Resenha Cinema: Homem de Ferro 3

segunda-feira, abril 29, 2013

Robert Downey Jr. é Tony Stark, Tony Stark é Homem de Ferro; mas acima de tudo o Homem de Ferro é Tony Stark, e o terceiro filme da franquia fez questão de nos relembrar isso.

O herói que era tido como secundário na Marvel, foi o início de todo esse universo de filmes, e hoje ganhou a estrela maior. Isso graças a boa direção de Jon Favreau e principalmente ao carisma de Robert Downey Jr. que não só nos entregava uma boa atuação, além de uma aparência parecidíssima com Tony Stark; mas sua fama, sua personalidade e sua capacidade de atrair confusões se confundiam com o personagem criado por Stan Lee. Prova é que a principal estrela que todos queriam ver nos Vingadores era o Homem de Ferro, assim como no contra-cheque de Downey Jr. que foi de apenas 50 milhões de dólares.

Costumo dizer que nunca houve antes (pelo menos não lembro) um ator que se confundia tanto com a sua arte. Dados esse pontos, é inegável que dos filmes da Marvel o Homem de Ferro de longe foi o mais carismático, e talvez graças ao sucesso dele, temos uma bem-sucedida e entrelaçada trama nos filmes do universo da Casa das Ideias. 

De 2008 na sua estreia, passando pelo genérico segundo filme, e passando pelos Vingadores aonde Tony deixou a honra de ser líder para o Capitão América. A Marvel perdeu Jon Favreau para a direção do terceiro filme da franquia, mas na verdade ganhou muito com isso. Depois de genérico segundo filme que até era bom e mantinha o ritmo de humor pelo qual o personagem ficou caracterizado, no final das contas concluíamos que a série precisava de uma fôlego novo, e coube ao desconhecido Shane Black a missão de recolocar Tony Stark novamente em dias melhores. 

O terceiro filme da franquia tem como base o arco "Extremis" dos quadrinhos, escrito por Warren Ellis entre 2005 e 2006 na HQ do super-herói. Na trama, a nanotecnologia Extremis, criada pelo geneticista Aldrich Killian (Guy Pearce), cai nas mãos do terrorista Mandarim (Ben Kingsley), que ameaça criar um exército de combatentes modificados.

A trama entrelaçada dos filmes Marvel deve se intensificar na fase 2, da qual Homem de Ferro 3 faz parte e inaugura essa fase, e aqui vemos Tony Stark continuando a ser o mesmo gênio, playboy e filantropo que já vimos, mas a fase com os Vingadores o afetou psicologicamente. A experiência com o buraco de minhoca causou ataques de ansiedade e insônia. Nessas horas e dias sem sono, Stark se diverte sendo o que é, um "genioso mecânico" e é assim que um exército de armaduras surgem e aparece a Mark 42. 

Enquanto isso um terrorista chamado Mandarim causa confusões do barulho com vários atentados ao redor do mundo, e em um desses atentados o grande amigo e ex-segurança de Stark, Happy Hogan (Jon Favreau) é atingido e entra em coma. É aí que Tony se enfurece de vez e o chama pra um duelo em sua casa em Malibu. Péssima decisão como obviamente é, ele tem sua casa com Pepper Potts destruída - como pudemos ver no trailer. Ferrado como nunca, Stark tem que lidar como desafios e sua inteligência sobrepondo a sua tecnologia.

Mais focado no lado humano como você já pode perceber, a direção e o roteiro de Shane Black deu um novo ritmo a série. Claro que o humor continua afiadíssimo, mas uma das características além de tudo que aconteceu em Nova York, é o que o torna "menos herói": as coisas realmente podem dar errado. Como Stark se ferra aqui! E isso tornou o humor que já era parte forte do personagem, ficar ainda melhor no terceiro filme (aprenda Homem Aranha!).

