Resenha Game: Donkey Kong Returns (Wii)

segunda-feira, abril 01, 2013

Pois é meninos, meninas... e os dois ao mesmo tempo. Eis que nesse feriadão meu amigo me surpreende e me traz um Wii pra casa.

Desde sempre o console era minha meta de consumo. Fora da onda dos gráficos altamente estilizados e mecânica de jogo cinematográficos que já experimentava através da caixa da Microsoft, ainda levo comigo -  e acredito que grande parte daqueles que tem seus vinte e poucos anos - aquele puritanismo de que o vídeo-game vai muito além de gráficos, mas sim de que seu principal objetivo sempre é a diversão e a descontração. Não estou dizendo aqui que você não encontra isso num Xbox ou PS3, mas cá entre nós, a tal descontração você vai encontrar num bom jogo de plataforma como "Donkey Kong" ou "Super Mario Galaxy", e não num "Bioshock", "Heavy Rain", "Alan Wake" da vida. É diferente a sensação que dá um "Need For Speed" de um "Mario Kart". Entende? Concentração as duas partes exigem (como todo bom jogo necessita), mas é bom (e faz bem pros dentes) ver cores e a falta de armas e sangue na tela de vez em quando.

Sim, o Wii é defasado graficamente, tanto que basta o cabo áudio e vídeo que vem com ele para uma boa experiência. Sim, o Wii conta com uma curta biblioteca de jogos. E sim, a Nintendo carrega seus consoles nas costas, graças aos seus personagens exclusivos e ultra carismáticos. E qual o defeito disso? A sensação de novidade que o Wii te proporciona não se compara a nenhum outro console, e isso vem desde a época do Nintendo DS. Coisas simples como balançar o controle ou fazer ele de um volante, instantaneamente te fazem dar um grande sorriso como se o vídeo-game voltasse a ser uma grande brincadeira. Era o que acontecia no DS com o "Wario Ware Touched" ao soprar no microfone pra fazer bolhinhas, ou no "Zelda Phantom Hourglass" que você grita no mesmo microfone pra chamar uma pessoa no outro lado da porta. São pequenos detalhes que fazem a Nintendo ser o que é, e esse pequeno diferencial é a diversão.

Soa Nintendista tudo que eu falei? Ok. Então jogue "Donkey Kong Returns" pra você ver o que é nostalgia. A primeira sensação é abrir o sorriso logo que aparecem os primeiros acordes de suas clássicas músicas, o outro sorriso é ver que o jogo é realmente excelente.

A macacada voltou!

A Retro Studios teve muito carinho aqui. Os gráficos são muito lindos e coloridos, principalmente durante as fases, sem contar o design e desafio das mesmas que é excelente; a decepção ficou em algumas cut-scenes (aquelas que aparecem quando você derrota um chefe por exemplo) que poderiam ser mais bem cuidadas. Claro que não vamos estender muito o assunto em cima disso, já que é evidente que é só olhar pro vídeo-game ao lado pra encontrar gráficos melhores. Mas quem sou eu para ir contra aos números de vendas do Wii?

Outro ponto que notamos ao jogar "Donkey Kong Returns" é que o jogo está bem mais desafiador que as versões anteriores, algo que é muio elogiável, já que hoje em dia com a premissa de englobar um público maior, os jogos acabaram ficando muito fáceis - vide o DmC ou Tomb Raider, que apesar de serem lindos e cheios de novidades, eram em suma, fáceis. Fora o desafio das fases e os barris que exigiam precisão desde aquela época, por exemplo pegar as letras KONG aqui é tarefa difícil e várias delas para habilidosos, algo que era simples nas versões anteriores. Mas não é só isso, é necessário também coletar peças em cada fase e muitas delas bem escondidas. Esses são alguns pontos desafiadores e que exigem muita paciência, para quem se propõe a fazer 100% no jogo, algo que em qualquer Donkey Kong vale a pena.

Os controles são simples (pudera), e você o joga com o Remote para controlar as ações e o Nunchuk para mover o personagem, entretanto isso sim já exige uma prática. Sacudindo o Remote, o DK bate no chão com as mãos, movimento fundamental para encontrar objetos ocultos e principal interação com o cenário; só faltou aquele movimento clássico de o DK pegar o Diddy e jogar para cima ou para os lados, mas não faz falta. "Donkey Kong Returns" é multiplayer como todo jogo do Wii, e mesmo na campanha single player bastando conectar o segundo Remote, com a diferença que o segundo jogador não usa o nunchuck usando o Remote na posição horizontal.

E falando mais sobre o multiplayer, o daqui é realmente o que se pode chamar de multiplayer. Se nos games clássicos da franquia o segundo player limitado a uma posição secundária nas fases ajudando o primeiro player a completar a fase, aqui vale o trabalho de equipe. E como em "Super Mario Bros Wii" é preciso bastante comunicação entre os dois jogadores para um não acabar atrapalhando o outro desnecessariamente. A mancada fica aqui que Diddy na campanha single-player é meramente ilustrativa se limitando a ficar nas costas de DK, o que é decepcionante para quem sabe como funciona a clássica versão do Super Nintendo.

Quartorze anos desde o último Donkey Kong do Nintendo 64, e feito pela Rareware (vendida pra Microsoft em 2002), estávamos carentes do macacão. Claro que tivemos "Donkey Konga" e "Jungle Beat" para preencher o espaço que DK conquistou, mas esses apesar de divertidos, estavam longe daquilo que conhecíamos da série. Mas aí chegou 2010 e a produtora Retro Studios (responsável também pela série Metroid Prime) soube bem a jóia que tinha nas mãos. Em uma franquia adorada, a produtora soube incorporar novidades e soube juntar uma jogabilidade clássica com uma dificuldade na medida que vai agradar a todo mundo, provando que ainda é possível reviver clássicas franquias criando ótimos games com os mesmos elementos de gerações atrás.

E sim, tenha um Wii, vale a pena.

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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