Resenha Filme: Megamente

terça-feira, julho 30, 2013

Sempre preferi os anti-heróis aos próprios heróis, é parte grande da explicação pela minha admiração ao Batman e minha indiferença ao Superman. "Who's bad?". A música do Micheal Jackson e usada como a trilha sonora de Megamente, exemplifica bem o que se passa durante a animação.

De forma cômica, a Dreamworks na animação de 2010, apostou em traços bem característicos do "mundo heróico" expondo certas fraquezas e questionamentos que por trás dos momentos mais gloriosos, viriam naturalmente se realmente super-heróis existissem.

A premissa é básica: é o super-vilão contra o super-herói. E assim desde o início a animação toma por base a história do mais emblemático herói, o Superman, na pele do sorriso colgate Metro Man; e o lado vilão caricato a la Cebolinha (claro, uma animação tem que ser bem humorada) na pele de Megamente que faz planos e planos para derrotar seu algoz perfeito e salvador da cidade, mas sempre acaba se dando mal.

Megamente e Metro Man cresceram de formas diferentes num simples panorama social da sociedade, enquanto Metro Man cresceu em uma casa enorme, ficou forte e bonitão e conquistou logo a simpatia de todos; Megamente cresceu em um presídio e aprendeu "coisas erradas" (como a vovó diria), lá ele aprendeu que os "maus" é que são legais e que sair assaltando bancos e dominar o mundo é o que há. Claro que Megamente relutou em ser assim, mas reconheceu que sua vocação seria essa e era o que mais gostava.

Mas um belo dia o plano de Megamente em dar um fim a Metro Man surpreendentemente dá certo, mas e ai? O que resta a um vilão sem seu herói? E se o Coiote finalmente pegasse o Papa-Léguas? Oras, um Batman não vive sem seu Coringa, não é?! E para Megamente, o esforço em vencer o Metro Man e ser derrotado, de forma cômica, dava sentido a sua vida. por causa da mudança de rotina e de ter tudo ao alcance de suas mãos, inevitavelmente bateu a depressão.

Genialmente o vilão que outrora perdeu o sentido pra viver, bolou um plano genial, criar um novo super-herói. Condensando o poder contido no DNA de Metro Man, acidentalmente ele é "aspirado" pelo nerd Hal Stewart. Tudo dá certo e em pouco tempo a cidade tem um novo herói chamado Titan. O plano de Megamente era treinar uma pessoa pura e boa para seu propósito, mas Titan em sua ignorância não sabe que grandes poderes exigem grandes responsabilidades, e assim vira uma ameaça mortal para a cidade; em outras palavras é o verdadeiro vilão.

Lembra-se da frase "Who's Bad?" do começo do texto, pois é, ela condensa de forma precisa o que Megamente é e o que o filósofo Rousseau dizia: "todos nascem bons, a sociedade os corrompe". Não diria também que essa é uma regra, pois bandidos e vilões podem ser tão degenerados que o único propósito que se tem na sua vida é ser mau. Mas Megamente nunca foi, apenas se tornou assim por uma opção. Então para quem sobra a tarefa de salvar a cidade?

O roteiro do filme é simples, mas é condensado de forma direta e ainda consegue causar surpresas aos mais entretidos. A Dreamworks, ao contrário da Pixar que vai em um lado mais emocional, aposta nas piadas e acerta em cheio sendo o suficiente para ser uma das mais divertidas animações que já assisti.

Parece piada eu analisar um filme simples de animação traçando tantos paralelos, mas isso é o que mostra o quanto Megamente é simples, divertido e de bom roteiro. Ah, a trilha sonora é de muito bom gosto!

Megamind
Estados Unidos - 2010 - Comédia/Animação

Direção: Tom McGrath
Produção: Lara Breay / Ben Stiller / Denise Nolan Cascino
Roteiro: Alan J. Schoolcraft / Brent Simons

Elenco:
- Will Ferrell (Megamente)
- Tina Fey (Rosanne Rocha)
- David Cross (O Criado)
- Jonah Hill (Titan/Hal Stewar)
- Brad Pitt (Metroman)

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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