Resenha Filme: ParaNorman

sábado, maio 11, 2013

Não que ache a técnica computadorizada e mais tradicional menos digna, aliás para mim o que vale mesmo numa animação é o roteiro, e principalmente em tempos que essa forma de cinema é tão difundida a ponto de ter uma animação a cada mês no cinema praticamente. Mas o stop-motion tem um charme inigualável e isso não dá pra negar. Pra você ter uma ideia do trabalho que dá, foram construídos 28 bonecos de corpo inteiro de Norman e cerca de 8.800 rostos diferentes. Com isso era possível criar aproximadamente 1,5 milhões de expressões faciais com o personagem!

Em ParaNorman, um menino de 11 anos chamado Norman Babcock, passa a maior parte dos seus dias na frente da tv apreciando detalhes de filmes de terror e estudando crenças sobre fantasmas. Mas Norman não é só uma criança "esquisita" só por isso, ele sempre teve a habilidade de ver e falar com os mortos, como a sua amada avó, e por ter revelado isso a sociedade em que ele vive, é caçoado por isso. No colégio, principalmente pelo valentão Alvin, e em casa por sua irmã e pelo seu pai (com sua mãe tentando ser compreensiva com isso).

Num belo dia Norman é contatado inesperadamente por seu estranho tio Prenderghast, um tipão mendigo que no fim não é tão louco assim, que recita um livro no túmulo da bruxa com o objetivo de conter a maldição de séculos da mesma. Só que nesse meio tempo seu tio tem um treco e morre com o livro nas mãos, e agora como fantasma revela a Norman de que a maldição de séculos da sua cidade de uma bruxa queimada viva é verdadeira e está prestes a se tornar realidade, e que só Norman é capaz de impedir que zumbis que caminham sobre a terra atinjam o povo da cidade. 

Dos mesmos produtores de Coraline e o Mundo Secreto, a animação se propõe também a dar alguns sustos aos mais pequenos, mas com um suspense verdadeiro e um roteiro conciso cheio de críticas sociais sem parecer pregação. Dos valentões da escola, das irmãs fúteis, dos gordos bobos e de seu irmão descerebrado e fortão, e da zombação e execração da sociedade por ver alguém diferente; até a histeria em massa que de tão assustadora, o filme genialmente acaba explorando aquilo que caras como eu sempre pensaram: "os zumbis ficariam com medo de nós". Fofinho e simpático, a modelagem dos personagens faz dar vontade de abraçar até o mais bizarro zumbi, contrastando com cenários realistas e bonitos e uma fotografia bem legal.

Como são dos mesmos produtores de Coraline, a influência de um Neil Gaiman acaba sendo evidente a ponto de pensarmos que ele realmente poderia ter escrito isso, tudo com adaptação de um Tim Burton. O que dá um apanhado de influências das boas. As tiradinhas bem-humoradas não poderiam estar de fora, mas ao contrário daquelas piadinhas genéricas, o humor daqui tem um charme simples e simpático que vai além de certos personagens e faz piada com situações que acabariam realmente acontecendo se passássemos por uma situação dessas. E infelizmente a lição de moral existe, mas é tão rápida e tem um sentido - pois Norman é desacreditado por todo o filme - que passa despercebido. São muitos clichês, inclusive no horror; mas tudo é tão bem explorado que no fim se torna algo original e atrativo. 

E não posso deixar de citar também a abertura fodástica à la George A. Romero e o final com a música divertidíssima "Little Ghost" do White Stripes.

O cuidado e o carinho em passar horas pra fazer uma pequena cena, até a animação e a modelagem dos personagens em si, são tão legais que sou fã de todo filme feito dessa forma. E parece que toda animação desse tipo tem um cuidado melhor com o roteiro. Não sei se é o tempo empregado na produção, mas ParaNorman no caso, consegue ao mesmo tempo ter um roteiro conciso, divertido e original, aliado a uma das melhores produções que assisti; principalmente em tempos que hoje se buscam as animações rápidas e de lucro fácil.

Ficha Técnica:

ParaNorman
EUA - 2012 - 92min

Direção: Sam Fell / Chris Butler
Produção: Travis Knight / Arianne Sutner
Roteiro: Chris Butler
Elenco original: Kodi Smit-McPhee / Anna Kendrick / Casey Affleck / Christopher Mintz-Plasse / Bernard Hill / Leslie Mann / Jeff Garlin / Elaine Stritch

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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