Resenha Cinema: Guerra Mundial Z

quinta-feira, julho 11, 2013

É duro analisar um filme que você acabou de assistir baseado em um livro que você não leu. Não tenho como comparar a profundidade de um e de outro, e tão qual provável o livro ser melhor que o filme, também posso não ser justo ao analisar um filme como uma adaptação de um livro homônimo.

Na "Guerra Mundial Z" escrita por Max Brooks, o que estamos acostumados a ver em shoppings centers, uma ilha ou uma cidade, tem como cenário o planeta. Numa epidemia global que não se sabe da onde veio e nem se sabe muito bem o que é ao certo, Brooks em seu livro não segue o formato de romance mais tradicional optando por escolher um "diário" ou melhor dizendo: relato oral. É como se fosse um jornalista colhendo depoimentos por todo o mundo das consequências e sofrimentos dessa "guerra global", sacou?

O filme dirigido por Marc Forster logicamente segue essa linha, e por esses relatos vamos montando o pequeno quebra-cabeça da história. Entendendo aonde possivelmente surgiu essa epidemia, como ela surgiu, e como ela pode ser erradicada. O filme logo parte pra guerra, e nos apresenta Brad como o ex-funcionário da ONU Gerry Lane com sua família no trânsito quando de repente estão envolvidos no meio de um alvoroço sem precedentes, tendo que se defender de algo que não sabem bem o que é e correr como nunca correram na vida. Depois de Gerry e sua família serem salvos pelo governo americano, lhe é proposto uma escolha - esta que realmente aconteceria numa situação dessas sem sombra de dúvidas -, a de: ou aceitar a convocação para voltar a trabalhar com a ONU e descobrir o que está acontecendo, ou ser mandado de volta com sua família para as escuras ruas de onde lutaram tanto pra se salvar. Sendo assim, Gerry aceita o serviço, e tem como missão ajudar a desvendar os passos desses vírus e procurar uma vacina.

A primeira coisa da qual me surpreendi e gostei é de que o filme não deixa você descansado, a tensão é enorme e os zumbis são aqueles "infectados". Bom, para os não versados na cultura zumbi, "infectados" são aqueles zumbis que tem ainda raciocínio e são velozes e ferozes (a cena da "pirâmide" é impressionante), e isso por si só já garante a maior qualidade que o filme tem. Tensão que é algo em que a trilha sonora ajuda e muito; e o melhor exemplo é a cena stealth no hospital que só é tensa do jeito que é por causa dos efeitos de som muito bem trabalhados.

Outro ponto que me agradou foram a veracidade dos fatos apresentados no filme, na real, tudo aqui (talvez não a cagada monstra de Gerry no final) só é ficção até não ter acontecido. O descuido e irresponsabilidade humana, o caos e desespero diante da realidade, e os fatos que desencadeiam o começo do filme são críveis. Mas justamente por isso, aqui chegamos a um porém.

"Guerra Mundial Z" é um filme que representa mais uma Guerra do que o Z que o acompanha, tanto que até me lembrou muito de filmes como "Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles". Por essa ação que vai direto ao ponto, durante todo o tempo o filme me lembrou uma guerra comum que tanto faziam ser aliens ou iraquianos ou o Charlie Brown Jr invadindo a cidade. O zumbi corre, morde, o cara se transforma e acabou. Não temos aquelas discussões sócio-políticas, humor diverso, ou mesmo aquela diversão descompromissada de decapitações e dos personagens típicos em filmes do gênero. Toda decapitação que ocorre ou machadada na cabeça é deixada "no ar", com cortes de câmera que evitam o impacto e deixam as mordidas parecendo um simples machucado. E essa falta de sangue e tantos outros pontos desmistificam um demais o gênero que se propôs envolver.

Antes que me chamem de cabeça de melão por "não ter entendido a proposta", o filme somente entrega o que o título nos remete: que é apenas ser um filme de guerra adicionando zumbis. O que é pouco num olhar mais amplo, mas é o suficiente para a agradar bastante aquelas pessoas que buscam uma diversão mais descompromissada, com cenas tensas de se segurar na cadeira e de um ritmo frenético (principalmente no começo) que não te deixam respirar. Mas não tanto aqueles que acompanham a filmografia Z, logo sendo capazes de uma visão mais crítica. Ele apenas é um filme que vai direto a ação, e tem um roteiro que funciona satisfatoriamente. Em outras palavras, dentro de uma proposta mais pop de algo bom, o filme faz direitinho sua lição de casa.

World War Z - EUA , 2013 - 116 minutos
Ação / Horror

Direção: Marc Forster
Roteiro: Matthew Michael Carnahan, Drew Goddard, Damon Lindelof, J. Michael Straczynski, Max Brooks (livro)
Elenco: Brad Pitt, Mireille Enos, Daniella Kertesz, James Badge Dale, Fana Mokoena, Ludi Boeken, Elyes Gabel, Pierfrancesco Favino, Peter Capaldi

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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