Resenha Game: Injustice: Gods Among Us (Xbox 360)

terça-feira, maio 07, 2013

Totalmente em português, sem aqueles erros de grafia nas legendas e sendo totalmente dublado, não sendo coisa tosca do Max Payne 3. "Injustice" conta com as vozes originais dos personagens nos desenhos animados (exceto o Batman que não tem a voz característica de Marcos Seixas), o que me fez ter uma nostalgia enorme e contribui para o ritmo cinematográfico que o game tomou.

Os personagens vão do Super-Homem e Batman (claro), passando pelo Flash e Lanterna Verde, pelos vilões Solomon Grundy, Coringa e Lex Luthor, até o Shazam (ou Capitão Marvel) e o Adão Negro, que é seu arqui-inimigo. Há DLCs que adicionaram personagens como o Lobo e a Robin, Stephanie Brown. Não sei em vocês, mas em mim essas DLCs me dão uma perspectiva enorme de um jogo entregue pela metade, principalmente quando são lançadas correções. Saudades dos jogos de antigamente...

A história do game gira em torno dos principais heróis da DC e começa em uma realidade paralela (a DC tem 52 Terras pra você ter uma ideia). Nessa "Terra Um", num dia como qualquer outro onde heróis enfrentam os vilões, o Coringa está prestes a destruir Metrópolis com uma bomba nuclear depois de enganar o Super-Homem, onde ele acabou matando a grávida Lois Lane pensando estar lutando contra o Apocalypse além de dizimar milhares de vítimas. Pela primeira vez frágil e no limite da sanidade, o Homem de Aço apesar de tudo não desiste do planeta que o acolheu, mas toma medidas drásticas. Ele assassina o Coringa e acaba com todas as mazelas da Terra, mas cria uma ditadura tomando as rédeas da humanidade de vez, o que o obriga a assassinar todos os heróis que se opunham a seu governo. Cabe aos heróis que tentavam impedir o Coringa de lançar a bomba e que foram lançados a essa realidade paralela e viram suas "cópias" dessa realidade serem mortos, a junto de Batman que lidera a resistência, cessar com isso de uma vez por todas.

A história não é genial, mas serve direitinho como premissa para uma luta super-heróica, e diverte tanto aqueles que compram quadrinhos todo mês, como aqueles que querem apenas uma boa história. Baseando-se muito na cultuada minissérie o Reino do Amanhã de Mark Waid e Alex Ross, "Injustice" serve como um tipo de simplificação dela. Nessa série de HQs, Superman afasta-se da humanidade depois de uma catástrofe envolvendo o Coringa. Os anos se passam e uma nova geração de jovens superpoderosos cresce sem a figura e a influência do maior de todos os super-heróis. O crime desaparece, mas gangues de heróis se enfrentam nas grandes cidades por controle. Cabe ao Homem de Aço retornar para mais uma vez representar a honra e a justiça, guiando e inspirando os mais novos e irresponsáveis.

Vale também ressaltar o esforço da NetherRealm em fazer a história realmente relevante em um jogo de luta. Narrando de forma cinematográfica cada ato do jogo, "Injustice" nos deixa ligados e fazendo jogar mais e mais para saber o que acontecerá em seguida. Estamos numa época que a história é pouco ou nada relevante em um game desse gênero tendo no máximo imagens paradas e poucos diálogos, então esse cuidado da produtora é digno de aplausos.

Sobre a jogabilidade temos um jogo que é claramente baseado em Mortal Kombat, mas que tenta ao máximo se distanciar dele. O combate mano-a-mano, sem botão de defesa, não exige muita curva de aprendizado e é simples de se encaixar os combos. Como controlamos personagens com poderes, o game se divide em dois grupos de personagens, aqueles com apetrechos (Batman e Arqueiro Verde), aqueles com super-poderes (Super-Homem e Lanterna Verde), e aqueles que batem na velocidade da luz (Flash) ou logo espancam (Solomon Grundy). Você bate e soca apertando os botões ate sem muita ordem no começo, e nesse quesito lembramos de Tekken por você pegar o controle e sair jogando, mas o legal é realizar os combos corretamente para ativar esses poderes.

Cada herói também conta com um especial que é bem característico as habilidades de cada um (o do Arqueiro Verde é fodástica), e com uma barra de embate onde você "desafia" seu oponente dentro da luta. A barra conta com três níveis e cada um com um botão, se a barra estiver cheia, cabe a você escolher qual a quantidade da barra a ser usada. Vencendo a batalha, a quantidade de sangue adversário irá para o seu personagem. Portanto é bom usar com sabedoria. Além disso é possível usar os cenários a seu favor, muitos deles sendo possível mudar a tela de luta. o que te faz se preocupar com o seu redor além de seu oponente. 

Em termos gráficos "Injustice" é bem bacana aos olhos, com bom detalhamento dos personagens e dos heróis, entretanto parece que a NetherRealm não consegue fazer personagens femininas. Se Ravena e Nevasca conseguem disfarçar bastante por conta de suas fantasias, todo o resto, especialmente a Mulher-Maravilha, ficou por parecer um traveco (sic).

Uma dose de testosterona aí?

Toda vez que pensamos no arco dos super-heróis transportados para outras mídias, em mais de 80% dos casos é uma furada tremenda. Puxando da memória mais recente, salvo a trilogia de Batman dirigida por Christopher Nolan e o arco da Marvel, os fracassos da telona são vários: Demolidor, Elektra, Quarteto Fantástico, Lanterna Verde, Besouro Verde, Mulher Gato, Superman Returns, Motoqueiro Fantasma, e só pra começo de conversa. Já nos games, salvo (também) os games do Batman (Arkham Asylum e City), são qualquer um desses filmes mais vários do arco da Marvel, como: Homem de Ferro, Hulk, Thor... quem lembra do game do Superman pro Nintendo 64? Pois é, a lista vai longe e os alfarrábios também.

Os motivos das más sucedidas adaptações dos heróis nos games são vários, mas o principal por unanimidade, e o mais revoltante pra mim: é o apressado desenvolvimento tanto dos gráficos como da própria jogabilidade para o game ser lançado simultaneamente com o longa. Tudo isso forma um pacote ruim que acaba nos afastando de qualquer game de super herói, e dói ainda mais nos bolso de apaixonados amantes que compram o game esperando uma coisa por ele, que o mesmo não é.

Coube a NetherRealm Studios acabar com essa miséria. E em 2013 foi lançado "Injustice: Gods Among Us", game de luta do arco de heróis da DC feito para superar o que a Marvel já fazia a muito tempo, lançando bem-sucedidos games com seus heróis na série "Marvel vs Capcom". Só que ao contrário da Marvel, a DC apostou em um game solo e acertou em cheio. Unindo qualidade na sua jogabilidade quanto na sua história, que se não é oscarizável, une aquilo que há de principal nas HQs: dimensões paralelas e embates épicos, como uma boa história heróica pede.

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

Você pode curtir também

0 comentários