Resenha Livro: A Estrada da Noite (Joe Hill)

terça-feira, fevereiro 26, 2013

Como bom leitor, imagino que você, como eu, tenha dezenas de livros na prateleira e não tenha lido nem metade ou pelo menos não todos. Sempre que você acha que é o suficiente, aparece uma promoçãozinha na internet ou uma chance de ter um livro concorrido e por um preço camarada nas andanças por aí, e lá se vai a grana debitada no cartão. Assim, nessa ânsia consumista numa promoção camarada, que descobri o escritor Joe Hill.

Como chamariz logo vi que ele era filho de Stephen fucking King e como pano de fundo a principal inspiração de Stephen, o horror e o sobrenatural. E isso já serviu pra comprar o livro na hora, claro, o título: "da lista dos mais vendidos do The New York Times" me fez pensar que 90% das pessoas que o leram viram seu parentesco e fizeram a mesma coisa que eu. Porém, ao terminar de ler o livro "A Estrada da Noite", pude constatar que João Riu ganhou meu respeito e puxou todos os genes talentosos de Estevão Rei, e que estar na lista dos mais vendidos no jornal norte-americano é um título mais que merecido.

O livro, como disse, tem o horror sobrenatural como pano de fundo e conta a história de uma lenda do heavy metal, Judas Coyne, ou como preferir Justin Cowzynski, nome que deixou para trás ao se transformar em um famoso astro de rock, tentando esquecer o seu passado. O cinquentão coleciona objetos macabros, na lista tem um livro de receitas para canibais, uma confissão de uma bruxa de 300 anos atrás, um laço usado num enforcamento, uma fita snuff com cenas reais de assassinato... Por isso, quando fica sabendo de um estranho leilão na internet, ele não pensa duas vezes antes de fazer uma oferta. E por 1.000 dólares, o roqueiro se torna o feliz proprietário do paletó de um morto, supostamente assombrado pelo espírito do antigo dono. Afinal, sempre às voltas com seus próprios fantasmas - o pai violento, as mulheres que usou e descartou, os colegas de banda que traiu -, Jude não tem medo de encarar mais um.

Mas tudo muda quando o paletó finalmente é entregue na sua casa, numa caixa preta em forma de coração. Desta vez, não se trata de uma curiosidade inofensiva nem de um fantasma imaginário. Sua presença é real e ameaçadora. O espírito parece estar em todos os lugares, à espreita, balançando na mão cadavérica uma lâmina reluzente - verdadeira sentença de morte. O morto é Craddock McDermott, o padrasto de uma fã (Anna McDermott) que cometeu suicídio depois de ser abandonada por Jude, e que depois de fatos estranhos acontecerem. Jude descobre que o paletó foi mandado com pela irmã de Anna, Jéssica Price, e que o fantasma não entrou na sua vida por acaso e só sairá dela depois de se vingar.

Numa corrida desesperada para salvar sua vida, Jude faz as malas e cai na estrada com sua jovem namorada gótica Marybeth, e durante a perseguição implacável do fantasma, o astro do rock é obrigado a enfrentar seu passado em busca de uma saída para o futuro.

Cheio de referências as bandas e personalidades do rock, como AC/DC, Ozzy Osbourne, Metallica, Nirvana...  no começo a história é um pouco arrastada, mas não demora pra pegar no tranco. Então na verdade, a segunda coisa que você se vê fazendo após começar o livro é acabar não o largando tenso pelo seu desfecho. Com a impressão de um início mais lento, logo fui fisgado pelo o Joe soube como mestre fazer: dividir os capítulos do livro numa forma em que fosse quase que impossível você acabar não lendo o seguinte, numa típica tensão novelística à la The Walking Dead - a primeira referência que vem a mente. E assim foi até que vi que após o primeiro e segundo capítulo lidos dias atrás, pulei para lá pelo décimo de uma vez facilmente. O que só ótimos livros conseguem fazer comigo.

Em qualquer área, seja cinema ou literatura, como história, é fundamental que você acabe se envolvendo com os personagens. Sejam eles carismáticos ou excêntricos, acabar "torcendo" pra aquele cara do livro - se salvar, fazer algo, etc -, é uma sensação única e faz qualquer história se tornar inesquecível. Felizmente é o que vemos em "A Estrada da Noite" com Judas (Jude) Coyne e Marybeth (Geórgia) Kimball. Excêntricos e nem um pouco carismáticos, Jude é um cinquentão solteiro, ex-vocalista de uma famosa banda de rock separada pela trágica morte de dois membros de sua banda, conhecido pelo seu jeito durão e frio; e como típico astro do rock, "dono" da mulher que quisesse. Foi assim nessas andanças que ele conheceu uma boate de striptease a sua companheira sensual Marybeth, dona de um corpo magro e pele branca quase que como neve, o tipo que Jude adorava.

Comparar pai e filho é seria sacanagem, afinal cada um tem um estilo de contar a sua história, com King sendo muito mais detalhista (vide pelo seus livros de quase mil páginas), e Hill sendo muito mais ágil (mas nunca revelando nada além do que precisamos saber) e até cativante para aqueles que não se arriscam a ler livros muito grandes. Claro, a história tem seus pontos clichês como qualquer história que aborda o terror tem, e até por isso mutos podem critica-lo negativamente; além de pelo estilo afastando quem não é chegado em histórias desse tipo. Mas dado ao seu climão cinematográfico, para quem gosta de terror, o livro é um prato cheio. "A Estrada da Noite" é um livro viciante que você precisa ler.

O livro teve seus direitos comprados para a adaptação cinematográfica, mas por enquanto não temos muitas informações sobre isso. Outro livro de Joe Hill - que não demorei nada a comprar depois de ler esse -, "O Pacto", também ganhará as telonas, mas também não tenho mais informações.

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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