Considerações sobre a próxima geração dos vídeo-games

quinta-feira, maio 23, 2013


Li muito sobre os anúncios das empresas, e se o Wii U sofre pela escassez de jogos e o PS3, na minha visão, deu maior foco a eles, o Xbox One foi total decepção. Não só em questão dos jogos, mas em questão da filosofia.

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Com certeza você emprestava jogos. E o que dizer agora do anúncio da Microsoft em que não se é mais possível emprestá-los livremente? De acordo com ela mesma, cada jogo terá associação a sua conta do Xbox Live, logo, assim que você emprestá-lo a outra pessoa, essa terá que pagar o equivalente ao valor do Blu-Ray físico para jogar também.

O Kinect obrigatório achei bem compreensível, afinal, faz parte da proposta do mesmo; além do fato de que ele ganhou um fôlego muito bem vindo de funcionar em espaços menores, já que nem todo mundo tem uma sala grande pra se mexer naquilo. Mas a Microsoft fez aquilo que eu, a muito tempo atrás, pensava que ela poderia fazer quando ela entrou para a guerra: transformar seu console em um "faz tudo". Ela desmentiu aquele boato de que o console terá que ficar ligado na internet, entretanto a diversidade de conteúdo conectado transformando o console num tipo de Netflix diz o contrário. Além da possibilidade inútil de ficar alternando da TV pro jogo.

Será que isso é tão genial quanto parece?

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Ao contrário da geração atual, a Sony sai na frente pois parece dedicar o seu console mais pra aquilo que foi inventado: os jogos. O controle teve poucas alterações a exemplo de seu rival, mas a empresa deu mais atenção a eles, e isso pareceu mais simpático. A integração online pareceu mais agradável e as possibilidades de compartilhamento de conteúdo me pareceram mais... úteis, e (até agora) a conexão não se tornou nem de perto obrigatória aos olhos de quem quer só jogar um game; enfim, se pareceu abrir um leque maior. É sem sombra de dúvidas o lançamento mais tranquilo até agora. Tem uma vasta gama de jogos e os exclusivos são um grande ponto forte do console, assim como seu antecessor PS3 foi.

Mas se tratando dos dois consoles, isso é apenas um ponto de vista inicial, já que eles nem foram lançados e trabalhar um conteúdo online demanda tempo.

Wii U: A Nintendo mais uma vez amarga o fracasso?

Saudosismo e tradição. É aí onde penso que a Nintendo com sua teimosia sai ganhando no meio de tanta polêmica e integração que no fundo não quero. Vejam o fantástico exemplo do Wii, apesar de sua tosquice em fazer remakes de diversos jogos como "House of the Dead" e "Fatal Frame", ou relançar jogos do fracassado GameCube como "Donkey Konga". Porém jogos como: "Super Mario Galaxy" e "Donkey Kong Country Returns" te fazem pensar em comprar o console. E confesso que a experiência te fará ter a mesma ideia que eu.

O saudosismo aí bate mais forte e a Nintendo sabe muito bem trabalhar isso, sabe que esses personagens fizeram parte da infância de 99% dos gamers, e ninguém como ela sabe trabalhar o seu console a seu favor. Vide o Nintendo 64. Se faltam jogos, jogar Wii é uma experiência tão legal como mergulhar em uma piscina de chocolate ou comer lasanha todo os dias. Só que aí veio a nova geração, e na tentativa de inovar como o Wii conseguiu, a Nintendo se viu uma sinuca de bico e concebeu o Wii U.

Tendo sido o primeiro console da nova geração ao ser anunciado e lançado, dá pra ter um ponto de vista bem melhor. A ideia da Nintendo é boa, tentou continuar o que deu tão certo: de atrair os jogadores casuais. Mas se eu sou um jogador casual, a primeira coisa que vou pensar é ficar com meu Wii. Oras, não vou querer um controle parecendo um tablet. A possibilidade de interagir diretamente com a tela é uma bela sacada, porém graças a teimosia da Nintendo, é mal executada. Tanto que penso que se deixassem, a Nintendo estava ainda na época dos cartuchos.

A "soberba" de lançar um hardware muito abaixo do que está sendo produzido pela concorrência, e pensar que seu público e seus personagens vão dar conta do recado sempre, é um pensamento pequeno. Além do fato de de a empresa fazer propaganda do Wii U no Wii no inbox, soou tão ridículo quanto um recurso. Não é atoa tantas produtoras estarem pulando fora do barco ou negando completamente a possibilidade de adaptar os títulos pro console.

A indústria mais rentável e mais cara 

Por ouro lado, esse pensamento é diretamente ligado aos preços. Pra mim o Blu-ray não foi adotado só pela sua capacidade, mas também pela sua difícil falsificação (se é que é possível) e assim dando um retorno mais garantido as produtoras. E sabemos bem que produzir jogos é cada vez cinematográfico e caro, e demanda mais pessoal do que você pode imaginar. Imagina pagar todo mundo e ter retorno? Além dos componentes usados no hardware. Então pensando bem, as coisas parecem justas pra mim.

Ok, sei que você pensou isso. A Nintendo é uma grande mão de vaca por lançar um console defasado e viver de suas próprias franquias? Sim e não. Ela é de uma outra cultura. E sabemos bem que o Japão, por mais que tenha um internet monstro, preza mais por tudo que estou falando: a diversão, do que os EUA. Talvez seja meio confuso, mas é aí que o jeito da Nintendo trabalhar com pouco pró-diversão vem.

Mario é insuperável. E para mim só ela sabe fazer os bons e velhos jogos de plataforma como ninguém.

Conclusão

Sei lá, tenho 24 anos e posso ser considerado de uma velha geração, não só porque os avanços tecnológicos são cada vez mais dinâmicos, mas porque sou um cara velho que ia a banca comprar revistas de vídeo-game, da época em que o Kinder Ovo custava 1,00 e o passe de ônibus ser em papel e valer 50 centavos...

Por mais que na minha cabeça uma nova geração não era tão necessária como parecia, tanto que o suporte de produtoras como a EA vão até 2017 no PS4 e Xbox 360, eu entendo também que a tecnologia tem outro avanço que em outras épocas não tinha. E se Hollywood abusa das sequências, porque os games não que já fazem isso em seus jogos, não iriam fazer isso também com seus consoles, não é mesmo?! Pobres de nossos bolsos!

O Mario continuará sempre sendo o expoente maior, mas hoje franquias como "Call of Duty" até um "Assassin's Creed" tomaram os holofotes; porém ao contrário do que você talvez pense, não quero pregar saudosismo exacerbado. Deve-se haver evolução, sempre. Por causa dela os jogos se tornaram tão divertidos e cada vez mais imersivos, tanto que em muitos casos é melhor jogar um "Bioshock" ou "Far Cry" do que ver um filme de Hollywood. Deve-se integrar a internet quanto for possível, é interação sempre, vide a mania dos jogos on-line. Mas eu como consumidor, quero jogar acima de tudo.

Não me interessa o que eu posso fazer num vídeo-game além de poder jogar um game legal, e isso está se perdendo aos poucos com o tempo. Agora com a nova geração de vídeo-games tendo sido revelada completamente ontem com o Xbox One, é uma boa oportunidade de analisar os consoles, e os prós e contras de uma geração em que eles cada vez mais viram produtos multimídia. Será que o vídeo-game virar o centro da sala é o caminho? Ou será que pra você tudo que eu disse é besteira? Bom, só sei de uma coisa: o seu bolso deve ser preparado!

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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