Resenha Filme: O Hobbit - Uma Jornada Inesperada

quinta-feira, abril 11, 2013


Daria quase um livro se fossemos narrar passo a passo a novela que foi para o lançamento do filme baseado no livro de J.R.R Tolkien: "O Hobbit". Foram diversos boatos e notícias de trocas de diretores, sem contar os processos que rolaram sobre a pré-quência de "O Senhor dos Anéís", envolvendo Peter Jackson, o studio New Line, a desistência de Guillermo Del Toro, e problemas financeiros da MGM. Porém assim como nas histórias de Tolkien, á espaço para um final feliz, e foi assim que em dezembro de 2012 chegou aos cinemas aqui do Brasil "O Hobbit: Uma Jornada Inesperada".

Para versar os não-versados, "O Hobbit" se trata da história de Bilbo Bolseiro - aquele mesmo - que acontece sessenta anos antes da mostrada em "O Senhor dos Anéis". Num belo dia Bilbo recebe a visita de Gandalf que procura um hobbit corajoso (e ladrão) para encarar uma aventura sem precedentes. Então Bilbo numa bela e despreocupada noite, do nada ele recebe a visita de treze fanfarrões anões e de um mago que animava as festas da região. A treta que Bilbo se vê, é que os anões foram expulsos de seu reino pelo maligno dragão Smaug e agora eles precisam de um ladrão para completar um time de quinze, e chutar algumas bundas flamejantes. Obviamente, o senhor Bolseiro será o 15º.

"O Hobbit" é um livro infantil lançado originalmente em 1937. Admito que não o li, aliás nem esse e nem a sua incidental sequência mais famosa: "O Senhor dos Anéis". Mas conheço gente que leu tudo de Tolkien, e entre fóruns e debates, conclui que a opinião parece ser unânime quando dizem que "O Hobbit" é muito mais agradável e divertido do que "O Senhor dos Anéis". E a impressão é exatamente essa ao assistir o filme. Bem mais leve e divertido que "O Senhor dos Anéis", esse que tem um lado bem mais sério e carregado - e nem podia ser diferente. Em "O Hobbit" é como se fosse aquela primeira parte de "A Sociedade do Anel" em Moria: tranquila, charmosa e divertida. Só que ao desenrolar da aventura, essa despreocupação não se perde em nenhum momento, nos deixando transparecer que o livro é realmente infantil - com culhões, claro.

Passaram-se um pouco mais de dez anos desde o lançamento do primeiro filme da trilogia "O Senhor dos Anéis", e comparando com "O Hobbit", logo percebemos como esse filme era visualmente espetacular para a época. A tecnologia não era obsoleta, longe disso, mas falamos de dez anos de diferença. e dez anos hoje em dia são como se fossem cinquenta dado aos avanços gráficos que temos. Já em "O Hobbit", com um Gollum mais expressivo do que nunca, vemos que aquele mundo que Peter Jackson nos apresentou na telona, simplesmente não mudou, e sim nos deixa impressionados em o quanto conseguiu melhorar o que já era quase perfeito. Tudo está lá tão detalhado e tão belo quanto conhecemos, sejam os detalhes em locações, como graficamente. Aliás, mal posso acreditar que as filmagens foram feitas na terra, mais precisamente na Nova Zelândia. Prova de que há lugares tão lindos que nem fazemos ideias de que existam. =)

Originalmente idealizado como apenas um filme, a ideia se expandiu (e os olhos gordos de gananciosos financeiros e chefes de família), e o que era pra ser dois filmes, Peter Jackson transformou em três partes. Com a segunda "A Desolação de Smaug", estreiando no final desse ano, e "Lá e de Volta Outra Vez" para 2014.

Sinceramente não li o livro, assim como não li os três livros do "O Senhor dos Aneis". Então para ser coerente, não vou ficar aqui falando se essa extensão de "O Hobbit", é necessária para a melhor adaptação da obra, ou apenas uma forma de lucrar mais com o universo grandioso que Tolkien criou; mas em vista dessas notícias tinha uma certeza: "In Peter Jackson we trust!". Sim, andava temeroso de que um livro com um pouco mais de 300 páginas fosse virar uma trilogia, mas ao terminar de ver o filme pude constatar de que não houve decisão mais acertada (pelo menos por enquanto).

O desenvolvimento foi bem feito, apesar de um começo que é meio arrastado confesso. E apesar de suas três horas (me fazendo pensar que a turma de Peter Jackson é incapaz de fazer algo mais curto) o filme é muito gostoso de se ver no final das contas. Tudo regado a muito humor fanfarrônico com um bom Blind Guardian de fundo, "O Hobbit" engrena de vez na segunda metade, onde Bilbo, Gandalf e os anões chegam a Valfenda e se metem em confusões do barulho com o Gollum finalmente aparecendo - momento esse que muitos esperavam. 

São recorrentes as más adaptações de diversas obras em Hollywood e tenho impressão de que Peter Jackson nasceu para dirigir as obras de Tolkien, pois talvez em outras mãos os livros não teriam sido tão bem adaptados agradando tanto a crítica. Jackson afirmou que: "A exploração da Terra Média de Tolkien vai muito além da experiência cinematográfica normal. É uma viagem de imersão total em um lugar muito especial, onde reinam a imaginação, a beleza e o drama". Dizem que o filme parou no capítulo seis do livro, daí fico pensando em o que vai restar lá pro terceiro.  Torço pra que não pareçam sobras daqui pra frente. Todavia, o terceiro filme será baseado nos apêndices da história que Tolkien escreveu na traseira de "O Retorno do Rei", então podemos esperar mais coisa legal.

Felizmente o mundo não acabou, e assim pudemos ver "O Hobbit" que honra toda e qualquer exigência que poderíamos ter, sendo um legítimo retorno a terra-média que tanto aprendemos a gostar. Agora que venha a aguardada sequência que tem lançamento previsto para apenas dezembro de 2014. Até lá é ver e rever, e assim como foi a minha relação com "A Sociedade do Anel", aprendi a gostar do filme cada vez que o via novamente. 

EUA / Nova Zelândia - 2012

Direção: Peter Jackson
Produção: Carolynne Cunningham / Zane Weiner / Fran Walsh / Peter Jackson
Roteiro: Fran Walsh / Philippa Boyens / Peter Jackson / Guillermo del Toro
Elenco original: Ian McKellen / Martin Freeman / Richard Armitage / Andy Serkis / Benedict Cumberbatch

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

Você pode curtir também

0 comentários