Mike e Sully, mas é como se Ralph misturasse os dois, o jeito esperto de Mike e desajeitado de Sully, e a Vanellope fosse a fofolóide da Bu - claro que uma "chata de voz chata", no melhor sentido claro. Então é meio decepcionante esperar que um filme seja mais original que os outros e acaba meio que por copiar uma fórmula usada a tantos anos atrás. Só que por outro lado o filme conquista tanto a simpatia por causa do carinho no assunto que trata que esses problemas acabam por serem diminuídos, e assim como Monstros S.A, ele conquista um lugar cativo em nós.

Salvo os problemas que são mais que comuns, as referências são tantas que os que tem 20, 30 anos de idade são capazes de se divertirem mais do que as crianças, já que elas nem vão saber das tais referências e piadas. O longa não é tudo aquilo que eu esperava, mas está longe de decepcionar. No meu entendimento o equilíbrio de sua fofura nerd de uma Pixar com o lado divertido clichê da Disney acaba por agradar todos os gostos, e na verdade essa é a função: democratizar. Fato é que a barulheira das crianças no cinema se transformou em silêncio ao final da projeção, e eu acabei por sorrir em praticamente todo o longa.

Você que é fã de games e ainda está em dúvida se vai ver o filme ou não, faça um favor, vá ao cinema. ^^

Wreck-it Ralph - EUA , 2012 - 108 min.
Animação / Aventura / Infantil

Direção: Rich Moore
Roteiro: Phil Johnston, Jennifer Lee
Elenco original: John C. Reilly, Jack McBrayer, Jane Lynch, Sarah Silverman, Mindy Kaling

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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1 comentários

  1. A pesar de ter sido um longo tempo para e de Monster inc, Monster University acho que chegou em boa hora. Eu realmente gostei que contextualizar a juventude desses personagens

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