Resenha Game: Darksiders (Xbox 360)

quarta-feira, fevereiro 13, 2013

O roteiro do game segue um caminho apocalíptico e me lembrou bastante Constantine. Aqui você controla War, um dos Quatro Cavaleiros do Apocalipse, e seu objetivo é relativamente simples: ajudar a manter o equilíbrio entre as forças do bem e do mal. Mas ocorre algo de muito errado. War é misteriosamente invocado na Terra que agora tendo um cenário em destruição após ter ocorrido o Apocalipse, é habitado por criaturas que não deveriam estar onde estão. O equilíbrio entre céu e inferno se foi, portanto a humanidade está à beira da extinção. Isto significa que você falhou em seu trabalho, e isto nunca é legal. A partir daí, War começa uma busca para encontrar o responsável por todo o caos, e para desmentir todos os outros que acreditam que foi você que causou tudo isso. É aí que as coisas começam realmente e War se torna perseguido por ambos os lados desta gangorra, tendo de enfrentar anjos e demônios.

Tendo uma fórmula básica de misturar a mecânica de God Of War, com os quebras-cabeças de Zelda, e estilização á la World Of Warcraft (só para citar as características mais óbvias). Darksiders no meio de toda essa "mistureba" consegue se sair bem.

A jogabilidade de Darksiders flui muito bem, salvo alguns pontos básicos que não me agradaram nenhum pouco, como o pulo, em que o meio tempo de tomar impulso e ir no limite do chão é morte na certa, aliados ao dash horrível que tem uma freada desnecessária na animação. O controle por algumas vezes é confuso, como no uso da mira, e no uso da defesa, que tem o mesmo botão da esquiva e exige um tempo certo de ataque adversário para acionar cada função, coisa que torna a defesa praticamente descartável. Após jogar e terminar Bayonetta, senti uma falta absurda de uma jogabilidade melhor, e contra chefes poderosos movimentos tão básicos são indispensáveis. Claro que após um empo de game isso é contornado, porém em chefes onde você tem que usar tudo quase ao mesmo tempo, isso volta a se tornar confuso. Mas salvo tais defeitos e mancadas, de resto tudo é muito simples e gostoso, e com poucos botões é possível fazer diversos combos agradando a aqueles jogadores que querem somente uma boa pancadaria a aqueles veteranos no gênero. Entretanto o game não é só pancadaria, tendo puzzles à la Zelda que tipicamente quebram a cabeça até o ponto de você resolver e achar um estúpido de tão óbvio, eles vão aumentando a dificuldade a medida que você vai avançando no game

No sistema de skills do game, o jogador obtém três tipos de almas: Currency (dinheiro), Health (energia) e Wrath (mana), que com o comerciante do game se adquire novas habilidades e até mesmo uma arma nova - no caso, a foice. Isto contribui para a diversão do único modo do jogo, que conta com aproximadamente 15 horas de duração. Vale ressaltar que apesar de o game ser linear em sua maior parte, é importante se explorar todo o mapa, não só pelos segredos contidos nos caminhos como baús escondidos, mas para encontrar o comerciante Vulgrim, onde você pode transitar de mundo a mundo - após derrotar Tiamat -, como comprar novas habilidades através adas almas que você adquire.

A dublagem do game aqui não pisa na bola, e entre outros, temos uma presença ilustre. Temos a voz de ninguém menos que Mark Hamill, o Coringa de Batman: Arkham Asylum que aqui encarna The Watcher, o "summon" de War que o protege e até o zomba. Em outras palavras "o Vigia ou Vigilante" que são os anjos descritos nos livros apócrifos de Enoque. O game conta com chefes desafiadores altamente estilizados parecendo que saíram dos quadrinhos (o primeiro chefe Tiamat é um bom exemplo). Tudo isso graças a Joe Madureira que trabalhou muito bem na arte do game, tanto nos chefes como nos inimigos mais simples, nos transportando para um mundo realmente sombrio.

Qualquer mídia, seja cinema, televisão, ou games, reciclam ideias; isso é lei se formos revisitar e refletir sobre a pouca quantidade de obras originais de sucesso que temos - por exemplo no cinema entre as 50 maiores bilheterias, apenas 8 tem roteiros originais. Todaviam obviamente a de games foi, e é, a mais prolífica em estabelecer games de sucesso e vem superando o cinema em roteiros e até artisticamente dado a evolução gráfica deles (vide Far Cry 3 por exemplo). No entanto, muitos mesmo sabendo da reciclagem de ideias, muitos jogadores facilmente criticam games que se aproveitam de tal "escape". Dante's Inferno e Darksiders são os primeiros dois games que vem a mente pela sua similaridade com God of War - sendo que Dante's Inferno é algo absurdo se diferenciando apenas pela sua ótima história.

Por outro lado é certo pensar que felizmente tivemos games que estabeleceram e reviveram um gênero. God Of War é o maior exemplo do hack n' slash, não só pela sua mecânica de combate, como pela sua história bem arquitetada; e se Mario e Sonic estabeleceram jogos de plataforma, não é de todo mal que um game se baseie nisso. É como dizia o Chacrinha: "Nada se cria, tudo se copia", e no fim é isso mesmo se pensarmos na grande maioria dos games. O que é bom, é pra ser copiado em outras palavras.

Dizem que partir do zero é um caminho arriscado se alguém quiser criar uma franquia bem sucedida. Darksiders seguiu por esse caminho criando uma boa história sem surpresas e pegando características ali e aqui com uma mecânica de combate já conhecida. Inegavelmente essa é uma mistura de sucesso certo, e por mais que moralmente produzir um game ou qualquer coisa só buscando lucros seja "errado", o que importa mesmo é que no fim ele divirta pra caramba. E Darksiders, salvo alguns defeitos de por exemplo copiar tanta coisa e não aprimorar absolutamente nada, atinge isso com louvor. Além do fato que é muito legal encarnar um dos Quatro Cavaleiros do Apocalipse! Resta saber após a falência recente da THQ, qual destino tomará essa série que conta até o momento com dois games.

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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