Os objetos fantásticos que fazem parte da cultura pop

terça-feira, março 05, 2013


Originários da mitologia, do folclore ou dos contos de fadas, alguns itens mágicos ficaram tão famosos que ganharam vida para além de suas próprias histórias.

1. Argo

“Argo” não é só o nome do grande ganhador do Oscar de Melhor Filme de 2012 – ou da operação de resgate e do filme de ficção científica fake que inspiraram a produção. Na mitologia grega, Argo é a embarcação que partiu rumo à Cólquida (atual Geórgia) em busca do Velocino de Ouro – a lã dourada do carneiro alado Crisómalo. Para completar a empreitada, a embarcação contou com um invejável time de tripulantes – os famosos guerreiros que ficaram conhecidos como argonautas. Entre eles, estavam Orfeu (o poeta que desceu aos infernos), Hércules (filho de Zeus), Laertes (pai de Ulisses), Peleu (pai de Aquiles) e Orion (gigante que, depois de morto, deu origem à constelação de mesmo nome), entre outros. Cada um deles, de acordo com as suas habilidades, cumpriu um importante papel durante a perigosa – mas bem sucedida – jornada.
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2. Excalibur

Chamada em galês de “Caledfwlch”, Excalibur é a lendária espada do Rei Artur. Segundo as histórias medievais e os romances britânicos, o monarca teria defendido a Grã-Bretanha contra invasores saxões no início do século 6. Há mais de uma versão para a história que explica como a poderosa espada teria chegado às mãos do rei. Segundo o poema Merlin, escrito por Robert de Boron no século 13, Artur teria conquistado o trono da Inglaterra ao retirar a famosa espada da pedra onde estava cravada, provando ser digno da coroa – este episódio da história do lendário rei pode ser visto em A Espada era a Lei, animação da Disney de 1963. Outros escritos apontam, no entanto, que Excalibur teria sido ofertada a Artur, quando já era rei, pela Dama do Lago – poderosa sacerdotisa de Avalon.
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3. Holandês Voador

Não se deixe enganar pelo cheiro de rum: o sempre cambaleante Jack Sparrow pode nos ensinar uma coisa ou duas sobre os mistérios dos setes mares. Na franquia Piratas do Caribe, conhecemos o Holandês Voador (Flying Dutchman), embarcação que também põe medo nos marujos da vida real. As lendas sobre o navio fantasma condenado a vagar pelo oceano até o fim dos tempos datam do século 17, mas até hoje surgem casos de quem jura ter avistado a embarcação – o que não é um motivo para se vangloriar. Reza a lenda que o veleiro assombrado navega contra o vento e este revés é considerado um sinal mau agouro.
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4. Caixa de Pandora

O mito de Pandora apareceu pela primeira vez no poema épico As obras e os dias, escrito por Hesíodo no ano 700 a.C. Mais de dois milênios se passaram desde então, mas a história não perde seu charme: segundo a mitologia grega, Pandora recebeu de Zeus um lindo recipiente com instruções simples: nunca abri-lo. Não é preciso ser um Deus do Olimpo para prever que esta história acabaria mal. Tomada pela curiosidade, Pandora acabou abrindo a caixa e de lá escaparam todos os males do mundo. Ops. Ao perceber o problema que havia causado, Pandora rapidamente fecha a caixa, mas tudo que restou nela é Elpis, o espírito da esperança. Apesar da conclusão do mito ser até hoje alvo de debate, a “moral” da história não envelhece: controlem sua curiosidade, crianças.
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5. Pedra filosofal

Não é só nos corredores de Hogwarts que este é um assunto popular. Muito antes de Aquele-que-não-deve-ser-nomeado cobiçar a chamada “pedra filosofal” e ameaçar a vida do bruxo Harry Potter, a lendária substância já fazia a cabeça dos alquimistas. Também não é para menos: acredita-se que a substância seria um “elixir da vida” que, além de rejuvenescer, ofereceria como bônus a vida eterna. Nada mal. Alquimistas acreditam também que a pedra seria capaz de transformar metais inferiores em ouro ou prata – um combo de “longevidade” e “prosperidade” que explica a infindável busca pelo elemento místico. Tentativas para descobrir esse material mágico datam do ano 300 a.C.: o primeiro registro aparece em Cheirokmeta, um dos mais antigos livros sobre alquimia e escrito pelo egípcio Zósimo de Panópolis.
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6. Santo Graal

Se o Papa é pop, o que dizer do Santo Graal? Hoje, ao falar deste artefato, o que primeiro vem à mente é a lenda que atribui poderes divinos ao cálice sagrado que teria sido usado por Jesus na última ceia. Mas, muito antes de Dan Brown tornar ainda mais pop a “versão cristã” associada ao objeto em seu livro O Código Da Vinci, o Santo Graal já estava presente na cultura popular. Sua origem remonta à antiguidade: segundo a mitologia celta, uma vasilha mágica seria capaz de fazer com que os alimentos colocados nela adquirissem sabor daquilo que a pessoa mais gostava, dando-lhe ainda maior força e vigor. A mitologia celta e a ideologia cristã começaram a se misturar no século 12: o escritor francês Chrétien de Troyes associou a lenda do cálice sagrado às lendas do Rei Artur. Feito o link, novas histórias passaram a surgir – e seus desdobramentos continuam pipocando por aí.
Leia também: O que é a lenda do Santo Graal?
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7. Cavalo de Troia

Todo mundo já recebeu um presente de grego, mas dificilmente o (des)agrado teve consequências tão trágicas quanto aquele que inspira a expressão milenar. Para conquistar a fortificada cidade de Troia, os guerreiros da Grécia se valeram de um truque engenhoso: reza a lenda que um grande cavalo de madeira foi ofertado aos troianos como símbolo da vitória. Ganhar a guerra e um presente no mesmo dia? A cidade de Troia comemorou a boa sorte e logo o presentinho foi carregado para dentro das muralhas. Oh-oh. Durante a noite, os inimigos saíram do esconderijo e dominaram as sentinelas, permitindo a entrada dos guerreiros gregos que levaram a cidade às ruínas. Estudiosos acreditam que todo o episódio do “cavalo do pau oco” seria uma criação lendária, que teria aparecido pela primeira vez no poema épico de Homero, Odisseia, escrito no século 8 a.C. Realidade ou ficção, o famoso presente grego entrou para a história.
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8. Mjölnir

Quem é fã de quadrinhos com certeza já ouviu falar de mjölnir, nome que recebe o martelo do Vingador e Deus do Trovão, Thor. Mas talvez não saiba que muito antes de Stan Lee, Larry Lieber e Jack Kirby darem vida ao herói em 1962, o poderoso martelo já era famoso. Segundo a mitologia nórdica, o mjölnir é uma das mais temíveis armas conhecidas. Sua primeira menção data do século 13: em Edda em prosa, livro escrito em 1220 pelo historiador e político islandês Snorri Sturluson, afirma-se que com mjölnir Thor seria capaz de atacar ferozmente qualquer alvo e que sua arma nunca falharia. Além de aparecer nas páginas da Marvel, o objeto é usado como amuleto na forma de pingente.

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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