Resenha Single: Black Sabbath - God Is Dead?

quinta-feira, abril 18, 2013

O "Sabão Negro" voltou em 2013! A notícia da reunião em minutos causou comoção nos quatro cantos do mundo, e ainda mais quando foi anunciado que seria gravado um álbum inédito saindo em uma turnê; turnê passando pelo nosso país pela primeira vez. Pois é, é muita notícia histórica em algumas linhas. Realmente valeu a pena o mundo não ter acabado no final do ano passado!

A aqueles que dizem que o rock'n roll está morto. Me desculpe estragar a torcida de vocês, mas esse nunca morrerá. Sobreviverá não só graças as bandas de antigamente, mas em todas as mentes que os acordes dessas clássicas guitarras com seus riffs de um Tony Iommi permearão. Sobrevive em cada guitarrista e cada banda que se arrisca, seja fazendo covers ou gravações próprias, seja em reproduzir sons que se fazem valer a pena. Não falo do mainstream, afinal o que faz sucesso é mais palatável, sempre foi. E o Black Sabbath em suma, nunca foi assim. Porque então se falaria que o rock está morto?

Já em "God Is Dead?" Ozzy faz esse questionamento em sua letra sobre a disputa de Deus e o Diabo: "Estou perdido na escuridão", "Não acredito que Ele esteja morto". O single é referência clara ao filósofo Fredrich Nietzsche em sua citação mais famosa que disse:

"Deus está morto! Deus permanece morto! E quem o matou fomos nós! Como haveremos de nos consolar, nós os algozes dos algozes? O que o mundo possuiu, até agora, de mais sagrado e mais poderoso sucumbiu exangue aos golpes das nossas lâminas. Quem nos limpará desse sangue? Qual a água que nos lavará? Que solenidades de desagravo, que jogos sagrados haveremos de inventar? A grandiosidade deste ato não será demasiada para nós? Não teremos de nos tornar nós próprios deuses, para parecermos apenas dignos dele? Nunca existiu ato mais grandioso, e, quem quer que nasça depois de nós, passará a fazer parte, mercê deste ato, de uma história superior a toda a história até hoje!"

Hoje o Sabbath está de volta e está mais forte do que nunca, e "God Is Dead?" é o primeiro indício do que está por vir e quem diria, para mim e para muitos, resgatando Ozzy de um caminho meio que interminável pela metal sem graça e mesmice.
É correto afirmar que nunca achei Ozzy um grande vocalista; assim como o Iron Maiden é uma banda super-estimada e o Kings of Leon enche o saco. Mas antes que você me coloque no fogo e faça magia negra contra trinta gerações da minha família, é importante você compreender uma opinião bem básica que tenho. Se você abrir a mente e perceber bem que "uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa" (como diria o grande filósofo do bar da esquina) e que há grandes vocalistas por aí ontem e hoje, perceberá rápido que Ozzy nunca foi um cantor, nem de perto. O que chama a atenção, além do seu visual e de sua contribuição inestimável para o gênero que ele e sua banda ajudaram a criar, é simplesmente sua voz; o impacto que ela causa juntamente com a música do Black Sabbath e não separado da mesma. Aí vem o que disse da tal mesmice que citei em sua carreira solo. Há grandes músicas em sua carreira, mas não tem como se comparar com a sua obra como vocal do Black Sabbath. Simples assim. A voz de Ozzy funciona com a guitarra de Tony Iommi.

E é essa simbiose única que se mostra logo de cara nesse primeiro single, como se só bandas clássicas como o Black Sabbath fizessem sobreviver o som de baixistas como Geezer Butler, o que não se encontra nas bandas de metal atuais onde se esconde cada vez mais o baixo não importando a situação. É inquestionável que logo nos primeiros acordes de Iommi e nas primeiras palavras cantadas por Ozzy, não se sinta aquele arrepio sabendo que logo virá algo épico.

Infelizmente nessa reunião devido a divergências - das quais não vou me estender citando -, o baterista da formação original Bill Ward não participou. Lembram da simbiose que falei? A saída de Bill Ward foi como uma engrenagem faltando, porém o ex-baterista do Rage Against The Machine, Brad Wilk, tomou suas baquetas e se não empolga (não mesmo), não decepciona a ponto de causar desilusão. Tem tudo para dar certo por todo o álbum, mas claro, é bom esperar e imaginar porque fizeram essa escolha. Assim como é bom citar que fez muita falta um solo de Iommi nessa música... mas nesse quesito melhor seguir o mestre.

Resumindo, sendo menos fã e avaliando "God Is Dead?" de forma mais critica. É comovente ouvir os acordes de Iommi junto com a voz de Ozzy e o baixo de Butler, porém é bom esperar pelo que virá do álbum. "God Is Dead?" não é espetacular, mas está a anos luz de ser "qualquer coisa". É o suficiente para ser excelente, deixando ainda mais empolgado aquele que como eu espera ansiosamente por "13".

São 35 anos de nada inédito desde "Never Say Die" mas alguns meses de espera para o intitulado "13", décimo-nono álbum da banda, que tem lançamento agendado para 11 de junho com as músicas anunciadas:

  1. End of the Beginning
  2. God is Dead?
  3. Loner
  4. Zeitgeist
  5. Age of Reason
  6. Live Forever
  7. Damaged Soul
  8. Dear Father

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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