Resenha CD: Stone Sour - House Of Gold And Bones Part II

segunda-feira, maio 27, 2013

A medida que envelheci - e acho que muios vão concordar comigo -, deixei de lado aquele ímpeto adolescente de ouvir aquelas bandas mais evidentes no cenário musical. O rock evoluiu e tomou outras cores pra mim (mais negras no caso), e nesse meio tempo bandas que tinham o aquele apelo emocional capaz de contagiar, passaram a ser apenas escapes de compartilhamento, caso de um Iron Maiden. Ou com o conhecimento mais vasto, simplesmente deixei de achar aqueles "rock foda" nada foda assim, caso de um pobre Linkin Park.

No caso de um Slipknot não é nenhum desses casos específicos, já que a banda ainda me desperta interesse. Mas se antes achava aquele bando de músicos e batedores de lata legais, agora estou mais pra achá-los "normais". O show deles no último Rock In Rio continua sendo um expoente pra mim de um bom show e do quão impactante ele pode ser, e é daí que passo a achar a banda só fator de diversão e entretenimento.

Com esse conhecimento musical dentro do rock mais vasto e uma cabeça mais aberta, o Stone Sour se enquadrou. Claro que a banda alternativa do vocalista Corey Taylor e o guitarrista Jim Root não reinventa a roda, longe disso, mas a medida dos anos ela ganhou mais cara de banda e o resultado está nessas duas partes "House Of Gold And Bones". A primeira parte já resenhei aqui no Descafeinado, então justo é resenhar também a segunda, não é mesmo?!

Mais sombrio e pesado que sua primeira parte, e assim mais experimental, o Stone Sour se mostra com uma evolução, mas sem desgrudar de seus refrões grudentos e mais comerciais calcados num hard rock. A diferença já começa na sombria e pesada abertura com "Red City" e passa por ótimas faixas igualmente pesadas como "Pekinpah" e "Gravesend" bem longe do que estamos acostumados a ver de Corey no Slipknot. Já mais próximo do que estamos acostumados a ouvir do Stone Sour temos a faixa-título "The House of Gold and Bones", as baladas "The Conflagration" e a "Uncanny Valley". Na experimentação até um espaço pra lembrar um Muse vagamente na "Red John", e na "Do Me a Favor" com um refrão alegre e mais hard.

Ao longo dos anos claramente Corey Taylor passou a dar um jeitinho, até no Slipknot, de explorar sua voz usando linhas mais limpas. Bom, se a banda nos entrega um bom álbum, Corey nos entregou uma ótima atuação com sua voz. Assim como Jim Root bem mais solto e com riffs bem diversos; e como ele próprio já declarou: musicalmente, como guitarrista, ele prefere suas músicas no Stone Sour.

Como já deixei claro, o Stone Sour não é reinventa a roda, e nem é necessário fazer isso para ser relevante; ainda mais porque em mais de meio século de rock fazer tal proeza é digna de poucos. Sem deixar aquele gosto de "já ouvi isso antes" mostrando uma clara evolução do último e chato "Audio Secrecy", o Stone Sour se sai muito bem dentro da proposta alternativa e moderna que a banda tem, trazendo novidades muito bem vindas ao seu som.

Claro que cada uma das bandas que citei tem uma proposta bem clara, e por isso seria injusto ficar dizendo aqui que uma é melhor que a outra. Mas para aqueles que como eu preferem um som mais rico musicalmente, o Stone Sour é uma ótima alternativa, principalmente para os que procuram o meio termo entre o metal e algo mais comercial.

Tracklist
  1. "Red City" 4:39
  2. "Black John" 4:02
  3. "Sadist" 5:07
  4. "Peckinpah" 4:11
  5. "Stalemate" 4:47
  6. "Gravesend" 4:41
  7. "‘82" 3:42
  8. "The Uncanny Valley" 4:01
  9. "Blue Smoke" 2:07
  10. "Do Me A Favor" 3:44
  11. "The Conflagration" 4:55
  12. "The House Of Gold & Bones" 4:45

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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