Resenha Cinema: Universidade Monstros

terça-feira, julho 02, 2013

Se tratando da Pixar sequências não são tão bem vindas ao publico mais aficcionado (e crítico), pois a produtora se notabilizou por sempre criar animações tocantes e originais, logo, sequências parecem mais caça-níqueis assim como muitas das feitas em Hollywood. Por outro lado, ao contrário de filmes com atores, animações tendem a ter uma liberdade criativa bem maior e poética que "filmes normais" não conseguem alcançar. Logo, sequências para franquias de sucesso são também naturais, afinal, cansamos de ver desenhos prediletos se estendendo até onde não tinha mais sentido. Entendo também que animações são de gosto bem particular, tanto que envolvem um público muito mais amplo. Então se para uns uma sequência pode parecer desnecessária, para tantos outros ela agrada e muito, vide Toy Story 3 que não me deixa mentir e Shrek Terceiro que me decepcionou.

"Monstros S.A." é um filme da "safra de ouro" da Pixar (da qual envolvo os dois Toy Storys, Procurando Nemo e Os Incríveis) da qual tenho muito carinho, a aventura de Mike e Sully foi tão divertida pra mim que o filme acabou crescendo comigo e com muita gente, e uma sequência era desejada e imaginada por muitos. Por outro lado confesso que de primeira interpretei uma certa estranheza um prelúdio, não porque esse não era possível, mas a principal dúvida era se a Pixar conseguiria contar uma nova história da dupla com tanta maestria que nem "Monstros S.A". Bom, conseguiu.

Antes do filme como já é de praxe, a Pixar abre com um curta chamado simplesmente de "O Guarda Chuva Azul". Como em "Detona Ralph" que teve o premiado curta "Paperman", a Pixar mais uma vez conseguiu nos entregar algo tão singelo quanto tocante que emociona até o cara mais macho, desde a música até o conceito da história. É tanta fofura e amor ali, que é impossível não soltar um óun, reação que tive ao ver o clipe da caixinha de leite. Quem lembra dele?


Já falando do filme "Universidade Monstros" e continuando a falar de momentos "óun", somos apresentados ao filhote de monstro (extremamente fofo) Mike Wazowski e a excursão de sua escola a corporação "Monstros S.A." da qual ele conseguiria trabalhar no futuro. 

Se você lembra bem do primeiro filme, entende que a corporação é fundamental para a cidade Monstro, já que através de sustos eles conseguem fornecer energia a cidade, e sabe bem que o sonho de todo monstro é assustar; isso não é diferente pra Mike. Estabelecido seu grande sonho de ser um assustador, Mike entra na Universidade Monstros e conhece o seu tímido companheiro de quarto (surpresa) Randall Boggs. Ao contrário da busca de Randall por popularidade, Mike estuda até conseguir uma vaga na conceituada Escola de Sustos e consegue.

Lá ele conhece o seu futuro grande amigo Jimmy Sullivan, que é um rapaz que nunca precisou estudar muito, afinal, é de uma famosa família assustadora e assustar está em seus genes. Logo Mike não vai com a cara dele pois todo seu esforço não chega aos pés do que ele consegue fazer; e nem Sully vai com sua cara, pois para ele assustar não é algo que se estuda. Com essa rivalidade estabelecida e apesar de muito esforço de Mike e talento de Sully, no teste prático ambos são dispensados da Escola de Sustos pela rígida Reitora Hardscrabble. Mas Mike descobre uma forma de voltar a Escola que é vencendo os "jogos de susto" numa aposta com Hardscrabble. Unindo-se a contragosto em uma equipe fracassada e zoada por toda escola, chamada Oozma Kaapa, ambos tem uma oportunidade para retornar a Escola de Sustos, mas sobretudo para aprender a se adaptar a vida e desenvolver uma amizade. Aliás a fraternidade é tão engraçada e tem tantos momentos de vergonha alheia, que rolei de rir no cinema.

O enredo do filme é simples e ele não esconde isso, é aquela rivalidade conhecidíssima de fortões contra nerds, de extrovertidos e tímidos, e fracassados e populares. Mas aí que está a graça, é justamente o mundo que é necessário criar. E desse mundo é tão divertido ficar observando os chifres, bocas, dentes e penugem,  de cada monstro. É tudo tão lindo e há tanta diversidade que dá vontade de comprar a pelúcia de cada personagem ao sair do cinema. É evidente o carinho que a Pixar teve mais uma vez com o mundo de Mike e Sully. 

Há aqui lições de moral comuns em filmes assim, porém ela não soa nada piegas ou desnecessária no andamento do filme. Ao invés do básico "você pode ser o que quiser, desde que acredite", a mensagem aqui ensina a falha, de que nem tudo sai como planejado e que é preciso se adaptar as situações. Não é preciso estudar para se tornar o melhor e também não é necessário ter só talento, é preciso buscar o que você gosta de fazer e vivenciar esse momento, pois o sucesso é consequência. É impossível não torcer pela fracassada fraternidade Oozma Kaapa que nos ensina justamente isso, e confesso que quase pulei no cinema depois da vitória da equipe mesmo sabendo que o resultado seria esse. Apesar de simples, a Pixar fez a mensagem ficar valorosa e mais realista para os pequeninos, já que a vida e o nosso mundo capitalista é dessa forma e é bom entender isso desde cedo. 

Como disse no começo da resenha, sequências não são tão bem vindas pelos fãs da Pixar, mas essa para mim se equiparou ao nível de diversão do primeiro. Claro que não há o frescor da novidade que dá uma impressão mais efusiva, o que faz o cara que é mais chato do que crítico, cobrar do filme um desenvolvimento que não é necessário - o passado de Sully por exemplo. A Pixar em "Universidade Monstros" conseguiu deixar tudo na medida certa, com um roteiro simples que não deixa oportunidade aos famigerados "buracos". De todos os filmes da Pixar preferi sempre as produções originais do que as sequências, mas aqui como em Toy Story, a Pixar conseguiu driblar toda a desconfiança e estabeleceu a amizade mais forte do cinema desde que vimos Woody e Buzz Lightyear.

PS: - O infame Michel Teló participa na dublagem nacional. Mas não tema: foi uma participação tão pequena que eu nem notei ao assistir e só fiquei sabendo quando li. Ele dublou um aluno que aparece tocando violão.

Direção Dan Scanlon
Produção Kori Rae
Roteiro Robert L. Baird / Daniel Gerson / Dan Scanlon
Criação original Pete Docter
Elenco original John Goodman (Sully) / Billy Crystal (Mike)

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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