Resenha Cinema: Django Livre

domingo, janeiro 27, 2013

Todos que usam a arte gostam de colocarem suas influências e seu gosto pessoal, é uma busca, é um dom colocar tudo isso e ao mesmo tempo ser único no que faz. Colocar tais influências por si só dá personalidade, mas como disse, fazer arte é um dom e ser como Quentin Tarantino é, é pra poucos.

O ano é 1858 e aqui acompanhamos Django, escravo liberto pelo caçador de recompensas Dr. King Schultz sem mais nem menos - motivos que fazem parte de sua profissão , que acaba se tornando seu parceiro e o convencendo ir em busca de sua esposa Brumhilda (Kerry Williams), escrava do fazendeiro Calvin Candle (Leonardo DiCaprio).

Desde o seu início na cena em que o Dr. King Schultz (Christopher Waltz) com seu jeito amável e cruel à la coronel SS Hans Landa de Bastardos Inglórios, bate os pés executando dois bandidos a cavalo sem dó nem piedade e libertando aquele que é o herói do filme, Django (Jamie Foxx). Até a próxima cena em que Django e Dr, Schultz calmamente vão no bar conversar a mesa. O filme já me conquistou por mais uma vez me fazer dar risadas ao mesmo tempo da violência, e dos trejeitos e diálogos.

Tarantino sabe que a vingança de certa forma traz a ordem ao mundo novamente, e como todos seus filmes Django Livre se trata sobre isso. Muitos dizem que Tarantino é repetitivo, confundem com obras baratas: o chamado pastiche. Mas o cinema se trata de algo jovem, daquela ambição de explorar os gêneros e seus gostos, colocando sua visão e entretendo o espectador com ela. E Tarantino faz isso com competência. Já que não é pra qualquer um dominar a cultura pop, subvertendo-a e reciclando-a como ele faz. Isso se vê na semelhança de Django e Beatrix Kiddo (guardadas as devidas proporções), dos heróis que em busca de vingança, até as dos personagens de Waltz nos filmes de Tarantino.

Django Livre é um filme mais simples, tanto nos seus diálogos, humor, roteiro e violência, porém tudo continua não linear, já que essa fórmula fez Tarantino ser o que é. Mas o que ele é, são também detalhes como aqueles cortes de câmeras dignos dos filmes western meio spaghettianos como ele sempre fez, aos diálogos e palavrões exagerados. Sabe o que quero dizer com a pele arrancada e cabeças explodindo exageradamente a cada tiro que Django ou Dr. Schultz disparam no filme? Até a trilha sonora cativante mais uma vez te fazendo correr pra loja comprar o CD, indo do blues, soul e hip hop, já que esses formaram a cultura negra americana.

Desde Bastardos Inglórios, Tarantino parece buscar fatos históricos, fazendo ficção em cima dela e colocando seus características mais famosas, e aqui ocorre isso mais uma vez. Abordando a escravidão como tema principal e criando um herói de tiros precisos misturando faroeste e drama, Django Livre é um filme instável no fim e com um vilão fraquíssimo - se é que há um vilão mesmo -, sem a genialidade que já presenciamos de roteiros de filmes como Pulp Fiction e Kill Bill, e até mesmo Bastardos Inglórios. Todavia, Tarantino ainda continua a mostrar aquela jovialidade que o motiva desde o começo da carreira, sem medo, de ter um elenco excelente e não ter medo algum de arriscar pois como ele mesmo diz: "não quer envelhecer fazendo cinema".

Indicado ao Oscar em cinco categorias: Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante (Christoph Waltz), Melhor Roteiro Original, Melhor Edição de Som e Melhor Fotografia. Django Livre faz as quase três horas de filme passarem voando com um prazer digno daqueles que sabem fazer e admirar cinema, paixões que ele e seus fãs compartilham. Pode não ser o melhor filme do ano, mas talvez como todos os filmes de Tarantino, é um filme pipoca com todo louvor. Bem daquele rapaz jovem americano que ainda trabalhava em uma locadora.

Curiosidade

Na cena em que o Candie esta berrando com o Django e o Dr Schultz no jantar, ele da um tapa no tampo da mesa e começa a sangrar. Ele da uma olhada rapida para a mão e continua a brigar. Aquilo não foi efeito especial, o Leonardo Di Caprio esmagou um copo acidentalmente e fez um corte feio na mão, ainda sim ele continuou a cena. O Tarantino achou legal e acabou mantendo dessa forma mesmo. =)

Estados Unidos - 2012 - 165 min

Direção: Quentin Tarantino
Produção: Reginald Hudlin / Stacy Sher / Pilar Savone
Roteiro: Quentin Tarantino
Elenco original: Jamie Foxx / Leonardo DiCaprio / Christoph Waltz / Samuel L. Jackson / Kerry Washington

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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