Resenha Cinema: Evil Dead - A Morte do Demônio

terça-feira, abril 23, 2013

Todos conhecem o clássico "Uma Noite Alucinante" né? Não? Que tal, "Evil Dead"? Nome do qual fãs como eu preferem chamar o filme de terror de Sam Raimi, porque é um nome legal e porque a tradução de títulos de filmes para o português é tosco desde que filme é filme. Bom, ainda não? Além de te mandar para a locadora ou para as páginas de download procurar o a saga de Ash, imortalizado pelo queixo proeminente Bruce Campbell, vou logo dizer que ver o que Sam Raimi fez nos anos 80 é fundamental para entender o o que filmes de terror são, onde o gore e a violência estapafúrdia dá as mãos com o absurdo e a velha ignorância dos personagens.

Quando ouvi pela internet que "Evil Dead" renasceria para os tempos de hoje já fiquei com um pé atrás. Afinal é remake. E como todo remake corre o maior risco de ser risível (no mau sentido) do que realmente bom. Por outro lado seguiam notícias de que Bruce Campbell e o Sam Raimi estariam envolvidos no projeto, mas como produtores. A direção ficou nas mãos do uruguaio Fede Alvarez, iniciante, assim como Sam Raimi era na época do primeiro Evil Dead.

O fato de antigos elementos chave estarem envolvidos diretamente no projeto só me animou, além de entender que agora tendo um orçamento milionário, Sam conseguiria botar em prática de vez o potencial que a história de Evil Dead teria realmente como filme. É só ver o primeiro Evil Dead para entender o que a série queria entregar e a influência verdadeira dela sobre o terror, porém dado a falta de condições da época, vulgo tosquice, se transformou com o tempo o "Evil Dead" em "Uma Noite Alucinante" de vez. Terror em comédia de certa forma.

E assim foi, dado ao carisma de Ash, que pela tradução do título muitos pensam que existe realmente um terceiro "Evil Dead", quando o terceiro filme é apenas o "Army of Darkness", título que é o original. É um tipo de spin-off, já que da série, a história desse leva só o personagem o o livro demoníaco "Necronomicon Ex Mortis" como base, sendo o resto do filme uma história absurdamente deliciosa como os filmes toscos não conseguem mais fazer atualmente. Indo por essa linha de pensamento em títulos e sub-titulos, "A Morte do Demônio" de certa forma é aquilo que "Army Of Darkness" é, uma espécie de continuação e inspiração.

No filme Mia (Jane Levy) é uma garota viciada em drogas, o que é um fato bem legal do filme, já que as alterações que ela sofre começo são confundíveis com um surto psicótico, fazendo mais crível os burros de seus amigos, principalmente a Olívia, a acreditarem que é só isso - mas é algo do capeta, claro. Continuando, Mia é levada pelos amigos Olivia (Jessica Lucas) e Eric (Lou Taylor Pucci) para uma cabana isolada na floresta, no intuito de realizarem uma longa cura de desintoxicação. Para a surpresa de todos, o irmão de Mia, David (Shiloh Fernandez), rapaz afastado dos amigos e familiares há tempos, também aparece, junto de sua namorada, Natalie (Elizabeth Blackmore). Entretanto, eles são surpreendidos ao descobrirem que a cabana havia sido invadida, e que o porão parece uma espécie de altar grotesco repleto de animais mortos. Lá eles encontram um livro antigo com capa de couro humano em um saco preto amarrado por arame farpado. Bom, qualquer um de nós não se meteria nisso. Mas o nerd que é mistura de John Lennon e Kurt Cobain, é atraído por uma curiosidade como se o anel do Senhor dos Anéis estivesse ali na sua frente, então, Eric resolve abri-lo (senão não teria filme) e além de ver as figuras e anotações, lê as palavras mágicas em voz alta, que são o suficiente para libertar a criatura do mal que causa a porra toda.

Desde o começo tudo é tão familiar que fará os fãs da série lacrimejarem de comoção, porém mesmo sabendo o que esperar, desde o começo o filme já deixa bem claro que apesar de ser a mesma cabana e a mesma floresta, a historia em suma, não é. Por exemplo, se Ash carrega todo o fardo no "Evil Dead" clássico, notem que aqui em cada morte dá-se um gancho para cada um deles ser um pouco dele. Isso nos faz torcer e nos envolver de certa forma com cada um. Em certos momentos pensei que Eric seria essa pessoa, ou David (até pela semelhança com Ash), mas o bom de saber é que não foi nenhum deles. E isso tornou o final ser muito satisfatório, e até absurdo numa mente racional. Tudo isso deixa o filme com uma cara própria, suficiente para se lembrar dele como nos lembramos da versão de Sam Raimi.

Abusando do susto simples e crível, do desespero, das cenas de pura aflição; além da violência e gore desenfreado que fazem o filme ter a sua comédia e seu charme. "A Morte do Demônio" é um remake que foi concebido com tanto esforço para agradar o exigente espectador, que é difícil não se simpatizar com ele. O grande mérito que o diretor teve, é além de levar a sério uma história que já vimos, de tudo tão bem feitinho deu também um gás novo na premissa de "jovens universitários numa cabana", desgastada por filmes seguintes ao longo dos anos, em algo realmente divertido. E sobretudo me fazendo acreditar que uma fita adesiva realmente serve para todos os problemas, ou quase todos, e que arrancar os braços é mais fácil do que parece. Sacou o charme?

Torço para que remakes como esse que souberam se distanciar do original, iluminem a mente daqueles que pretendem reviver "Carrie - A Estranha". A direção de Fede Alvarez em pouco mais 1h30 é curta e direta ao ponto, como um filme de terror deve ser. Porém se não fez "A Morte do Demônio" ser "o filme mais assustador que você já viu na vida" como diz o pôster, no final chega bem perto disso. Já que equilibrou tudo que há de bom no gênero no passado e no presente, fato que é suficiente para achar o filme foda como há tempos não dá pra se achar de um filme de terror (ou horror, que seja). Inclusive há informações de que "A Morte do Demônio" terá uma continuação, e seria realmente divertido ver isso e como Fede Alvarez equilibraria novamente todos esses bons elementos que ele conseguiu juntar. Resta saber como.

Evil Dead - EUA, 2013 - 91 min

Direção: Fede Alvarez
Roteiro: Fede Alvarez, Rodo Sayagues, Diablo Cody
Produção: Sam Raimi e Bruce Campbell
Elenco: Jane Levy, Lou Taylor Pucci, Shiloh Fernandez, Jessica Lucas, Elizabeth Blackmore, Jim McLarty, Lorenzo Lamas, Rupert Degas, Phoenix Connolly

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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