Resenha Game: Tomb Raider (Xbox 360)

quarta-feira, março 13, 2013

A série Tomb Raider nunca me chamou a atenção. Claro que já joguei, mas porque era me dito que era legal e era um conhecido jogo de aventura para o Playstation 1, nada mais. Nunca gostei da jogabilidade e nunca me envolvi na história o suficiente para que eu gostasse e seguisse a série - talvez nem passar da primeira fase. Mas em 2012 passou o tempo em que ignorava a série, isso aconteceu com o gameplay liberado na internet, e lá sabíamos bem a reviravolta que a série iria dar. Claro que o gameplay é como se fosse o "treino" e só podendo jogar o jogo para dizermos se o resultado valia a pena, e agora em 2013 com o jogo lançado oficialmente lhes digo: vale, e como vale!

Sendo um digno reboot, pois soube muito bem como se aproveitar disso sem perder as características mais marcantes. Temos aqui uma Lara Croft bem mais nova, contando onde tudo começou, da sua ascendência de uma jovem assustada até uma sobrevivente de forte instinto. Tudo começa quando numa expedição arqueológica, o navio onde Lara se encontra, o Endurance comandado por Conrad Roth, é atingido por uma violenta tempestade e parte-se em dois. Lara e outros sobreviventes vêem-se assim abandonados numa ilha tropical isolada chamada Mar do Diabo. Ela acorda dentro de uma gruta junto à costa, junto a outros corpos. Na ilha, Lara tem de encontrar comida e água para sobreviver, lutando contra animais perigosos e tentar descobrir onde estão os outros sobreviventes. Mas logo ela terá que ser mais durona, pois matar pessoas é preciso, e aí voltamos a conhecer a nossa heroína.

Primeiramente digo que esse reboot de Tomb Raider muda qualquer perspectiva que você tinha com a série, seja ruim, boa, ou de desinteresse como eu. O pessoal da Crystal Dynamics, Eidos e da Square Enix talvez tivessem sacado o sentimento que tinha em relação a série, e nessa onda de jogos cinematográficos e grandiosos que temos nessa geração, as aventuras de Lara Croft tomaram proporções dignas de uma real heroína.

Mais humana (mais bonita) e desconhecendo a coragem que tem, o envolvimento que tive com Lara foi imediato. É como se fosse aquelas identificações que temos com os heróis, onde através de sua coragem exprimem da foram mais pura aquilo que gostaríamos de fazer com o mundo. Mas o fato de Lara ser mais humana nesse game, mostra uma característica que não via na tradicional personagem.

Pra mim os verdadeiros heróis tem os medos e angústias, precisam descobrir sua coragem em cruéis necessidades da vida. Talvez por isso a trilogia recente de Batman, Zack Snyder com Watchmen e até a bem humorada saga de Kick-Ass, tenham me agradado tanto. Nada contra aos heróis que tem poderes, pelo contrário, mas como pessoa também quero me identificar com eles de forma mais crível, seja moralmente em decisões que tomaria, ou com a coragem que possa ter se me ver numa situação como essa. Tenho o sonho de voar (quem não tem?), mas um herói como Homem-Aranha sempre acaba tendo um lado especial na memória de cada um. Um herói mortal com dilemas, já me agrada por si só. E assim, só de ver Lara evidentemente com medo e dor, como por exemplo na cut-scene inicial em que ela cai por cima de um espinho, já me agradou logo de início, e tenho certeza que com as mulheres que pensam como eu, muito mais.

E sim cara, ela se ferra muito pelo jogo; e desse assunto já dá pra ter um gancho pra falar sobre os gráficos. Olhar para Lara e ver detalhes tão bem feitos de sangue, suor e sujeira em sua pele, assim como cada fio de seu cabelo, chega a ser fascinante de tão bem feito, assim como o ambiente bem detalhado e lindo demais de se ver. Empregando pela a primeira vez a tecnologia de movimentos num jogo da série, temos a atriz de True Blood, a britânica Camila Luddington interpretando Lara Croft em corpo e voz, e fazendo um ótimo trabalho. Algo que se vê nas vozes de Lara, onde podemos sentir a real emoção que a situação mostra.

A jogabilidade também impressiona por ser simples e dinâmica, e no melhor estilo RPG, sem dificuldades Lara vai adquirindo habilidades que em três categorias, aprimoram resistência, possibilidade de carregar mais munição, e até coletar itens com maior eficiência. Além da parte da personalizações das armas, podendo aumentar sua precisão e munição. É aonde entra o fogo e os sacos com "fragmentos" que dão a pontuação para a personalização delas (fragmentos que poderiam ser mais condizentes com a realidade, já que não dá pra personalizar uma 12 com pedaços de madeira). Num menu simples podendo ser acessado a cada vez que encontramos uma fogueira (acampamento), felizmente são modificações corriqueiras, mas que surtem realmente efeito. E digamos que se você for habilidoso dá pra passar todo o jogo com o arco e flecha. Além de ser a primeira arma de Lara, provavelmente será a primeira que você deixará no máximo de sua personalização, aposto. O único ponto dispensável é a caça. Se em Far Cry 3 isso era fundamental, aqui se torna banal, algo estúpido. A única coisa que você precisará matar são os lobos que te atacam em mata mais fechada.

Algo que me agradou muito foi Tomb Raider fugir um pouco da tendência e ser um jogo semi-aberto. O jogo segue aquela forma de "sandbox", que é ter um objetivo único, mas poder em cada checkpoint - com intervalo curto - explorar outro caminho que normalmente nos leva a uma missão secundária. As missões normalmente se traduzem em encontrar estátuas ou queimar cartazes dando pontos de experiência como recompensa. Isso valoriza bastante o game no seu visual e jogabilidade, já que são missões divertidas de se jogar. E por ter missões bem definidas, não desvia a atenção do jogador mais casual de seu destino final.

A mais nova aventura de Lara Croft é agradabilíssima e gostosa de se jogar, de puzzles bem sacados e sequências de tirar o fôlego. O game tem o enfoque de não ser um jogo nem muito fácil e nem muito difícil, exigindo habilidade e esperteza, mas nada de mortes consecutivas. Bem no estilo de um DMC pra quem jogou, muito agradável, mas não exigindo muito da paciência. Entretanto, apesar de Tomb Raider ser ao melhor estilo Uncharted de sair com a sua tocha na mão e atirar em uns inimigos em um jogo lindo, ele apenas usa Uncharted como sua maior influência, pois Tomb Raider reafirma a importância de ter uma personagem feminina marcante, e a Crystal Dynamics ter feito uma tão surpreendentemente agradável e cativante é admirável. De cara é concorrente ao melhor game de 2013!

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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