Agora com sua mansão destruída e a milhares de quilômetros do acontecido, agora Stark se vê no gelado Tenessee protagonizando cenas patéticas (no bom sentido claro) puxando sua pesada armadura pela neve, ou com ela (mais a frente no filme) sendo obrigado a descer as escadas pela falta da capacidade de voo. Como um Max Payne ou James Bond da vida, Stark até invade uma casa sorrateiramente e constrói armas simples feitas em supermercado, tudo enquanto sua armadura está danificada. 

Jarvis e Stark criaram uma nova tecnologia que permite a Stark com pequenos implantes em sua pele, "chamar" suas armaduras para si com simples movimentos. E é assim que Stark se safa de muitas e é aí que os efeitos especiais dão realmente a cara no filme fazendo a alegria de muitos como eu. Lembram do exército que falei que Stark criou em seu tempo livre? Graças a tudo isso o final do filme ganha um clímax jamais visto, com Stark e Coronel James Rhodes/Patriota de Ferro participando, me fazendo levantar da cadeira e correr em círculos no cinema.

A trama em si é mais bem feita do que nos outros dois filmes. Continuando a ser palatável e facilmente cativante como nos filmes anteriores, a trama agora ganhou aspectos de relacionamento mais fortes, o que fez Pepper Potts ganhar mais importância e agora fazer realmente diferença na trama do filme, por exemplo. 

E no que diz respeito ao vilão, que ao contrário dos outros dois filmes tínhamos uma "desculpa" tecnológica e a simples premissa de superar a essa tecnologia e riqueza de Tony Stark, agora desde o começo somos envolvidos pelo passado e futuro de Aldrich Killian e Maya Hansen (Rebecca Haal) e pelas boas e más consequências que a "Extremis" traz. O que nos causa questionamentos do nosso futuro em que tais tecnologias podem ser muito nocivas em mãos erradas. O bom é que esse não é o único questionamento, Homem de Ferro 3 aflora o lado político que o primeiro filme tinha como pano de fundo e que segundo filme do Homem de Ferro terminou por ignorar totalmente. 

Esse lado político influi diretamente na trama, e Mandarim com seus discursos bem ensaiados e bem pensados, chega para botar de vez os seus dez aneis na ferida e mostrar o quão nocivos a política americana pode ser. Como o ódio pelo país deu origem aos ataques às Torres Gêmeas até ao recente ataque em Boston. Não só por causa da empáfia e arrogância de o país se achar salvador, usando isso como desculpa para passar por cima das leis trajadas em um "benefício maior"; mas também o descaso com vazamentos de petróleo e criação de lobbies numa política suja e escusa visando favorecer apenas alguns grupos ou indivíduos, e como tudo isso vai levar o país a continuar sofrendo nas mãos de Bin Ladens e Mandarins.

Pena que certos furos de roteiros enormes atrapalham o filme. Como o Mandarim consegue ser tão bem construído pra se revelar uma farsa? Como a Mansão Stark poderia estar tão vulnerável no ataque? E mais, como o Patriota de Ferro ignoraria assim a suposta morte do amigo? Bom, talvez com a adição de certas explicações teríamos uma duração maior do filme, mas isso seria bem vindo.

No final do filme Stark diz que é um homem renovado. Sim, a partir de agora temos um herói renovado (mesmo!). Resta saber se o contrato de Downey Jr. que é por três filmes tomará o mesmo caminho. Tomara que sim, porque Robert Downey Jr. é mais do que nunca Tony Stark.

  • Ah sim, antes que me esqueça o Stan Lee aparece mais uma vez e essa cena é tão rápida quanto ridícula. 
  • A cena pós-créditos apenas apela pro lado humorístico
  • O 3D é convertido, mas nada necessário - assim como esse recurso.

Iron Man 3 - EUA , 2013 - 130 min.

Direção: Shane Black
Roteiro: Shane Black, Drew Pearce
Elenco: Robert Downey Jr., Guy Pearce, Ben Kingsley, Gwyneth Paltrow, Rebecca Hall, Don Cheadle, Jon Favreau, Stan Lee

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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